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quarta-feira, 3 de junho de 2026

A festa das informações não confiáveis

 

Saiu na semana passada o levantamento do Poder360 (Brasília, DF) sobre assinantes dos principais veículos do Brasil. Mas a salada de informações é mais um problema do que um quadro explicativo confiável.

Por partes:

Folha de S. Paulo (SP) e O Estado de S. Paulo (SP) aparecem na liderança. Por coincidência, os dois são auditados por uma empresa contratada (PwC) e não pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação), o único instituto aceito pelo mercado - que audita todos os demais brasileiros. Critérios diferentes, confiabilidade idem. Ou seja, aqui se compara laranjas com bananas.

A queda de 16,5% de Zero Hora (Porto Alegre, RS) é assustadora. Ou o número de 2024 era inflado, ou o produto piorou muito. Vox Populi, Vox Dei.

Extra (Rio de Janeiro, RJ) e O Popular (Goiânia, GO) estão se equilibrando sobre o nada. Quando os anunciantes descobrirem, não haverá mais saída.

O Globo (Rio de Janeiro, RJ) parece estar fazendo o trabalho mais regular e confiável. Isso é chave para o futuro sustentável. Aliás, o diário carioca foi o único brasileiro vencedor do prêmio mundial da WAN-Ifra, anunciando ontem.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

O milagre dos números pouco confiáveis

 


Saiu o novo estudo comparativo do Poder 360 (SP) sobre os meios de comunicação do Brasil. Há muito tempo o informativo digital monitora os números do IVC (Instituto Verificador de Circulação) para montar um ranking brasileiro. E, dessa forma, acompanha a queda do impresso e a estagnação digital, de um modo geral.

Bem, agora os números querem mostrar outra coisa. De repente, a alegada circulação impressa de O Estado de S. Paulo (SP) disparou de 56 mil exemplares/dia no fim de 2023 para 131 mil em 2024. Isso seria um caso de congresso internacional, não fosse um pequeno problema: até 2023 os números eram auditados pelo IVC, como toda mídia brasileira. Em 2024 passou a ser pela PwC, uma consultoria contratada pelo próprio Estadão - e sem critérios conhecidos. Assim ficou fácil.

Curiosamente, a Folha de S. Paulo (SP) também trocou o IVC pela PwC e, por coincidência, cresceu também - de 41 mil para 44 mil. Todos os demais impressos brasileiros com mais de 10 mil exemplares/dia caíram, segundo o IVC.

Em um toque de mágica, o Estadão passou a circular três vezes mais que Folha e O Globo (Rio de Janeiro, RJ). Difícil confiar nesses dados.

No mercado digital outro milagre que o Santo PwC provocou em benefício do Estadão. Quase 200 mil novos assinantes em um ano, uma performance digna dos maiores do mundo. Talvez essa mágica seja explicada pelos critérios que guiam as contas do PwC, algo que a Folha utilizou em 2023 - e milagrosamente uma assinatura virou cinco!

Enfim, sem um critério único os números estarão sempre vistos com desconfiança. Fora do IVC as informações fornecidas por Estadão e Folha não têm qualquer valor.


quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Procura-se uma causa


Acaba de sair o levantamento semestral que o Poder 360 (Brasília, DF) costuma fazer, a partir de dados do IVC (Instituo Verificador de Circulação).

A notícia mais do que esperada é que a circulação dos impressos segue em queda livre. Dessa vez a média do desempenho negativo, a partir de dados de 14 jornais brasileiros, foi de 8% - o que significa quase 31 mil exemplares menos em circulação por dia. A Tarde (Salvador, BA) e O Povo (Fortaleza, CE) apresentam variações positivas, mas números absolutos quase irrelevantes.

A novidade que deixa os executivos preocupados é a queda nas assinaturas digitais. Entre os 12 veículos verificados, apenas 3 apresentam crescimento - destaque para A Tarde, com 18,8%. Mas a média é negativa em 3,9%, o que significa pouco mais de 40 mil assinantes a menos no primeiro semestre de 2023.

Por que?

Cada meio tem sua explicação. A mais aceitável é que os produtos oferecidos não valem o valor cobrado, na opinião de potenciais assinantes. Sem qualidade, o jornalismo perde valor. E para recuperar a curva positivo só investindo em bom jornalismo.

 

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Os tristes números dos impressos no Brasil

Todos os impressos brasileiros avaliados mensalmente - a partir dos dados do IVC - pelo Poder360 (Brasília, DF), perderam circulação no primeiro semestre. A queda média é de 7,7% desde dezembro. O Estado de S. Paulo (SP) perdeu a liderança - entre os quality. São péssimas notícias para todos.
Vai ser difícil recuperar espaço ou seguir considerando o impresso como principal plataforma. Os números de audiência são ridículos, se comparados ao digital.
Insistir nessa estratégia é cada vez mais um ato de suicídio.


 

quinta-feira, 30 de junho de 2022

A dura realidade para os impressos


Errar é humano. Insistir no erro é burrice.

Não há mais qualquer justificativa em se investir pesado em edições impressas e economizar em tecnologia - que favoreceria o digital.

Comprar rotativa, agora, é um primeiro e decisivo passo para o suicídio.

Não é preciso ter bola de cristal, basta olhar os números. O levantamento do NiemanLab e da Press Gazette, que o Poder 360 (Brasília, DF) publica hoje, indica queda de 81% na circulação dos maiores impressos dos EUA desde 2000. Só The Wall Street Journal (Nova York, NY), editado para o nicho de investidores, tem mais de 500 mil exemplares por dia. Em 2000 eram 10 diários superando essa marca.

No Brasil, como já vimos, a maior circulação (em DEZ/21) entre os grandes é a de O Estado de S. Paulo (SP), com pouco mais de 70 mil exemplares/dia. Hoje seguramente está abaixo desse número.

A mensagem é clara: os impressos devem ser vistos - e tratados - não mais como um produto de notícias, mas de análises, opinião, exclusivas. Isso requer maior dedicação, muito mais criatividade, periodicidade não necessariamente diária e um público mais exclusivo - e menor. Mas há um negócio por trás, basta entendê-lo. 

O mais importante conselho que se pode dar é: não se deixe morrer pelo passado, pela nostalgia. Os tempos são outros. É preciso cabeça aberta e uma boa dose de ousadia.

PS: colaboração do colega Cláudio Thomas, ex-editor em jornais da RBS, que transformou-se em atento observador da mídia e hoje vive em Florianópolis

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Circulação de impressos em queda livre no Brasil


Não chega a ser novidade, mas os números mostram que a crise dos impressos no Brasil parece não ter fim.

Levantamento do Poder360 (Brasília, DF), com dados do IVC, revela que só nos primeiros cinco meses do ano a queda foi de 12,21% - considerando apenas 10 jornais - líderes - de SP, RJ, MG, RS, BA e CE.

O crescimento de assinaturas digitais, no mesmo período, foi de apenas 3,3% considerando as mesmas 10 marcas - e por um valor sensivelmente menor do que uma assinatura de impresso.

Quando a leitura se dá pela soma impresso+digital, nota-se uma queda total de 1,46% no mesmo grupo de veículos.

Chama a atenção que o impresso mais vendido do Brasil é O Estado de S. Paulo (SP), com apenas 76.416 exemplares por dia (metade do que tinha em 2015). O popular Super Notícia (Belo Horizonte, MG) despenca a 70.752 exemplares/dia (um terço do que aparecia há cinco anos), mesma performance de Zero Hora (Porto Alegre, RS) e de A Tarde (Salvador, BA).    

Muito consistente, no entanto, o crescimento digital de O Globo (Rio de Janeiro, RJ), Folha de S. Paulo (SP) e Valor Econômico (SP) - veículos que investem na estratégia digital.

Mas o quadro geral é preocupante.

PS: os gráficos são do Poder360


 

domingo, 14 de março de 2021

A crise sem precedentes das revistas brasileiras

Se para os jornais impressos a sobrevivência já é um desafio, para as revistas - outrora campeãs de venda da semana - a mudança de hábitos da audiência derrubou princípios - e receitas - e ameaça a continuidade do negócio.

Por muitos e muitos anos, a Revista Veja (SP) mantinha uma circulação semanal acima de um milhão de exemplares. Era uma questão de honra da família Civita. Quando a tendência apontava a baixa, apareciam promoções e logo os números se equilibravam - nos sete dígitos. Só que agora esses tempos ficaram para trás.

Levantamento do Poder 360 (Brasília, DF), com informações do IVC (Instituto Verificador de Circulação), revelam que em dezembro passado Veja vendia apenas 144.141 exemplares semanais (261.272 assinantes, incluindo os puramente digitais). Hoje vende ainda menos.

E não é só Veja. Época e Exame seguem no mesmo ritmo: crise sem precedentes no impresso e uma atuação pífia no digital. A explicação é uma só: falta de relevância. Não são mais leituras obrigatórias.

Não será surpresa se as principais revistas do Brasil interromperem a circulação impressa ainda em 2021.







 

sábado, 28 de novembro de 2020

IstoÉ pisa na bola


A capa da esquerda é do Correio Braziliense (Brasília, DF) de sexta-feira, 20 de novembro. A da direita é da IstoÉ de ontem, 27 de novembro.

Uma semana depois a revista copia a arte do jornal, não pede autorização e sequer dá crédito. Até o título é copiado!

A arte é de Kleber Sales, que trabalha no CB.

Ficou feio, IstoÉ. Tremenda bobagem.


PS: Bem observado pelo Poder360