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sábado, 9 de outubro de 2021

A banalização da morte


O Brasil atingiu ontem a nada invejável marca de 600 mil mortos em decorrência da Covid-19. Um número que assusta, escancara a incompetência federal na prevenção da doença.

Mas parece que a grande imprensa acostumou-se com os números absurdos. O Estado de S. Paulo (SP), por exemplo, sequer citou na capa de hoje essa "façanha". Nada. Nem uma linha.

Os demais jornalões publicaram a informação, mesmo não sendo em manchete. Mas o silêncio, nesse caso, é tratar o caso como se fosse algo normal. E não é.

O momento é de revalorização do impresso, com reportagens profundas, opinião, análise, posicionamento. O Estadão parece querer ir para o lado oposto. Aí não há redução de formato que o manterá vivo.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Estadão vai deixar de ser standard


A notícia do colunista Guilherme Amado, no Metrópoles (Brasília, DF), mexeu com os gestores dos grandes meios impressos do Brasil. O Estado de S. Paulo (SP), mais de 100 anos de história, vai adotar o formato berliner a partir de 17 de outubro.

Não chega a ser uma surpresa gigantesca, uma vez que a mudança para o formato compacto pode reduzir os custos industriais em até 30%. Surpresa é o conservador Estadão virar berliner antes dos demais jornalões. Mas deve ter seus motivos.

Agora é preciso esperar os movimentos do jornal dos Mesquita. Sem dúvidas Folha de S. Paulo (SP) e O Globo (Rio de Janeiro, RJ) vão acabar seguindo o mesmo caminho. Como já fizeram O Popular (Goiânia, GO), Correio* (Salvador, BA) e tantos outros, no Brasil e no mundo. 

Só que a redução no formato não é coisa para amadores. Não basta cortar papel. Sem uma estratégia e um desenho adequado, a tentativa fracassa.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Extra faz a capa que o Brasil inteiro esperava, CB a mais descartável do dia


Um impresso, como se sabe, deve agregar valor à informação. Pode ser crítico, desde identificado com a audiência. Pode até ter opinião. Mas não deve ficar sobre o muro - ou torna-se supérfluo.

O discurso do presidente da República na ONU foi uma oportunidade fantástica para os impressos brilharem - até pela facilidade do tempo (o evento foi pela manhã, horário brasileiro). Mas não foi o que se viu, na prática.

Os jornalões foram "mais do mesmo". Difícil entender.

Brilhou o Extra (Rio de Janeiro, RJ), com a capa que escancara as mentiras do presidente. E o destaque negativo foi o outrora crítico Correio Braziliense (Brasília, DF), com a manchete mais chapa-branca do dia.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Capa e conteúdo na medida correta


Capa simples e direta.

Como devem ser as mensagens de grandes revistas, como The Economist (Londres, UK).

Uma análise necessária 20 anos depois.

Para isso servem os meios impressos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Única ilha de criatividade em um oceano descartável


Quem pretende entender como não se faz uma capa de impresso em 2021 pode conferir qualquer jornal que circula hoje. Qualquer um. Todos fazem o jogo do presidente: falam de Bolsonaro em manchete, publicam fotos de multidões vestindo verde-e-amarelo.

Isso é tudo o que o leitor não precisa ver hoje. Onde está a crítica? Onde está a análise nas capas?

A honrosa exceção é o Extra (Rio de Janeiro, RJ), que até faz um desenho - para quem tem dificuldade entender palavras - sobre o jogo democrático. Ou está na constituição ou não deveria existir, é golpe.

Ideia simples, fruto de um planejamento feito por quem está conectado com a audiência.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Folha se posiciona, como os impressos deveriam fazer


Foi-se o tempo em que os jornais se diziam "isentos". Isso nunca existiu, sempre foi cortina de fumaça para esconder as preferências - legítimas - dos acionistas. 

Não mentir é diferente de ser imparcial. A maturidade da imprensa norte-americana ensina que o noticiário não pode, jamais, ser contaminado por inverdades. Mas que a opinião do veículo deve ser clara e posicionada, sem enganar o leitor.

No Brasil ainda vinga a máxima de que "um jornal é para todas as audiências". Tremenda mentira. Um jornal para todos é um jornal para ninguém. 

Por isso a Folha de S. Paulo (SP) acerta mais uma vez ao publicar na capa o editorial "Bolsonaro é o perdedor". Sem firulas, avalia antes das manifestações que o presidente erra ao tentar fazer do ruído das ruas uma nova verdade, ignorando que 75% da população é favorável à Democracia e que 78% dos brasileiros não têm qualquer saudade do regime militar.

Folha faz hoje o que todos os impressos de qualidade deveriam fazer: tomar posição, em um momento tão delicado na política nacional.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Clarín propõe notícia com algo mais, O Globo apenas o fato


Os impressos já entenderam que publicar "notícias" de ontem, sem valor agregado, é jornalismo do século passado. Mas alguns ainda insistem.

O Globo (Rio de Janeiro, RJ) há muito tempo vem praticando um jornalismo moderno, evitando manchetes "que todo o mundo já conhece". Mas hoje errou.

Clarín (Buenos Aires, Argentina) vestiu a camiseta, embora tenha feito uma manchete além do fato: é a interpretação, a consequência da notícia - tudo o que faltou em O Globo.