Imprima essa Página Mídia Mundo: 2020

sábado, 18 de janeiro de 2020

Faltou coragem aos jornais brasileiros


Na mais vergonhosa atitude de algum membro de governo desde 1941, quando Getúlio Vargas ameaçou apoiar a Alemanha na Segunda Guerra Mundial, o ilustre desconhecido Secretário da Cultura foi exonerado ontem. Motivo: apologia ao nazismo - crime previsto no código penal brasileiro. Nada mais imoral, mais absurdo - a tal ponto que o escândalo do Secretário de Comunicações (que distribui verbas oficiais para seus clientes privados) caiu no esquecimento.

Hoje era dia para os jornais brasileiros se posicionarem de verdade. Não é simplesmente a queda de um membro do primeiro (ou segundo) escalão, mas o ensaio de um pensamento absolutista, nazista, tirano. Impossível não se pensar que este senhor estava autorizado a dizer as barbaridades que disse, ao som de Wagner.

Os jornalões pegaram muito leve. Só o Correio Braziliense (Brasília, DF) comparou de forma clara o Secretário a Goebbels - ainda assim só no primeiro terço da capa. Folha de S. Paulo (SP) colocou o ministro nazista na capa também, mas quase escondido. O Globo (Rio de Janeiro, RJ) e O Estado de S. Paulo (SP) foram mais comedidos.

Era dia para dizer que há um limite nos absurdos que ocorrem no Governo. Que ainda há inteligência e respeito na sociedade. E que a mídia - seguindo os desejos do cidadão - vai pegar pesado contra os exageros vindos de Brasília.

Só que a imprensa parece estar com medo. E isso não leva a nada. Talvez à queda de circulação.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Ainda é tempo de desejar um Feliz 2020


O melhor jeito de começar 2020 é entender qual o papel dos meios de comunicação na vida das pessoas.

Tentei explicar nesse texto publicado no Meio & Mensagem.

Bom ano a todos!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Jornal para fazer fogueira ou embrulhar peixe


Em 2020 já não há mais desculpas. Jornais que não entenderam qual a nova função dos impressos tendem a desaparecer. Por falta de leitores.

O Boeing da Ukraine International Airlines caiu nos arredores do aeroporto de Teerã às 23h12 (hora do Brasil) de terça-feira. Hoje é quinta.

O baiano mais desavisado, que passou o dia entre um banho de mar no Farol da Barra e um acarajé no Rio Vermelho soube por Internet, TV ou Rádio do acidente. Mais: ele soube das repercussões, das investigações, das ameaças dos presidentes, da tensão EUA-Irã, e até da caixa-preta do 737-800.

Aí o jornal A Tarde (Salvador, BA) dá hoje como manchete, mais de 30 horas depois, a notícia pura e crua do acidente.

Sem anúncios, sem leitores e sem criatividade, não é difícil prever a lamentável morte do jornal A Tarde para 2020. A menos que consiga reverter a estratégia para salvar essa marca histórica. Ainda há tempo. Mas a contagem regressiva já começou.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Velho e novo ao mesmo tempo


O jornal O Povo (Fortaleza, CE), referência editorial do Ceará, comemora hoje 92 anos e conseguiu misturar o que há de mais antigo no jornalismo com algumas pitadas de modernidade.

O antigo: a quem interessa o aniversário? Apenas aos acionistas. Ou seja, para o leitor o 07 de Janeiro de 2020 é um dia como qualquer outro. Portanto, o cearense espera que na capa venha o mais relevante - que certamente não é o aniversário do jornal. Trata-se de um olhar para o próprio umbigo que desapareceu dos grandes jornais do mundo - mas sobrevive em O Povo.

O novo: a arte, o branco, as poucas chamadas, as palavras soltas como se fossem leads. Ou seja, graficamente O Povo inova para empacotar algo muito antigo.

De qualquer forma, parabéns a O Povo (pelo aniversário, não pela edição). E muita esperança que se chegue ao centenário. Faltam 8 anos, talvez os mais difíceis 8 anos da vida do jornal.