Imprima essa Página Mídia Mundo: 2020

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Os 100 mil mortos dos EUA


Os Estados Unidos alcançaram a nada invejável marca de 100 mil mortos por Covid-19.

Hoje é dia de o USA Today (McLean, VA) homenagear as vítimas. Uma capa que vai marcar esse triste momento.

domingo, 24 de maio de 2020

Uma capa brilhante, talvez inspirada em O Globo


O Globo (Rio de Janeiro, RJ) fez a capa mais comentada dos últimos 15 dias, quando homenageou as pessoas por trás dos números. Não eram apenas 10 mil mortos, mas 10 mil vidas perdidas no Brasil. Foi exemplo de bom jornalismo por todo o planeta.

Hoje o The New York Times (Nova York, NY) se inspira no diário carioca. Para marcar a proximidade com as 100 mil vítimas nos Estados Unidos, usa a mesma fórmula - com apenas mil nomes, por limitação de espaço.

Essa capa seria impensável no NYTimes há pouquíssimo tempo. Algo está mudando. Mesmo o jornal referência de todos os jornalistas entendeu que o mundo mudou e que a linguagem precisa ser renovada.

Que bom! Que sirva de exemplo!

sábado, 23 de maio de 2020

Estadão ganha pela manhã, Folha vence à tarde


O Estado de S. Paulo (SP) foi a boa surpresa entre os impressos de hoje. Decidiu esquecer as palavras polidas de sua história e cravou, sem fotos, a transcrição dos principais diálogos da polêmica reunião ministerial de 22 de abril.

Seco. Sem título.

À tarde, Folha de S. Paulo (SP) - xingada na mesma reunião - decidiu se mexer. Às 14h05 publicou o editorial Bolsonaro Mente no seu site, com direito à manchete na capa.

No papel, deu Estadão. No Digital, deu Folha.

Nessa batalha particular paulistana, venceu o bom jornalismo.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

O Globo se destaca outra vez


As informações públicas estão disponíveis para todos. O que faz o melhor e o pior jornalismo é a maneira como o veículo a trata. Jornais são refinadores de conteúdo, devem agregar valor à notícia.

Por isso O Globo (Rio de Janeiro, RJ) é hoje o jornal com maior crescimento em assinaturas (digital + papel), leva a sério a missão de melhorar o breaking news. Há quase duas semanas editou três páginas que rodaram o mundo, como exemplo de bom jornalismo. Hoje faz um gráfico de capa onde ensina, a um piscar de olhos, que a curva cresce rapidamente e sem controle no Brasil. É fácil entender que 5 mil mortes demoravam 42 dias para se alcançar há um mês. Hoje, em 5 dias, se chega a tal tragédia.

Certamente o diário carioca já tem planejada a edição das 30 mil mortes, algo esperado para a próxima semana.

Extra (Rio de Janeiro, RJ) e O Estado de S. Paulo (SP) usam números puros e fotos de enterros. Chocam, mas não explicam, não agregam valor.

Correio Braziliense (Brasília, DF) trata o caso como se fosse um número qualquer, enquanto Correio* (Salvador, BA) faz algo impensável: uma comparação com casos nos Estados Unidos e na Rússia. E no tímido gráfico a conclusão do leitor é que estamos muito bem, já que o número de casos nos EUA é cinco vezes o brasileiro. Não dá para entender.






quarta-feira, 20 de maio de 2020

Jornalismo criativo


Simples e impactante.

A capa do Correio Braziliense (Brasília, DF) não exige legenda ou explicação.

Ótima ideia da bolsa de sangue. Criatividade em tempo de tristeza.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Não é original, mas vale pelo impacto


O Globo (Rio de Janeiro, RJ) traz apenas uma foto na capa de hoje. Uma imagem que fala por si.

Não chega a ser uma ideia original. The New York Times (Nova York, NY) publicou nessa semana uma série de fotos semelhantes.

Mas o impacto é grande. Vale a ousadia.

Faltou pouco para os 200 anos



O Diário de Pernambuco (Recife, PE) não resistiu à crise.

Depois de vários anos operando no vermelho, o mais antigo jornal em circulação na América Latina - 194 anos - suspendeu a circulação impressa. Na comunicação oficial o DP alega problemas de distribuição pelo risco de Covid-19.

Pode ser a gota que derramou o copo, embora a crise venha há muito tempo atrapalhando a vida do tradicional jornal.

A empresa promete retomar a circulação depois do Coronavírus.

Há diversas razões para se duvidar disso.

domingo, 10 de maio de 2020

Como ser crítico e sutil




O Globo (Rio de Janeiro, RJ) é um daqueles jornais que não costumam ultrapassar o limite da criatividade "responsável". Ou seja, prefere ser menos ousado do que inovar em demasia e acabar desagradando seu leitor (99% assinante).

Pois hoje O Globo quebrou todas as regras, colocou fogo nos manuais da redação conservadora e produziu um dos mais brilhantes documentos da imprensa brasileira em tempos de Covid-19. Capa e páginas 6 e 7. Uma aula de bom jornalismo. Crítico e, ao mesmo tempo, sutil.

PS: bem observado pelo colega Igor Muller

sábado, 9 de maio de 2020

Que capa!


Uma capa precisa contar algo. De preferência em um piscar de olhos.

The New York Times (Nova York, NY) é certeiro na primeira página de hoje. Toda sexta coluna (o local sagrado onde o NYT costuma publicar a mais importante informação do dia) pertence ao gráfico da perda mensal de empregos nos EUA. Nada menos do que 20,5 milhões, quando nenhuma vez esse número havia superado 1 milhão desde o final da Segunda Grande Guerra.

É por essas e outras que o melhor jornalismo do mundo está neste diário de Nova York.

Genial!

PS: do FaceBook do colega Luiz Adolfo Lino de Souza

sexta-feira, 8 de maio de 2020

A máscara do Meia Hora


Talvez nem todo leitor tenha se dado conta, mas desde 25 de abril o logo do popular carioca Meia Hora (Rio de Janeiro, RJ) está de máscara.

Vale tudo para assumir a campanha contra a contaminação pelo Coronavírus.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

A obsessão gaúcha pelas hard news


É muito curioso que quando o planeta enfrenta uma crise sem precedentes, quando o número de mortos pela Covid-19 no Brasil bate novo recorde, quando a situação política se equilibra por um fio, a imprensa gaúcha insiste em apostar manchetes de hard news, como o corte da taxa de juros no Copom.

Parafraseando um inquilino de Brasília: E Daí?

Esse tipo de notícia que Correio do Povo (Porto Alegre, RS) e Zero Hora (Porto Alegre, RS) publicam é tudo o que o leitor não tem qualquer interesse. Aliás, ele mal sabe o que significa a taxa básica de juros. Isso muda salário? Altera o número de mortos? Precisa usar máscara? Abre no fim de semana?

O maior inimigo do jornalismo sério é o jornalista conservador. Ter medo de fugir das notícias obvias é o primeiro sinal de que é hora de mudar. Mudar as cabeças.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

O modelo para o pós-pandemia


Se há algo que 99 entre 100 líderes de empresas de comunicação concordam, é que o mundo das comunicações depois da pandemia será bem diferente. Aquele modelo de negócios baseado em publicidade-ocupação-de-espaço e assinantes-captados-em-telemarketing acabou.

Para sempre.

Aquele 1% que não concorda com isso levará o maior susto de sua vida, quando o corona estiver sob controle. E, possivelmente, perderá o emprego.

Há 15 dias fiz um webinário para a ANJ e ANER, onde expliquei um pouco mais essa equação. E pelas reações (e-mails e mensagens) que recebi, o que mais preocupa é entender como pode ser um modelo sustentável em uma realidade diferente.

Ontem falei com editores colombianos. Mesmíssima reação. Semana que vem será a vez dos argentinos e dos latinoamericanos em geral.

Em poucas palavras, o modelo precisa ser praticamente o de uma startup. Mais horizontal. Mais leve. Em que três forças garantem o funcionamento: conteúdo de qualidade, conhecimento de audiência e tecnologia confiável. Nada de várias diretorias e gerências. Menos é mais.

Mais: o período atual, de combate frontal ao vírus, com home-office e tempo para desenvolver estratégias, é perfeito. Não haverá outro depois. Empresas que não repensarem a estrutura agora correm sério risco de fechar as portas em pouco tempo.

Claro que não existe um modelo único, que sirva para todos. Cada veículo tem suas características, pelo local, pela história, pelas conexões com a sociedade. É preciso estudar cada um e desenhar uma "armadura" que sirva sob medida.

Aqui um texto que fiz para o Meio & Mensagem onde explico um pouco mais.

Enfim, quem quiser ir mais fundo nessa operação "de guerra" para sobreviver ao futuro, mande um e-mail e vamos conversar, com o maior prazer.

Eduardo Tessler
Editor - Mídia Mundo
tessler@midiamundo.com

Folha mantém pegada, Extra faz piada


Nada pode ser mais satisfatório para um jornal em franca oposição à presidência do que ser citado - e mostrado - pelo algoz. Melhor ainda, o fotógrafo Pedro Ladeira conseguir a foto do exato momento em que o presidente parece destilar um veneno sem precedentes. 

Folha de S. Paulo (SP) mantém a artilharia e cativa leitores. 

Por outro lado, o diário popular Extra (Rio de Janeiro, RJ) brinca com o trocadilho entre Polícia Federal (PF) e Prato Feito. E diverte.



segunda-feira, 4 de maio de 2020

Extra quer saber o mesmo que o leitor


O que o presidente está comemorando, na rampa do palácio?

Extra (Rio de Janeiro, RJ) quer saber, seus leitores também.

Informações públicas (os dados do alto da capa), foto de ontem. Com inteligência, o jornal passa sua mensagem e marca posição em defesa da vida, com uma profunda indignação.

Sem Notícias


O Freedom Forum, ONG que defende a liberdade de imprensa e os direitos dos jornalistas no mundo, se posicionou com enorme coragem nesta segunda-feira. Alterou as capas exibidas no site do Newseum para um modelo único, fundo negro, com a hashtag Sem Notícias.

São mais de 500 capas, que hoje - virtualmente - apresentam a mensagem única. Para que ninguém tenha que viver com o mundo dos jornais sem notícias.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Folha usa gráfico para contar uma história, mesmo sem ser original


A Folha de S. Paulo (SP) utilizou toda metade alta da capa de hoje para falar da situação do País no combate ao Coronavírus. E arrematou muito bem com um gráfico que relaciona as frases infelizes do presidente da República com o avanço das mortes por Covid-19.

A informação fica fácil de ser entendida.

Apesar de muito bem construída, a ideia não é original. Quarta-feira o Jornal Nacional, da TV Globo, utilizou a mesma narrativa para comparar o desdém do presidente com a escalada das mortes.

Seria elegante por parte da Folha admitir isso.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Uau!


Não é preciso nenhum comentário para se deixar cair o queixo com a linda capa da edição mexicana da revista Marie Claire (Cidade do México, México).

Uau! Wow!

PS: do LinkedIn de Juliana Toscano/ANER.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

A mesma indignação do leitor


O quadro da pandemia no Brasil chegou a números muito preocupantes. E só piora.

O que o cidadão quer ver? Alguma reação.

Aí o chefe de Estado comete um cínico "E daí?" ao comentar a consequência do vírus em vidas. O cidadão está indignado. Mas poucos jornais conseguem retratar esse estupor como o Estado de Minas (Belo Horizonte, MG).

É o grito de um impresso defendendo seu leitor.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Correio* "arretado"


O Correio* (Salvador, BA) revolucionou o jornalismo do Nordeste, há pouco mais de 10 anos, com uma maneira inovadora de cobrir os fatos. Não à toa, disparou de uma circulação pífia a mais de 70 mil exemplares/dia, liderando as vendas na região.

Depois caiu, reduziu vendas, esteve mais comedido, mas a criatividade das capas aparece em seu DNA.

Sábado foi genial. Hoje repetiu a dose.

Há jornalismo criativo na Bahia.

sábado, 25 de abril de 2020

Os clones


No jornalismo muitas vezes a manchete é decidida - de forma equivocada - ao se pensar no que o concorrente vai publicar. Essa tentativa de imitar o outro transforma a originalidade em clone.

Hoje Clarín (Buenos Aires, Argentina) e La Nación (Buenos Aires, Argentina) saíram iguais. Mesma foto, mesma manchete.

Um ponto perdido para cada.

Folha comemora o furo e mostra o valor do bom jornalismo


O diretor da sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo (SP), Leandro Colón, consultou suas fontes e bancou a demissão do ministro Sergio Moro às 14h18 de quinta-feira.

Apesar da incredulidade dos demais meios de comunicação do país - que não conseguiram confirmar a notícia - a Direção da Folha seguiu bancando a informação de Brasília e até deu como manchete ontem. Mais que um ato de coragem, o jornal confiou no bom jornalismo de seu Diretor da Sucursal. E, claro, a patrulha digital bolsonarista tentou desqualificar a Folha, considerando o fato como "fake".

Hoje a Folha comemora o grande furo do ano. E no blog do Diretor de Redação, Sérgio D`Ávila, o orgulho de poder responder à patrulha que tratava-se unicamente de bom jornalismo.

Esse bom jornalismo será divisor de águas a partir do fim da pandemia. Que não souber praticá-lo estará fora do jogo da informação.

Atualizando (segunda, 27/04):
O material do blog saiu também no impresso.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Como jornalões cobriram o fato do ano


É muito curioso observar como os três grandes jornais brasileiros acompanharam a demissão anunciada de Sérgio Moro. Ontem e hoje.

Folha de S. Paulo (SP) foi quem bancou a saída desde a tarde de ontem. Deu manchete, ainda que com ressalvas. E duas horas depois do fato, ainda trabalha a notícia.

O Estado de S. Paulo (SP) não bancou a demissão no impresso, mas vai além no digital e trabalha o pós-notícia.

O Globo (Rio de Janeiro, RJ) é quem menos apostou em Moro no impresso. E ainda parece extremamente comedido na cobertura digital.





segunda-feira, 20 de abril de 2020

Extra, um jornal de posições definidas


O que se espera de um jornal impresso?

Algo que seja difícil de se encontrar em outras plataformas. Textos inteligentes, profundidade, fotos de qualidade, opinião, análise, desenho que chame a leitura e, principalmente, posicionamento.

Enquanto a grande maioria dos impressos do Brasil têm dificuldade em assumir posições, Extra (Rio de Janeiro, RJ) deixa muito claro o que pensa. E tem sido duro - e criativo - para julgar as trapalhadas do governo.

As capas de sábado e de hoje deixam muito claro a posição do Extra.

PS: da timeline do colega Nelson Nunes.

Que foto!!!


A imagem que o repórter-fotográfico Lucas Landau, da Reuters, fez ontem é digna de um craque. A caravana pró-Intervenção Militar passava pela Rocinha, no Rio de Janeiro, e recebia uma chuva de ovos da população.

Até que um Policial Militar, protegendo a caravana, se vira para a população e aponta a arma.

Click!

Grandes fotos também estão nas capas de The New York Times (Nova York, NY) e USA Today (McLean, VA). Lindas imagens.

PS: foto de Landau através do Canal Meio.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

O jornalismo clichê hermano




Ficou fácil ser governo e aparecer nos jornais da Argentina. Basta convocar uma coletiva, colocar a vice-presidente ao lado e pronto: o presidente está nas capas de quase todos os jornais do país.

A sutil diferença entre o que é importante e o que é relevante parece não estar sedimentada nos hermanos.

O leitor é quem sofre.