Imprima essa Página Mídia Mundo: 2022

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Faltou sensibilidade


A capa do Abilene Reporter-News (Abilene, TX) vai entrar para a história como uma das grandes infelicidades do jornalismo.

Justo no dia em que impressos do mundo inteiro prestam homenagem às crianças mortas por um atirador doido no Texas, o diário publica fotos de jovens fortes, bonitos, alegres. São os formandos da universidade local.

OK, é uma tradição do impresso divulgar o rosto dos formandos, mas não precisava ser no dia seguinte à tragédia no mesmo Texas.

Sensibilidade zero em Abilene.

Sem perder a elegância jamais


A tragédia dos meninos assassinados na escola do Texas é tão dura que alguns impressos preferem uma homenagem elegante às fotografias.

Los Angeles Times (Los Angeles, CA) e Toronto Star (Toronto, Canadá) dão uma aula de grafismo.

Simples e eficiente.

 

Diários pautados por agências


As crianças assassinadas por um atirador maluco no Texas merecem todas as homenagens do mundo. Mas é estranho que jornais de todo o planeta publiquem suas fotos em primeira página - o que escancara o poder que as agências de notícias têm na linha editorial e nas escolhas dos impressos.

Mais do que justo que The Dallas Morning News (Dallas, TX) publique as fotos, afinal são crianças da região. As escolhas de The New York Times (Nova York, NY) e The Wall Street Journal (Nova York, NY) também fazem sentido, uma vez que o caso mexeu com todos os Estados Unidos.

Mas o que justifica El País (Madri, Espanha), Yedioth Ahronoth (Tel Aviv, Israel), La Stampa (Turim, Itália) e La Repubblica (Roma Itália) publicarem as fotos das crianças, se em cada países há tragédias como essa e os jornais ignoram as vítimas? Chama-se agências de fotografias. As fotos chegaram. Os conteúdos, monitorados pelas agências internacionais, cobriram bem. Virou o tema do dia. Simples assim.


 

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Jornalismo em seus melhores momentos


Na era do jornalismo irrelevante, onde os impressos não conseguem entender a necessidade de ir além da notícia que já aconteceu, é digna de aplausos a capa do Le Monde (Paris, França), com a investigação sobre um campo de prisioneiros na China. A matéria é ótima, a capa ainda melhor - com as fotos dos personagens.

O Ocidente tem dificuldades de entender como algumas atrocidades acontecem. Le Monde explica, para que ninguém tenha dúvidas das barbáries de alguns regimes totalitários.

terça-feira, 17 de maio de 2022

A resposta tardia do USA Today


The New York Times (Nova York, NY) publicou uma capa memorável domingo, monotemática, com a marca de um milhão de mortos por Covid.

USA Today (McLean, VA) não se organizou a tempo. E a resposta do impresso nacional veio somente hoje, 48 horas depois.

Criativo, é verdade. Trabalha com a bandeira dos EUA. Enche de informações relevantes, como uma linha do tempo e as diferenças demográficas.

Mas chegou depois.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

O líder digital das Américas - segundo o próprio


A guerra de números - quando se fala em assinatura digital - é gigantesca. Não há controle sobre o que se alega e a realidade, há muita liquidação (meios que aceitam qualquer valor por uma assinatura) e aí ganha os holofotes quem soube fazer melhor o lobby pessoal.

Agora o Clarín (Buenos Aires, Argentina) se anuncia o maior veículo digital em idioma espanhol e também o maior das Américas. Segundo o próprio Clarín, são 521.765 assinantes ativos (dado de sábado, dia 14). Se esse número for real, são mais de 100 mil assinantes de vantagem para os brasileiros O Globo (Rio de Janeiro, RJ) e Folha de S. Paulo (SP) e bem mais que o dobro do que apresenta o líder espanhol El País (Madri, Espanha).

Clarín comemora um suposto estudo co INMA, respeitada associação de veículos de comunicação, que colocaria o argentino entre os 10 maiores do mundo. Mas não há link para tal estudo na matéria do Clarín, nem mesmo em uma busca do Google ou no site do INMA.

Como dizem os argentinos, "a ver".

domingo, 15 de maio de 2022

A capa histórica do The New York Times


O diário americano The New York Times (Nova York, NY) não costuma apostar em capa monotemática. O standard normalmente publica várias informações, oferecendo um espectro amplo das notícias. É seu estilo.

Só que hoje o NYT quebrou os protocolos e decidiu gritar contra a nada invejável marca de um milhão de mortos em decorrência da Covid nos Estados Unidos. O mapa é um primor: para cada vítima, um ponto preto. Isso faz com que o leitor entenda os núcleos onde a doença se desenvolve mais, mas ao mesmo tempo entende que a Covid não poupa nenhuma região.

Não importa que a vítima um milhão tenha sido conhecida na quinta-feira. O alcance de domingo é maior. A capa do NYTimes vai, certamente, ganhar vários prêmio de jornalismo. Uma aposta de coragem, um grito de revolta.

Para guardar como exemplo de ótimo jornalismo.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Manchetes previsíveis e idênticas


Quando os dois principais impressos de uma mesma cidade utilizam a mesmíssima manchete - de um fato nacional - é preciso acender a luz amarela. Algo não está bem na criatividade esperada na Barão de Limeira e no Limão.

Folha de S. Paulo (SP) e O Estado de S. Paulo (SP) estão praticando o jornalismo previsível, insosso, que não se diferencia, não apresenta valor agregado. E se é assim, não valem o investimento na compra de um exemplar.

Ou se mexe na estratégia editorial, ou a queda em circulação vai se acentuar.
 

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Nasce um ídolo

Um impresso tem o dever de entender as tendências das ruas antes dos leitores.

É assim na Espanha, por exemplo. O tenista Carlos Alcaraz, 19 anos, venceu o Masters 1000 de Madri, desbancando todos os favoritos. Vai ser o melhor do mundo em breve, sem dúvidas.

Hoje é dia de comemorar. Nas capas. Não só em Múrcia, de onde saiu. Mas em toda Espanha.


 

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Grande foto, grande manchete


Poucas vezes se vê, no jornalismo brasileiro, um casamento tão perfeito entre manchete e foto como na edição de hoje do Correio* (Salvador, BA).

A imagem - de Marina Silva - valoriza o diferente, o sangue escorrendo. A manchete faz trocadilho com o bairro onde ocorreu o crime.

Tudo muito bom.


terça-feira, 3 de maio de 2022

Uma senhora foto


OK, a foto é de agência.

Mas a imagem de capa de O Globo (Rio de Janeiro, RJ) de hoje é fantástica. Conta tudo com um olhar.

A seca e o calor na Índia preocupam. Não há margem para indiferença.

Quando uma foto dessa qualidade chega à Redação, bons jornalistas não têm dúvidas do impacto que ela causará. E, mesmo sendo na Rússia, incita a discussão sobre preservação do meio ambiente.

A foto é de Sajjad Hussein, da Agência France Press.

sábado, 30 de abril de 2022

Quem te viu, quem te vê


O jornal Diário de S. Paulo (SP) foi inovador em vários momentos de sua história. Desde que assumiu o espólio do Diário Popular (SP) navegou por diversas águas, sempre buscando um espaço.

Seu melhor momento foi em 2010 e 2011, quando se transformou em um jornal da cidade de São Paulo, preocupado com a pós-notícia e com a interpretação das informações. O projeto gráfico atual ainda é daquele tempo. Ganhou espaço, mas acabou definhando por decisão de seus gestores.

O DSP, agora, dá pena. Não é à toa que não tem mais leitores. Não vende, ninguém assina. Basta analisar os conteúdos da primeira página de hoje para se entender os motivos.

A manchete é uma notícia entre o popular e o irrelevante. Sem nenhuma força de chamada principal.

Mas o absurdo vem logo abaixo, na foto de um grupo de advogados defendendo o indulto ao deputado carioca responsável por atos anti-democráticos e punido pelo STF. O Diário transforma um delírio irresponsável de defensores do presidente da República em uma notícia.

Um impresso pode assumir posições, não há problema. Pode mesmo defender em editoriais e em opinião posicionamentos políticos. Mas não pode mentir. Uma carta não é um ato. Os integrantes da reunião - salvo Ives Gandra - não estão entre os "mais renomados do Brasil", como o jornal afirma.

Menos, Diário, menos.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Libération provocador, como sempre


Libération (Paris, França) provoca o vencedor das eleições presidenciais. "Obrigado quem?", pergunta.

É que os votos determinantes para sua vitória vieram do movimento que não quis a extrema-direita no poder - e não dos apoiadores da plataforma do centrista Macron.

O Libé, de centro-esquerda, não perdoa.

domingo, 24 de abril de 2022

Saber ganhar e saber perder


O Bétis, equipe de Sevilha que há 16 anos não levantava um trofeu, ganhou ontem a Copa do Rey da Espanha. Um feito enorme para uma equipe "média" em orçamentos e resultados.

O título, confirmado depois da meia-noite na Europa, está nas capas do ABC (Sevilha, Espanha), do Diário de Sevilla (Sevilha, Espanha) e até no esportivo Ás (Madri, Espanha). Ganhar é bom e é preciso comemorar.

Mas os impressos de Valência, cidade da equipe derrotada na final - o Valencia - souberam perder. A capa do Las Provincias (Valência, Espanha) é o sofrimento da torcida, enquanto a primeira página do Levante (Valência, Espanha) mostra a tristeza do capitão da equipe.


 

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Libé revela preferências


O Libération (Paris, França), jornal da geração de Maio de 68, decidiu se posicionar para o segundo turno das eleições. Sem abrir voto para Macron, candidato à reeleição, afirma que Marine Le Pen - da extrema-direita - "ainda não está no nível".

Sutil. Mas decidido.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Bom gosto e criatividade não dependem do tamanho


Jornal da Metrópole (Salvador, BA) é um Semanário/Revista da Rádio Metrópole/Portal Metro1.

Costuma trabalhar pautas que escapam dos grandes veículos baianos. E, muitas vezes, acerta em cheio.

A capa da edição desta semana trata de um tema que vai mexer com a economia local. A foto de capa - de Manuela Cavadas - e a concepção da manchete casam perfeitamente com a matéria.

Ou seja, não é preciso ser gigante para se ter criatividade, boas ideias e sensibilidade jornalística.

A maior inflação em 19 anos e 11 meses

A inflação crescente da Argentina preocupa. Os 6,7% de março assusta quem viveu a instabilidade do início do milênio. Por isso a inevitável comparação com 2022, que aparece nas capas de Clarín (Buenos Aires, Argentina) e La Nación (Buenos Aires, Argentina).

Mas do ponto de vista da precisão da informação, faltou um mês para que fosse a maior inflação dos últimos 20 anos. 

De qualquer forma, a visualização gráfica de La Nación é bem melhor do que a do Clarín, que preferiu dar, uma vez mais, foto da vice-presidente com destaque.


 

terça-feira, 12 de abril de 2022

Le Monde sendo Le Monde


Em matéria de acrescentar valor à informação, na imprensa francesa, ninguém bate o Le Monde (Paris, França).

O mapa contando os vencedores das eleições em cada cidade do país é uma aula de como entender o resultado das urnas.

Le Monde foi, outra vez, Le Monde.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Tudo muito parecido na França


Não houve surpresas nas urnas da França ontem. E nem nas capas dos impressos. A criatividade estava de folga e os diários optaram pela imagem mais obvia. E, claro, se repetiram.

Libération (Paris, França), La Croix (Paris, França), 20 Minutes (Paris, França) e Corse Matin (Ajaccio, França) parece terem sido editados pela mesma pessoa.

Na vizinha Luxemburgo o Luxemburger Wort (Cidade de Luxemburgo, Luxemburgo) foi, pelo menos, um pouco mais ousado.








 

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Sobre o uso de fotos em capas


Fotografia é informação. Não serve para preencher espaços em branco, nem deve ser invadida por conteúdos desnecessários.

A capa de O Globo (Rio de Janeiro, RJ) acerta ao mostrar Monique Medeiros com a informação fundamental: a tornozeleira eletrônica. Não foi preciso dar zoom no local ou qualquer intervenção. É a imagem bem feita e bem editada, como deve ser no impresso.

Já a capa do Correio Braziliense (Brasília, DF) tem uma desnecessária aplicação de foto sobre foto - exatamente o que não se deve fazer. A inclusão de uma segunda imagem, burocrática, de políticos, é quase uma punição aos leitores.


 

sábado, 2 de abril de 2022

A imagem que todos já conheciam


Nunca foi tão fácil sair em capas de jornais. O ex-jogador brasileiro Cafu participou do sorteio dos jogos da Copa do Mundo. Abriu os nomes de algumas seleções - e abusou do soorriso.

Foi o que bastou para aparecer em The Times (Londres, UK) e La Nación (Buenos Aires, Argentina), entre tantos - além dos brasileiros.

Fotos mais que previsíveis. O sorteio foi transmitido ao vivo na tarde de ontem.
 

quarta-feira, 23 de março de 2022

Publicidade digital cresce no Brasil

 

Saiu o balanço 2021 da publicidade brasileira, elaborado pelo CENP (Conselho Executivo das Normas-Padrão).

Entre todas as informações importantes, a maior revelação é o crescimento do Digital nessa divisão: 33,5% do total (no primeiro semestre estava em 28,2%).

O total investido foi de R$ 19,726 bilhões.


PS: do Facebook de José Maurício Pires Alves

segunda-feira, 21 de março de 2022

Impressos da RBS decretam que domingo não existe

Os impressos do Grupo RBS decidiram que domingo não existe. Não apenas por não circularem nesse dia, mas por acreditarem que os habitantes dormem sábado e acordam apenas segunda-feira.

Ou como entender as capas de Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) e de Zero Hora (Porto Alegre, RS), que apostam tudo em fotos de um jogo de futebol ocorrido na tarde de sábado nas capas de segunda?

Talvez isso explique a queda acentuada de circulação desses jornais. Segundo o IVC, a circulação média paga de ZH em 2021 foi de míseros 46.642 exemplares por dia - número que já esteve cinco vezes maior há 20 anos. A queda livre foi de 16% em relação a 2020. Pior, no combinado impresso+digital os números não são positivos: queda de 1,9% em relação ao ano anterior.

Com essas apostas equivocadas na primeira página, esses números só tendem a piorar.

Crédito da ilustração acima: Alex Capuano/CUT