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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Muda a embalagem, mas o conteúdo segue envelhecido


Não há sensação pior a um consumidor do que se sentir enganado. Por exemplo, quando o chocolate ruim muda o rótulo e avisa que agora o sabor está melhor - mas a sensação é de chocolate velho, o mesmo de antes - a decepção é grande.

Quando se anuncia aos leitores uma mudança de projeto gráfico e editorial, alinhado com os desejos da audiência, se espera que vícios de um jornalismo antigo e surrado desapareçam. Mas não é o que acontece com o Zero Hora (Porto Alegre, RS).

Ontem foi apresentado o novo projeto gráfico de ZH (na verdade um lifting, uma evolução de mudanças recentes) e anunciado em 5 páginas, com alegadas enormes novidades.

Hoje, a chamada para um acidente de trânsito que ocorreu no final da manhã de ontem em Novo Hamburgo - e que matou uma família é...."Família morta em acidente". Como é?

Qual leitor do jornal gaúcho ficou sabendo somente hoje do acidente, sendo que a tragédia foi bombardeada pelo próprio site de ZH, redes sociais, rádios do grupo RBS e pela TV durante todo o dia de ontem? Por que um jornal que se considera inovador escorrega em atitudes antigas como essa, mesmo horas depois de anunciar mudanças e modernidades?

Possivelmente a embalagem se renova, mas os cozinheiros do chocolate seguem os mesmos, mantêm velhos hábitos. Está no DNA.

Cerca de 40 quilômetros de Porto Alegre, o Jornal NH (Novo Hamburgo, RS), ensina como um impresso deve se comportar depois de uma notícia que envelheceu. O mesmo acidente, mas com um pouco de inteligência por trás.

PS: nos bastidores do Vale dos Sinos, se diz que o Jornal NH está trabalhando também em um novo projeto gráfico. E pelo que se vê na capa de hoje, ao menos o conceito de modelo editorial do impresso, da pós-notícia, está bem encaminhado.


sábado, 6 de julho de 2019

Criatividade é a palavra-chave


É muito chato ler tudo o que deputados escrevem. Principalmente para a reforma da previdência.

Por isso a missão dos meios de comunicação é traduzir para que todos entendam o "milagre" que poderá render quase R$ 1 trilhão.

O Jornal do Commercio (Recife, PE) inventou uma narrativa super inovadora. Um jogo. Passo a passo. E publicou na capa.

Bingo!

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Jornal, a caminho de ser revista


Os jornais estão caminhando para se transformarem em revistas diárias. Menos breaking news (que estão nas mídias mais ágeis), mais análises. E fundamentalmente maior cuidado gráfico na apresentação dos conteúdos.

Um exemplo? A foto de capa da Folha de S. Paulo (SP), de Karime Xavier. A dona do restaurante em São Paulo poderia aparecer atrás de um balcão, ou cozinhando. Mas não, há produção, inteligência, na imagem. E ação, com as sementes no ar.

Os repórteres-fotográficos entenderam esse novo espaço que se abriu. É preciso trazer um "capa de revista" por dia.

Ganha o leitor.

Perde que ainda não entendeu que o mundo editorial mudou.

terça-feira, 2 de julho de 2019

A foto e as fotos


Em dia de calmaria (?) por Brasília e Brasil, os jornalões têm espaço para uma boa foto inusitada.

Folha de S. Paulo (SP) e O Estado de S. Paulo (SP) apelam para agências internacionais e cravam um conflito no parlamento de Hong Kong. Bonita imagem, mas pouco relevante para o longínquo Brasil.

O Globo aposta nas baleias que estão de passagem pela Baía de Guanabara. O destino final é o litoral baiano, água ideia para a procriação.

Linda foto de Fabiano Rocha. E toca no cotidiano do carioca.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Na hora da verdade, o conservadorismo prevalece



O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por não conceder o Habeas Corpus ao ex-presidente Lula.

Isso foi ontem à tarde e repercutiu imediatamente em sites, blogs, redes sociais, noticiários de rádio e de televisão.

Qual seria o papel de um impresso (do dia seguinte)? Ir além. Revelar os próximos passos para a odisséia de Lula em sair da cadeia. Avaliar os votos dos juízes. Explicar o porquê de manter tudo como está, pelo menos, até agosto.

Mas aí o lado conservador dos jornais brasileiros fala mais alto. À exceção de O Globo (Rio de Janeiro, RJ), todos os grande jornais do país deram a informação como manchete. Folha de S. Paulo (SP), O Estado de S. Paulo (SP), Correio Braziliense (Brasília, DF), Zero Hora (Porto Alegre, RS), A Tarde (Salvador, BA), Jornal do Commércio (Recife, PE) e Metro (SP). O diário carioca escolheu outra manchete, mas noticiou a decisão do STF ao lado, como sub.

Não que a informação não mereça o espaço, mas a função do impresso é ir além. Nenhum foi.





segunda-feira, 24 de junho de 2019

O jornalismo engana-leitor não funciona mais


Que dia o Brasil aplicou 5 a 0 na seleção do Peru?

Sábado.

Que dia é hoje?

Segunda-feira.

Então por que Zero Hora (Porto Alegre, RS) e Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) insistem em publicar resultado e fotos de jogos de sábado na segunda?

A única explicação é teimosia de quem ainda não entendeu para que serve o impresso em 2019. Tratar o leitor como um ermitão, isolado do mundo, que só se informa pelo impresso, é chamá-lo de alienado. E ninguém gosta de pagar por um exemplar e ser carimbado como otário.

Talvez isso explique a queda livre na circulação dos jornais da RBS no Sul. Se há 15 anos ZH vendia mais de 200 mil exemplares impressos, hoje está em cerca de 80 mil. E caindo.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Faltou o último olhar


É inadmissível para um impresso confundir duas histórias.

Na capa de hoje do Super Notícia (Belo Horizonte, MG), a foto da atriz Paolla Oliveira, em pose sexy e com pouca roupa, invade a área da manchete, cujo tema é estupro.

Por mais popular que seja o jornal, esses escorregões são um tremendo gol contra. É a desinformação impressa.