Imprima essa Página Mídia Mundo: 2019

quinta-feira, 18 de julho de 2019

O passado é atual



O conceito de um impresso tem evoluído muito. Já não é possível afirmar que um jornal é feito de "notícias frescas".

Nas edições de HOJE, The New York Times (Nova York, NY), USA Today (McLean, VA) e Clarín (Buenos Aires, Argentina) apostam em ótimas reportagens sobre temas que já passaram.

O incêndio na Notre-Dame (2019), o atentado à AMIA (1994) e a chegada do homem na lua (1969).

Jornalismo puro.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Capa-pegadinha


A capa do Metro (SP) está linda, com essa foto de Sebastião Salgado, né?

Nem tanto.

O jornalismo pode tudo, menos enganar o leitor. Sebastião Salgado não está "no coração da selva", como diz a chamada. Ele esteve em Serra Pelada quando havia o "formigueiro humano", na década de 80. Há 30 anos o cenário nessa localidade do Pará é bem diferente.

A foto pertence a uma exposição do fotógrafo. OK. Essas fotos já circularam em outras exposição de Salgado.

A saída para o jornal seria deixar bastante claro que trata-se de uma exposição - e não de uma imagem atual.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Muda a embalagem, mas o conteúdo segue envelhecido


Não há sensação pior a um consumidor do que se sentir enganado. Por exemplo, quando o chocolate ruim muda o rótulo e avisa que agora o sabor está melhor - mas a sensação é de chocolate velho, o mesmo de antes - a decepção é grande.

Quando se anuncia aos leitores uma mudança de projeto gráfico e editorial, alinhado com os desejos da audiência, se espera que vícios de um jornalismo antigo e surrado desapareçam. Mas não é o que acontece com o Zero Hora (Porto Alegre, RS).

Ontem foi apresentado o novo projeto gráfico de ZH (na verdade um lifting, uma evolução de mudanças recentes) e anunciado em 5 páginas, com alegadas enormes novidades.

Hoje, a chamada para um acidente de trânsito que ocorreu no final da manhã de ontem em Novo Hamburgo - e que matou uma família é...."Família morta em acidente". Como é?

Qual leitor do jornal gaúcho ficou sabendo somente hoje do acidente, sendo que a tragédia foi bombardeada pelo próprio site de ZH, redes sociais, rádios do grupo RBS e pela TV durante todo o dia de ontem? Por que um jornal que se considera inovador escorrega em atitudes antigas como essa, mesmo horas depois de anunciar mudanças e modernidades?

Possivelmente a embalagem se renova, mas os cozinheiros do chocolate seguem os mesmos, mantêm velhos hábitos. Está no DNA.

Cerca de 40 quilômetros de Porto Alegre, o Jornal NH (Novo Hamburgo, RS), ensina como um impresso deve se comportar depois de uma notícia que envelheceu. O mesmo acidente, mas com um pouco de inteligência por trás.

PS: nos bastidores do Vale dos Sinos, se diz que o Jornal NH está trabalhando também em um novo projeto gráfico. E pelo que se vê na capa de hoje, ao menos o conceito de modelo editorial do impresso, da pós-notícia, está bem encaminhado.


sábado, 6 de julho de 2019

Criatividade é a palavra-chave


É muito chato ler tudo o que deputados escrevem. Principalmente para a reforma da previdência.

Por isso a missão dos meios de comunicação é traduzir para que todos entendam o "milagre" que poderá render quase R$ 1 trilhão.

O Jornal do Commercio (Recife, PE) inventou uma narrativa super inovadora. Um jogo. Passo a passo. E publicou na capa.

Bingo!

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Jornal, a caminho de ser revista


Os jornais estão caminhando para se transformarem em revistas diárias. Menos breaking news (que estão nas mídias mais ágeis), mais análises. E fundamentalmente maior cuidado gráfico na apresentação dos conteúdos.

Um exemplo? A foto de capa da Folha de S. Paulo (SP), de Karime Xavier. A dona do restaurante em São Paulo poderia aparecer atrás de um balcão, ou cozinhando. Mas não, há produção, inteligência, na imagem. E ação, com as sementes no ar.

Os repórteres-fotográficos entenderam esse novo espaço que se abriu. É preciso trazer um "capa de revista" por dia.

Ganha o leitor.

Perde que ainda não entendeu que o mundo editorial mudou.

terça-feira, 2 de julho de 2019

A foto e as fotos


Em dia de calmaria (?) por Brasília e Brasil, os jornalões têm espaço para uma boa foto inusitada.

Folha de S. Paulo (SP) e O Estado de S. Paulo (SP) apelam para agências internacionais e cravam um conflito no parlamento de Hong Kong. Bonita imagem, mas pouco relevante para o longínquo Brasil.

O Globo aposta nas baleias que estão de passagem pela Baía de Guanabara. O destino final é o litoral baiano, água ideia para a procriação.

Linda foto de Fabiano Rocha. E toca no cotidiano do carioca.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Na hora da verdade, o conservadorismo prevalece



O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por não conceder o Habeas Corpus ao ex-presidente Lula.

Isso foi ontem à tarde e repercutiu imediatamente em sites, blogs, redes sociais, noticiários de rádio e de televisão.

Qual seria o papel de um impresso (do dia seguinte)? Ir além. Revelar os próximos passos para a odisséia de Lula em sair da cadeia. Avaliar os votos dos juízes. Explicar o porquê de manter tudo como está, pelo menos, até agosto.

Mas aí o lado conservador dos jornais brasileiros fala mais alto. À exceção de O Globo (Rio de Janeiro, RJ), todos os grande jornais do país deram a informação como manchete. Folha de S. Paulo (SP), O Estado de S. Paulo (SP), Correio Braziliense (Brasília, DF), Zero Hora (Porto Alegre, RS), A Tarde (Salvador, BA), Jornal do Commércio (Recife, PE) e Metro (SP). O diário carioca escolheu outra manchete, mas noticiou a decisão do STF ao lado, como sub.

Não que a informação não mereça o espaço, mas a função do impresso é ir além. Nenhum foi.





segunda-feira, 24 de junho de 2019

O jornalismo engana-leitor não funciona mais


Que dia o Brasil aplicou 5 a 0 na seleção do Peru?

Sábado.

Que dia é hoje?

Segunda-feira.

Então por que Zero Hora (Porto Alegre, RS) e Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) insistem em publicar resultado e fotos de jogos de sábado na segunda?

A única explicação é teimosia de quem ainda não entendeu para que serve o impresso em 2019. Tratar o leitor como um ermitão, isolado do mundo, que só se informa pelo impresso, é chamá-lo de alienado. E ninguém gosta de pagar por um exemplar e ser carimbado como otário.

Talvez isso explique a queda livre na circulação dos jornais da RBS no Sul. Se há 15 anos ZH vendia mais de 200 mil exemplares impressos, hoje está em cerca de 80 mil. E caindo.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Faltou o último olhar


É inadmissível para um impresso confundir duas histórias.

Na capa de hoje do Super Notícia (Belo Horizonte, MG), a foto da atriz Paolla Oliveira, em pose sexy e com pouca roupa, invade a área da manchete, cujo tema é estupro.

Por mais popular que seja o jornal, esses escorregões são um tremendo gol contra. É a desinformação impressa.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A crise do impresso passa pela cultura visual


O jornal O Liberal (Belém, PA) é um exemplo de como o conhecimento gráfico-visual pode ajudar ou atrapalhar uma página.

A capa de hoje tem uma definição positiva: as fotos de manifestantes nos dois lados da manchete - e uma imagem principal de pessoas na rua, protestando. Tudo ótimo, ajudam a contar uma história no primeiro olhar.

Mas agora: por que a mudança repentina de tamanho da fonte da manchete, entre uma e outra linha? Para ajustar a terceira linha com a primeira?

Não, não é assim que funciona. Isso é uma barbeiragem gráfica. Se o aumento revolta a população, esses escorregões (muito comuns na capa do diário paraense) revoltam o leitor.

O impresso só sobrevive sendo um produto bem tratado, inteligente, bonito, amigável. Desse jeito os leitores se vão.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Uma foto a mais


O Jornal do Commércio (Recife, PE) costuma pensar bem em suas capas, tentando passar a mensagem principal da melhor forma possível.

Mas hoje pecou pelo excesso. Duas imagens que competem entre si e não fazem um conjunto de uma só leitura - mesmo tratando do mesmo assunto.

Seria melhor ter apostado em uma delas apenas, talvez com um corte menos horizontal. Daria muito maior impacto.

Mas agora é tarde.

sábado, 18 de maio de 2019

O Dia, outra vez sensacional


O impresso serve para a pós-notícia, para a análise, a crítica, o exclusivo. E isso deve ser transmitido da maneira mais criativa. A narrativa linear - título, texto e foto - muitas vezes vira paisagem.

O Dia (Rio de Janeiro, RJ) é desses jornais que não quer ser mais um na banca. Pretende mostrar para que serve.

Se o túnel do Rio desabou, a capa de O Dia também vira pedacinhos.

Excelente!

quinta-feira, 16 de maio de 2019

A melhor capa do dia


Mesmo com o povo nas ruas, poucos jornais conseguiram fazer uma capa que combine com a importância das manifestações de ontem.

O melhor, de longe, foi O Dia (Rio de Janeiro, RJ).

Simples e direto.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

A melhor foto do ano


Lula Marques é um daqueles fotógrafos cuja obra dispensa legenda.

Hoje, na Câmara de Deputados, ele - mais uma vez - arrasou.

Genial!

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Jornal velho assumido


O gaúcho adora a "grenalização". Se um diz sim, o outro fala não. Se um gosta de vinho, o outro prefere cerveja.

Assim os jornais gaúchos adoram contemplar gregos e troianos - no caso, gremistas e colorados. Por medo de causar revolta em alguma torcida.

Só que os assuntos não são iguais. Pior, o Inter jogou ontem, mas o Grêmio empatou sábado à tarde.

Aí três jornais gaúchos abusam da paciência do leitor considerando as partidas de Inter e de Grêmio com igual peso. Na segunda-feira...

Depois os gênios do marketing não entendem os motivos da queda de leitores em Zero Hora (Porto Alegre, RS), Metro (Porto Alegre, RS) e Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS).


quinta-feira, 9 de maio de 2019

Para isso serve o impresso


Esqueça a ideia de que uma capa deve traduzir o mais importante do dia, como um shopping center.

A capa é a vitrine da loja de "grife". Uma grande aposta, para atrair o cidadão a entrar. Lá dentro há outras ofertas de qualidade.

O Diário Catarinense (Florianópolis, SC) entendeu essa nova lógica. E fez uma capa sublime hoje.

Posicionou-se. Com força.

Palmas!

A melhor leitura sobre o decreto das armas


Metro (SP).

Sem manchete.

O desenho fala por si.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Os 10 anos do i


O tempo voa. Lá se vão 10 anos do lançamento do mais surpreendente jornal da Europa daquele ano de 2009. Tanto que o i (Lisboa, Portugal) arrebatou diversos prêmios de jornalismo em seus três primeiros anos.

O projeto - que tive a honra de participar - começou como um sonho de uma empresa de jornais de Leiria e do Interior de Portugal em ter presença também em Lisboa. A primeira ideia era comprar um título já existente. Mas por liberdade de criação - e economia - optou-se por lançar algo completamente novo.

Sob a direção de Martim Avillez Figueiredo, um grupo de jovens e geniais jornalistas decidiu fazer o que parecia impossível: praticar bom jornalismo e, através da criatividade, entrar em um disputado mercado editorial lusitano.

Depois do lançamento muita coisa aconteceu - até mesmo a venda do jornal e a saída da esmagadora maioria daqueles jornalistas. O i cumpre hoje 10 anos, ainda que sem tanta relevância e criatividade como naquele 2009.

Parabéns.

PS: do FaceBook da colega brasileira Luciane Coelho, que naquele tempo emprestava seu talento à criação e à diagramação de páginas. sobre um projeto gráfico lindamente elaborado pelo espanhol Javier Errea.

Tem coisas que só com o impresso


O papel ainda é extremamente relevante. Só morrem os impressos de gestores sem imaginação.

Exemplo de como ter vida longa?

A Folha de S. Paulo (SP) acaba de fazer uma ação para a Gol Linhas Aéreas, que seria impossível apenas no digital.

É preciso enxergar mais que um palmo à frente.

Excelente ideia da Folha, da Gol e da agência Almap BBDO.

sábado, 4 de maio de 2019

Os jornais-revistas de Santa Catarina


Muito se tem discutido sobre o que deve ser a edição do impresso no fim de semana: um diário com conteúdo da véspera, ou um semanário, com características próprias.

Quem primeiro adota no Brasil essa segunda variável é o Grupo NSC, de Santa Catarina. Os três jornais Diário Catarinense (Florianópolis, SC), A Notícia (Joinville, SC) e Jornal de Santa Catarina (Blumenau, SC), edição conjunta sábado e domingo, se aproximam de revistas até mesmo na capa.

Trata-se de um caminho quase inevitável para os grandes jornais.


quinta-feira, 2 de maio de 2019

Cheiro de censura no ar


A Venezuela foi às ruas terça e quarta-feira. Há os que protestam - e quase derrubam o presidente Maduro. E os que apoiam o governo bolivariano.

O Diário 2001 (Caracas, Venezuela) sai com uma manchete que lembra as receitas de bolo dos jornais brasileiros na ditadura dos anos 60.

Será que algum censor andou podando a manchete obvia?

sexta-feira, 26 de abril de 2019

O comercial do BB vetado pelo PR




Se alguém ainda não viu, aqui está o link para o comercial do Banco do Brasil vetado pessoalmente pelo Presidente da República.

Além de se meter onde não deveria, o capitão de quebra levou a cabeça do Diretor de Marketing do BB que aprovou a peça.

Tempos sombrios em Brasília.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Estava indo tudo bem...até que o medo falou mais alto


O Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) esteve a ponto de fazer uma capa perfeita, criativa, posicionada - como deve ser um impresso. Mas escorregou no último detalhe.

A contagem dos três meses de Brumadinho, com os números e a triste conclusão, tudo em branco sobre preto, é um achado. Sensacional. Ousado.

Então por que estragar tudo com uma foto desnecessária? Bastava colocar a mesma informação em texto, exatamente como já está o bloco à direita da imagem. O efeito da foto na capa tirou a atenção do principal. Lamentável.

Que pena.

O medo de fazer uma capa puramente gráfica venceu a ousadia.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Emoção na França


Pelo menos 14 impressos franceses copiaram a ideia genial do Libération, quando as chamas ainda ardiam na Notre Dame.

Mas três outros jornais souberam traduzir alguma emoção. "Que Tristeza!", diz o Le Républicain Lorrain (Metz, França). "A Desolação", resume o Le Dauphiné (Grénoble, França). "O Impensável", observa Le Télégramme (Lorient, França).

Na tragédia é hora de ser mais criativo do que nunca.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

O drama em 10 caracteres


Hoje o post é do colega Nelson Nunes:

Duas palavras, 10 toques. E o drama esta ali, contado do inicio ao fim

A arte de contar um capítulo da historia da humanidade em apenas 10 caracteres.

É a capa flash do Libération (Paris, França).

PS: Valeu, Nelsinho!

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Criatividade para salvar o impresso


Que o impresso está em crise, não há discussão. Mas o que os jornalistas deveriam fazer, em primeiro lugar, é justificar a existência do impresso. Não mais como reprodutor de breaking news, mas como refinador de conteúdo.

Algo como fez o Jornal NH (Novo Hamburgo, RS) ao dedicar capa monotemática à tragédia da pequena Estância Velha. Bem diferente do que cometeu Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS), que fez exatamente o que não deveria fazer (alguém do RS hoje ignora o duplo assassinato da manhã de ontem?). E mais ou menos o que tentou Zero Hora (Porto Alegre, RS), que focou no drama da família. Mas escondeu na capa, dominada pela alegria do futebol.

Ou o impresso adota a política editorial semelhante à da capa do Jornal NH, ou o caminho para a morte está traçado.


terça-feira, 9 de abril de 2019

O Rio de Janeiro não está tão lindo assim


No mesmo dia o carioca precisou conviver com a notícia de que o Exército fuzilou um músico, sem explicações, e que São Pedro castigou a cidade com uma chuva impressionante.

O sempre criativo Extra (Rio de Janeiro, RJ) fez uma capa sensacional na primeira edição (ESQ), mas mudou para registrar a força das águas na terceira edição.

O Dia (Rio de Janeiro, RJ) registou 80 furos de bala na capa. Meia Hora (Rio de Janeiro, RJ) e Metro (Rio de Janeiro, RJ) preferiram as palavras, em um dia de poucas palavras e muito sofrimento.