Imprima essa Página Mídia Mundo: 2019

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

No jornalismo, precisão é fundamental


Jornais, às vezes, têm boas ideias - e erram na execução.

Exemplo claro é o da gasolina em Fortaleza, como bem trabalhou O Povo (Fortaleza, CE).

Ótimo um gráfico, simples, na capa. Mas a manchete não pode errar por detalhes.

O gráfico mostra que a grande alta da gasolina foi entre julho e agosto. Ou seja, o preço não "começa" a subir. Ele já começou há pelo menos um mês.

São detalhes, que fazem toda a diferença.

O corte inovador da Folha


Atenção ao corte da foto principal de capa da Folha de S. Paulo (SP):

1 coluna por meia página!

É muito bom surpreender sempre que possível.

sábado, 14 de setembro de 2019

Uma mesma aposta em três frentes


Os impressos da NSC Comunicação (ex-RBS em Santa Catarina) costumam apostar em um mesmo assunto na edição do fim de semana.

Hoje Diário Catarinense (Florianópolis, SC), A Notícia (Joinville, SC) e Jornal de Santa Catarina (Blumenau, SC) publicam uma extensa matéria sobre as "pescadeiras". Boa matéria, lindas fotos dessas personagens dos mares catarinenses.

Se cada marca tem o poder de mudar a foto, para aproximar de seu público, não deveria ser permitido alterar também a informação básica. No DC a reportagem diz que foi do Farol de Santa Marta até Itapoá. No AN o limite ao norte seria São Francisco do Sul. Mas a matéria é a mesma.

PS: o DC tem razão. A última praia catarinense é mesmo Itapoá. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Última edição e mágoa


O gratuito Express (Washington, DC), gratuito do poderoso The Washington Post, circulou pela última vez hoje. A crise matou mais um impresso.

Mas os editores do tabloide distribuído nos metrôs e ônibus da periferia da capital nos últimos 16 anos, atribui a saída de circulação ao celular. E sem papas na língua deram de manchete na derradeira edição:

Esperamos que vocês gostem dos seus fedorentos telefones.

Não é comum para um meio impresso atacar uma ferramenta tão usada pela sociedade, mas a raiva está explicada. Pelo menos na visão do Express.

PS: alerta do atento Nelson Nunes

sábado, 7 de setembro de 2019

Jornalismo moderno precisa assumir posições


Foi-se o tempo em que um jornal considerado "sério" deveria ter a chamada isenção total. Jornal tem opinião, defende posições - e é assim que ganha relevância com sua audiência.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, cometeu ontem mais uma de suas folclóricas ações polêmicas, ordenando o recolhimento de obras consideradas (por ele) impróprias na Bienal do Livro. Esses livros tinham motivos LGBT.

Foi o que bastou para uma tremenda reação em cadeira no Rio. E hoje pelo menos dois jornais interpretam com inteligência a bobagem do prefeito.

Extra (Rio de Janeiro, RJ) mostra moradores de rua - entre eles, crianças - e avisa: isso sim é "impróprio.

Folha de S. Paulo (SP) publica como imagem única na capa o desenho que chocou Crivella.

Em tempos de perseguição política e ameaça de censura, não é hora de apenas observar. É preciso tomar uma posição.

PS: com observação do colega Jeison Rodrigues

SOS A Tarde


O jornal A Tarde (Salvador, BA) está passando por enormes dificuldades - e não é de hoje.

O tradicional diário baiano não soube se modernizar enquanto mantinha a liderança na região. E aos poucos - prejudicado por erros administrativos - definhou. Depois passou por uma venda frustrada e por outras negociações pouco claras, que não deram certo. Ao mesmo tempo alguns aventureiros tentavam encontrar uma fórmula mágica, sem resultado.

Hoje A Tarde é o que sobrou daquele jornal soteropolitano que fez muito sucesso. E basta olhar a capa para entender a penúria na busca por bons conteúdos.

A manchete é uma notícia commodity de Brasília. A foto principal é de um amistoso sem qualquer importância da Seleção Brasileira.

Faltam motivos para alguém comprar um exemplar. Triste ver A Tarde assim. Se não se mexer imediatamente vai desaparecer. E logo.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

A crítica criativa


Extra (Rio de Janeiro, RJ) consegue acertar em cheio na fragilidade das instituições.

Com criatividade, relaciona o ambiente de mais uma morte estúpida com o ufanismo que está começando a pairar sob o céu brasileiro.

E com uma foto absolutamente sensacional, de Bruno Kaiuca.

Palmas!

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Veja achou Queiroz


Veja (SP) voltou a praticar bom jornalismo (ufa).

Na edição que está nas bancas, a revista desvenda o paradeiro de Queiroz, a pedra no sapato da família Bolsonaro. O ex-assessor da família - que controlava as "rachadinhas" - está em São Paulo, vivendo "de rendas" e se tratando em um local público como o Hospital Albert Einstein.

A propósito: a Polícia Federal o procura em vão há oito meses. Ou não quis achá-lo.

Veja fez aquilo que se espera de uma publicação de qualidade: jornalismo, no seu sentido mais amplo.

A matéria (para assinantes) está aqui.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Muito prazer, Jornalismo (com J maiúsculo)


O mundo inteiro fala das queimadas, do desmatamento. O Brasil convive com o (des)governo, com as chacotas deselegantes a líderes da diplomacia internacional.

E ninguém conta, afinal, o que são as florestas, o que há na Amazônia.

Enfim, o Libération (Paris, França), país de Brigitte e de Macron, revela em um bem recebido número especial, tudo sobre as florestas.

Para isso serve um jornal. Para contar o que ninguém sabe.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

As fotos contam histórias

Fotografia é informação - ainda que muitos impressos a trate como um complemento, uma "ocupação de espaço".

No encontro do novo primeiro-ministro inglês Boris Johnson com a chanceler alemã Angela Merkel, cada jornal tem uma visão - otimista ou pessimista - revelada pelas fotos de capa.

Um passeio por The Daily Telegraph (Londres, UK), The Guardian (Londres, UK), Die Welt (Berlim, Alemanha), The Independent (Londres, UK), El País (Madri, Espanha), Financial Times (Londres, UK), Süddeutsche Zeitung (Munique, Alemanha) e The Scotsman (Glasgow, Escócia) mostra que as imagens contam mais do que apenas um encontro de líderes.







terça-feira, 20 de agosto de 2019

Jornais não podem brigar com a notícia


São Paulo viveu ontem um dia muito estranho. Às 15h, uma nuvem pesada e escura tomou conta do ceu. Não era ainda o dia do "juízo final", mas a sensação de algo muito estranho - que poderia ser uma mistura de chuva com fumaça de queimadas - assustou os paulistanos. E ainda hoje é assunto de 9 entre 10 habitantes da cidade.

Os jornais trabalham com planejamento. Se esforçam para cumprir ótimas ideias que surgem em reuniões de pauta acaloradas e criativas. Mas a melhor ideia planejada não pode ser "intocável". Se a notícia relevante acontecer, muda-se o planejamento.

O Estado de S. Paulo (SP) mudou o planejamento e rasgou uma linda foto da "noite antecipada" na capa.

Folha de S. Paulo (SP) preferiu manter a também linda imagem do contraste entre o Morumbi e Paraisópolis. Mas sonegou a foto do dia.

Não se pode brigar com a notícia. Planejamento sim, teimosia não.

sábado, 17 de agosto de 2019

O Meia Hora e suas grandes sacadas


Meia Hora (Rio de Janeiro, RJ) é um jornal irreverente, que procura ocupar o espaço dos históricos populares que divertiam a malandragem carioca.

Aí aproveita-se dos deslizes dos políticos e consegue criar capas com duplo sentido e muita criatividade.

PS: do FaceBook do colega Renato Dorneles

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Três leituras das mesmas fotos


 Com as mesmas fotos - distribuídas por agências internacionais - é possível customizar capas, alterando a ordem ou cortando algumas imagens. Isso chama-se edição fotográfica.

National Post (Toronto, Canadá), El Tiempo (Bogotá, Colômbia) e Süddeutsche Zeitung (Munique, Alemanha) interpretam, cada um de sua maneira, os protestos de Hong Kong.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Um jornal que merece respeito


The Washington Post (Washington, DC) é um jornal genial. Ao mesmo tempo em que investe pesado em tecnologia e aposta no Digital, valoriza a edição impressa com ideias criativas que justificam a compra de cada exemplar de papel.

Na edição de ontem, por exemplo, um suplemento de 12 páginas com a lista dos 1.196 mortos (desde 1966) em ataques de atiradores desequilibrados, que descarregam armas sobre inocentes. Uma homenagem a quem perdeu a vida sem motivos.

A edição do suplemento The Lives Lost (As Vidas Perdidas) é uma crítica ácida à política armamentista de Donald Trump. Com ideias originais é possível se posicionar sem sequer citar o nome do presidente.

The Washington Post faz jornalismo puro, da melhor qualidade.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Na rotativa do NYTimes: "Parem as máquinas"


O chefe da edição impressa do The New York Times (Nova York, NY), Tom Jolly, precisou voltar atrás e interromper ontem a rodagem do jornal por um título que provocou a ira dos leitores (nos EUA é hábito a capa do jornal ser divulgada por redes sociais e TVs na noite da véspera).

Na primeira versão, oficialista, o jornal "comprava" a explicação de Donald Trump para a tragédia de El Paso. Na segunda, enfim, há uma crítica à falta de posicionamento na política de combate às armas.

As reclamações vieram de democratas - deputados, senadores - e de leitores anunciando a suspensão da assinatura do jornal. Ao ver o tamanho do estrago, rapidamente Jolly mandou parar a rodagem e substituiu o título polêmico.

PS: colaboração do atento Jeison Rodrigues, via Alexandre Aguiar.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

O fim de um popular


Notícia Agora (Vitória, ES) nasceu na onda dos jornais populares que invadiram o país em torno ao ano 2000. Em cada capital pipocava um (ou mais de um) popular, com linguagem acessível e a fórmula BBB (Bola, Bala e Bunda).

Curiosamente, enquanto os populares conquistavam Belo Horizonte, Goiânia e Porto Alegre, por exemplo, em Vitória a situação era diferente. Por isso o o jornal do Grupo Gazeta se reinventou há sete anos, virou NA!, navegou por ares de serviço, futebol e celebridades. Mas mesmo assim não decolou.

Hoje, o NA! chegou às bancas pela última vez.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Breaking News: A Gazeta terá apenas uma edição impressa por semana


Notícia quente vindo do mundo capixaba: o tradicional jornal A Gazeta (Vitória, ES), com 90 anos de história, vai deixar de ser diário.

Seguindo o modelo da Gazeta do Povo (Curitiba, PR), A Gazeta reduz a circulação para apenas uma edição por semana. E reforça a plataforma digital, para cortar custos de produção sem perder a conexão com a audiência.

A partir de 30 de setembro o veículo estará vivendo essa novidade.

Antes, porém, já amanhã, deixa de circular Notícia Agora (Vitória, ES), o popular do Grupo Gazeta.

Na verdade o movimento do Grupo Gazeta é consequência da nova realidade dos meios de comunicação no mundo inteiro. O modelo de negócios mudou. É preciso entender como manter a relevância mesmo com meios não tradicionais.

Mais detalhes aqui.


Linda capa do Metro em SP


Sutil.

Como devem ser as capas elegantes.

Mensagem clara e forte do Metro (SP).

terça-feira, 30 de julho de 2019

O mineiro faz a diferença no Pará


Muito se tem discutido a função moderna de um impresso. Sem dúvidas não é mais publicar a notícia pura e dura, mas as análises, a inteligência sobre a informação.

No caso do massacre no presídio de Altamira, os dois jornais locais assumem a velha postura e não avançam. Amazônia (Belém, PA) e O Liberal (Belém, PA) nem merecem leitura.

Já o Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) dá uma aula de jornalismo contemporâneo e vale cada centavo dos R$ 2,50 pedidos por um exemplar.

Existe criatividade no jornalismo brasileiro!


segunda-feira, 29 de julho de 2019

Ecos da SIPConnect 2019


Na semana passada tive a honra de comandar (com meu colega espanhol Chus Del Río) duas apresentações no seminário anual SIP Connect, da Sip-Iapa (Sociedade Interamericana de Imprensa), em Miami (EUA).

O objetivo era revisitar conceitos, fazer uma "oficina" de perguntas e respostas em tempo real, contar casos de sucesso - e de fracasso - e dar um "empurrão" para os primeiros movimentos de quem ainda acha que o Mundo é Analógico.

O resultado foi sensacional. Gente de todos os países das Américas discutindo ideias e desenvolvendo estratégias.

Copio aqui 4 slides que podem ser interessantes a todos:

O primeiro é o resultado de uma pesquisa com alguns participantes. A preocupação na transição digital, para o grupo, começa com Rentabilidade, passa por Estratégias e com Pessoas.
No segundo, algumas conclusões do primeiro dia.
Em seguida dois modelos que chamaram muito a atenção: a organização de uma Redação moderna multiplataforma e o novo fluxo da informação.

Boa leitura!

Qualquer dúvida, escreva aqui nos comentários ou, se preferir, para tessler@midiamundo.com




sexta-feira, 26 de julho de 2019

O prazer de se ler um jornal


No aniversário da imigração alemã no Rio Grande do Sul, edições de luxo dos jornais NH (Novo Hamburgo, RS) e VS (São Leopoldo, RS).

Só desenhos, produzidos por artistas locais.

Nenhuma foto.
Atitudes como esa resgatam o prazer de se ler jornal.

Golaço dos jornais do Grupo Sinos. Os leitores agradecem.


quarta-feira, 24 de julho de 2019

Cinco visões sobre Boris


Os ingleses estão ainda tentando entender o que será o governo Boris Johnson.

Mas enquanto The Daily Telegraph (Londres, UK), The Guardian (Londres, UK), The Times (Londres, UK) e Evening Standard (Londres, UK) usam a fórmula de sempre título+foto+texto, The Independent (Londres, UK) já interpreta os próximos 100 dias.