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sábado, 27 de fevereiro de 2021

É preciso tomar posição

 

O tempo em que o jornalismo acreditava que isenção significava não ter opinião acabou. The New York Times (Nova York, NY), por exemplo, cresceu quando assumiu ser contra o governo de Donald Trump. Hoje tem mais de 7 milhões de assinantes.

No Brasil os veículos ainda resistem a tomar posições, embora os erros e desmandos do Presidente da República tenham feito Folha de S. Paulo (SP) e O Globo (Rio de Janeiro, RJ) assumirem postura de crítica contra Jair Bolsonaro. Inclusive apoiando movimentos pelo impeachment.

A revista IstoÉ (SP) tem sido uma fonte de oposição ao Presidente, ainda que não repercuta tanto como em outros tempos. Mas vale a pena observar o posicionamento de suas capas.

Já jornais regionais como Zero Hora (Porto Alegre, RS) parece não terem entendido que veículos de comunicação precisam, pelo menos, defender a vida. Sem preocupar-se em apoiar este ou aquele político. Na pandemia já se sabe que não existe tratamento precoce, por exemplo, nem cura milagrosa sem que se interrompa a circulação de pessoas. Aceitar discutir a possibilidade de abertura do comércio, em nome da defesa da economia, é atentar contra a vida dos leitores e as razões da ciência.

A carta do editor deste sábado é um emaranhado de bobagens pouco defensáveis:
"Apesar de estarmos em um cenário muito mais grave, o embate permanece. Por isso a necessidade de dar voz a todos os lados, para que o leitor e o ouvinte conheçam os argumentos a favor e contra".  

Não, Zero Hora, a necessidade é uma só: defender vidas. E pouco importa se o prefeito municipal pense diferente, para agradar os empresários eleitores que financiaram sua campanha. É preciso ter coragem e sair do alto do muro. 

Veículos de comunicação precisam, sim, assumir posições.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Infográfico simples, mas de alto impacto


O momento dramático do Brasil no convívio com o Corona Vírus exige atitudes que marquem a agenda. É preciso tomar posição contra o comportamento passivo que já levou mais de 250 mil vidas.

O Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) acertou ao publicar uma capa quase monotemática, com um gráfico mostrando a evolução do número de mortos no país. Sem firulas, sem informações desnecessárias. 

Uma capa de impacto, que inquieta, emociona e faz pensar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Para tudo há um limite: a verdade


O alerta veio do The Intercept. Pelo menos 8 conhecidos jornais impressos do Brasil publicaram hoje o "Manifesto pela Vida", de um grupo auto-intitulado Médicos do Tratamento Precoce Brasil.

O texto é um amontoado de bobagens, alinhadas com aquilo que a ciência deixa claro tratar-se de mentiras. O Manifesto está em espaço pago nos jornais Folha de S. Paulo (SP) e Zero Hora (Porto Alegre, RS), entre outros. Só que para o leitor comum, se está publicado significa que o veículo acredita que aquilo trata-se de verdade.

Só que não é.

Não existe tratamento precoce para o Covid-19. Mais de 250 mil brasileiros já morreram por falta de atendimento, falta de vacina e outras atitudes negacionistas como essas, defendidas por um grupo de médicos pouco conhecidos - mas rico o suficiente para pagar por espaço em impressos.

Há um limite para a busca de recursos. A verdade é uma delas - talvez a principal. Quando jornais importantes aceitam publicar mentiras como essa - que podem influenciar no pensamento dos leitores - os veículos estão fazendo justamente aquilo que não poderiam fazer: colaborando para aumentar o número de mortes.

É lamentável.

 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Líder do Ceará acaba com a edição impressa


O Diário do Nordeste (Fortaleza, CE) sepulta sua edição impressa no próximo fim de semana. O jornal, que já foi um dos três maiores do Nordeste - e líder absoluto no Ceará -, não suportou a crise econômica e os erros de gestão. É mais um para o grupo dos "sem papel".

O DN bem que tentou mudar e se salvar a tempo. Mas não teve competência para isso. Há três anos reduziu formato - de standard a tabloide - e adotou um projeto gráfico muito bom, do designer espanhol Antonio Martín. Só que o modelo editorial seguiu pobre, envelhecido. Conteúdos que não interessavam ao leitor. Aí não há solução mágica.

O jornal tenta agora vender a ideia de modernidade, de "ampliar o portfólio". Pura bobagem. O impresso entrega conteúdos desconectados da realidade do Ceará. Prova de que um excelente projeto gráfico não funciona se não tiver a companhia de um novo modelo editorial e de uma nova forma de se produzir conteúdo.

Descanse em paz, DN.

500 mil mortos nos EUA



Serão 500 mil mortes até o final da semana. Meio milhão de americanos terão morrido por Covid-19 em um ano de pandemia.

As capas de The Washington Post (Washington, DC) e de USA Today (McLean, VA) mostram o horror dessa "façanha", mas isso ainda é pouco para o tamanho da tragédia.

O número, infelizmente, vai crescer.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Ousadia em infográficos


Mais uma vez The New York Times (Nova York, NY) ensina como fazer infográficos de alta qualidade.

Esse ficou tão bom que ganhou a capa inteira da edição de domingo.


 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Um suspiro de jornalismo em UMA capa gaúcha


A falta de visão jornalística dos impressos gaúchos já foi tema de posts aqui no Mídia Mundo. O piloto-automático ainda opera nas edições de segunda-feira, em nome da neutralidade. Mas hoje um jornal conseguiu romper a escrita, enfim.

Ontem os dois grandes times do Rio Grande do Sul jogaram. O Inter, líder do campeonato, a duas partidas de um título que não chega há mais de 40 anos, venceu de novo. O Grêmio, já sem chances, jogando mal e focado na decisão da Copa do Brasil daqui a duas semanas, perdeu de novo.

Os jogos não são iguais. Um decide título, o outro é quase amistoso. O que fazem Zero Hora (Porto Alegre, RS), Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) e Jornal NH (Novo Hamburgo, RS)? Dão pesos iguais na capa às duas partidas, como se isso fosse agradar colorados e gremistas. Pura ilusão.

Mas o Correio do Povo (Porto Alegre, RS) finalmente entendeu que há dois pesos e duas medidas. Ufa. Pelo menos um gaúcho acerta na aposta de capa.

PS: o Fluminense ontem conseguiu a classificação para a Taça Libertadores da América, depois de muitos anos. O Vasco está quase rebaixado. Mas nas capas dos jornais do Rio de Janeiro é só Flamengo, que afinal disputa o título brasileiro. Ou seja, há critérios editoriais entre os cariocas.