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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A segunda edição do Boston Globe

A família Kennedy é de Boston.
Nesta madrugada, o último político da dinastia que marcou os Estados Unidos morreu.
Quando a notícia da morte do senador Ted Kennedy chegou, o The Boston Globe já estava fechado.
A solução foi convocar a redação e montar uma segunda edição, enquanto o online colocava a notícia no ar.
O esforço valeu a pena.
A nova edição esgotou-se rapidamente na cidade.
E a cobertura do site está recheada de bons complementos.

A foto que não diz nada e a foto que diz tudo (II)

Os editores dos jornais brasileiros precisam urgentemente de lições básicas de cultura visual.
E mais respeito aos leitores.
Quando alguém compra um exemplar de um jornal ele quer que aquele dinheiro investido se reverta em conhecimento, coisas novas, conteúdo.
Ele não quer ornamento, decoração.
A foto principal da capa do O Tempo (Belo Horizonte, MG), do repórter-fotográfico Alexandre Guzanshe, é simples e funciona. O guarda-chuvas visto de cima dá idéia de movimento e passa imediatamente a idéia da chuva. Com bom gosto e sensibilidade.
Já a foto que ilustra (sim, ilustra e não informa) a capa do Cruzeiro do Sul (Sorocaba, SP) é um desperdício de espaço editorial. A legenda fala em "mais quente", mas a foto não revela esse calor, pelo contrário.
Mais uma vez há uma foto que diz tudo e outra que não diz nada.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Pesquisa, a praga do jornalismo moderno

Desde que as pesquisas passaram a ser o fator determinante das decisões dos executivos das empresas jornalísticas, o medo tomou conta dos jornais.
Medo de mudar, medo de ousar.
Esquecem os pesquisadores que é impossível ter opinião sobre o que não se conhece.
Tudo é achismo. E os executivos seguem a cartilha dessas pesquisas que não dizem nada.

O editor-executivo do The New York Times, Bill Keller, dá a receita para que a pesquisa funcione.
A citação está dentro do perfil de Carlos Slim, na Revista Piauí de agosto.

"O que a maioria dos jornais faz para crescer é encomendar uma pesquisa com pessoas que não lêem a publicação e perguntar: 'O que faria você gostar mais de nosso jornal? Em que podemos mudar para atraí-lo?', então eles vão e lançam uma coluna de aconselhamento sentimental ou uma tira de quadrinhos - o que quer que o não-leitor tenha sugerido. Já a estratégia do Times consistia em buscar nossos leitores mais fiéis - aqueles que não conseguem viver sem o jornal, que o lêem diariamente - e traçar o perfil dessas pessoas. Em seguida encontrar mais gente com esse perfil e definir o jornal demograficamente, e não geograficamente".

É por isso que o The New York Times é o jornal mais importante do mundo.

O imperdível perfil do homem mais rico do mundo

A Piauí é a melhor revista do Brasil.
Não há qualquer elemento de comparação com as semanais ou com qual quer que seja.
As melhores reportagens, as grandes idéias, o texto elegante.
Na edição de agosto (número 35) há um perfil de oito páginas do homem de US$ 59 bilhões, o mexicano Carlos Slim.
A matéria é assinada pelo repórter americano Lawrence Wright e saiu originalmente na fantástica revista The New Yorker.
É uma lição de bom jornalismo.
Corra para a banca, antes que a Piauí lance a edição de setembro.


As utilidades de um jornal (II)


O patrimônio de uma cidade é também do cidadão.

A cor de uma ponte pode - e deve - ser decidida pelos habitantes.
E o jornal é o melhor meio de promover a discussão.

Por isso o The Herald News (Fall River, MA) simula em cinco imagens a ponte e as cores propostas.

Assim o jornal presta serviço, orienta.

E o leitor sai ganhando.

As utilidades de um jornal (I)


Um jornal deve ser aliado do leitor.

Sempre.

O jornal pode abrir os olhos do leitor sobre alguns fatos.
É seu papel social. Cidadão.

O Jornal de Santa Catarina (Blumenau, SC) ganha pontos com o leitor quando compara um ponto da cidade antes e depois de uma lei municipal que limitou a publicidade.

Essa comparação do "antes" com o "depois" só pode ser feita por um jornal.

E desta forma presta serviço à comunidade.

A foto que não diz nada e a foto que diz tudo

Fotografia é informação.
Foto que não diz nada deve ser banida do jornalismo.
A foto principal da Folha da Região (Araçatuba, SP) é daquelas que deveria ficar guardada no arquivo para ser utilizada apenas em caso de comparação com uma nova foto.
Ou seja, quantos edifícios novos? Onde está o parque? Cadê a rua?
Mas jamais deve ser usada para ornamentar uma matéria, como a Folha fez..
Decoração usa-se em casas, não em jornais.
Foto deve trazer conteúdo, ou é apenas ocupação de papel.
Perfumaria.
Rouba espaço informativo do leitor.
Já a foto de capa do Correio Braziliense (Brasília, DF), de autoria do repórter fotográfico Cadu Gomes, é sensacional.
As mãos e os olhos de desespero da refém. O espelho com o rosto do sequestrador. A cabeça virada do policial. A interminável grade branca.
Incrível. Genial.
A foto diz tudo.
Nem é preciso texto.