Imprima essa Página Mídia Mundo: 2022

terça-feira, 5 de julho de 2022

A bandeira virada

 

A festa de independência dos EUA ficou suja de sangue. O atentado de ontem foi uma vergonha.

O Chicago Sun-Times (Chicago, IL) captou o espírito.

Bandeira virada. Vida do avesso.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

USA Today aposta em capa monotemática. De novo

 

Virou rotina.

O USA Today (McLean, VA), jornal nacional dos EUA - terceiro em circulação impressa - está gostando de apostar em um tema predominante em suas capas. Mesmo tendo formato standard.

Terça-feira foi assim.

Hoje outra vez.

Boa aposta.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

A dura realidade para os impressos


Errar é humano. Insistir no erro é burrice.

Não há mais qualquer justificativa em se investir pesado em edições impressas e economizar em tecnologia - que favoreceria o digital.

Comprar rotativa, agora, é um primeiro e decisivo passo para o suicídio.

Não é preciso ter bola de cristal, basta olhar os números. O levantamento do NiemanLab e da Press Gazette, que o Poder 360 (Brasília, DF) publica hoje, indica queda de 81% na circulação dos maiores impressos dos EUA desde 2000. Só The Wall Street Journal (Nova York, NY), editado para o nicho de investidores, tem mais de 500 mil exemplares por dia. Em 2000 eram 10 diários superando essa marca.

No Brasil, como já vimos, a maior circulação (em DEZ/21) entre os grandes é a de O Estado de S. Paulo (SP), com pouco mais de 70 mil exemplares/dia. Hoje seguramente está abaixo desse número.

A mensagem é clara: os impressos devem ser vistos - e tratados - não mais como um produto de notícias, mas de análises, opinião, exclusivas. Isso requer maior dedicação, muito mais criatividade, periodicidade não necessariamente diária e um público mais exclusivo - e menor. Mas há um negócio por trás, basta entendê-lo. 

O mais importante conselho que se pode dar é: não se deixe morrer pelo passado, pela nostalgia. Os tempos são outros. É preciso cabeça aberta e uma boa dose de ousadia.

PS: colaboração do colega Cláudio Thomas, ex-editor em jornais da RBS, que transformou-se em atento observador da mídia e hoje vive em Florianópolis

terça-feira, 28 de junho de 2022

Capa precisa de inteligência, de criatividade

USA Today (McLean, VA) é um dos jornais impressos de maior circulação no EUA. É um produto nacional, vendido em todo país.

Mas mesmo assim é preciso ser criativo, ousar, provocar o leitor. Foi exatamente o que fez o USA Today hoje, com 182 nomes de crianças e adultos assassinados em escolas desde 1989.

Não há fotos, apenas contornos de rostos, dando a ideia do volume. E os nomes, idades e locais das barbáries.

Uma capa precisa contar algo, defender alguma ideia. Bem como fez o gigantes americano.
 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Ponto de inflexão à vista

Um estudo da Price Waterhouse Coopers (PWC), conhecida consultora internacional de negócios, está mexendo com a mídia dos EUA. Segundo o documento apresentado semana passada, em 2026 o dinheiro de publicidade digital em meios de comunicação será superior às receitas por publicidade no papel. Ou seja, haverá mais investimento de anunciantes no meio digital para veículos jornalísticos do que em impresso.

O dado só não é surpreendente porque há muito a receita digital desbancou as mídias analógicas, no total. Ocorre que entre 70% e 85% ficam nas mãos dos dois maiores intermediários, Google e Facebook. Portanto a disputa restringe-se à verba total de  publicidade de um impresso e uma fatia entre 15% e 30% do que entra por via digital. Agora essa fatia será superior à do impresso.

Qual a preocupação? É que segundo o gráfico da PWC a curva da receita em publicidade digital encontra-se estável. O problema é a queda acentuada das receitas de anúncios no impresso. Sem que se recupere esse dinheiro. Foram quase US$ 12 bilhões investidos no papel em 2017. A previsão para 2026 é de US$ 4,9 bilhões.

No Brasil o ponto de inflexão talvez demore um ou dois anos mais - mas vai acontecer. A solução precisa passar por entender digital como negócio principal da empresa, que também oferece outros produtos como o impresso. No The New York Times (Nova York, NY), por exemplo, dois terços das receitas já chegam por meios digitais, principalmente assinaturas. E crescendo

É preciso se mexer, tomar decisões, montar estratégias. Ou depois pode ser tarde demais.


sábado, 25 de junho de 2022

Só O Globo entendeu o papel do impresso


Os acontecimentos de Brasília desde quarta-feira - e agravados ontem - podem ter sido a pá de cal definitiva na vontade do atual Presidente da República almejar a reeleição. É grave, com provas abundantes e escancara interferências na Polícia Federal para acobertar atos de corrupção.

Uau! É tudo o que um impresso pode querer para organizar sua primeira página. Com um detalhe: É preciso ainda tentar inovar, contar algo surpreendente, que faça o leitor pensar.

Curiosamente, os jornalões brasileiros adotam posturas diferentes. O Estado de S. Paulo (SP) esconde na segunda metade da capa, com manchete apenas informativa. Folha de S. Paulo (SP) também usa luvas de pelica para falar do assunto, buscando uma falsa imparcialidade.

Só mesmo O Globo (Rio de Janeiro, RJ) entendeu para que serve o impresso. Foi na jugular. Manchete revelando um pedaço da conversa grampeada onde não é possível ter dúvidas da participação do Presidente no esquema - e na interferência junto à PF.

Os impressos chegam muito depois do fato ocorrer. Ou há interpretação, análise, novidade, ou se busca uma forma diferente de contar a mesma história. Folha e Estadão estão parados no tempo.



 

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Brasil, um dos países com menor liberdade de imprensa nas Américas


Saiu o Índice Chapultepec de Liberdade de Expressão e Imprensa 2021, estudo da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e da Universidad Católica Andres Bello (Caracas, Venezuela) para monitorar as liberdades nas Américas. Entre os 22 países pesquisados o Brasil ocupa a posição 19. 

O Brasil nunca esteve tão mal, desde que se medem as liberdades de imprensa e de expressão. Só fica à frente de Nicarágua, Cuba e Venezuela, por motivos obvios. O vizinho Uruguai libera, seguido pelo Chile.

O estudo completo está aqui, enquanto a apresentação do trabalho será terça-feira, 14h do Brasil. Inscrições grátis e abertas.

 

quinta-feira, 23 de junho de 2022

A piada que só poucos ousaram contar


A piada estava pronta.

Há poucos meses, o Presidente da República defendeu seu então Ministro da Educação dizendo que colocaria não apenas a "mão no fogo", mas também a cara.

Ontem o Ministro foi preso.

O bom impresso é aquele que entende a situação, aproveita oportunidades como essa e diverte o leitor. 

Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) captou o espírito. 

Extra (Rio de Janeiro, RJ) tentou, mas ficou devendo.

Os outros foram pelo obvio. E perderam a chance.

 

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Jornais da RBS insistem em subestimar leitor


O que há com os impressos do Grupo RBS? Será que não valeria a pena escutar os leitores?

Como é possível que Zero Hora (Porto Alegre, RS) e Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) ignorem o calendário e o relógio? Ou como explicar que um jogo de futebol ocorrido na manhã de sábado esteja, na segunda-feira, dividindo espaço nas capas com outro jogo que aconteceu na noite de domingo, mais de 30 horas depois? 

Chama-se "passar recibo de jornalismo velho e caduco" quando um impresso entrega em sua página principal a cobertura de um evento ocorrido 48 antes de o jornal chegar à casa do assinante.

São por decisões conservadoras e atrasadas como essa que não chega a ser estranha a queda acentuada de leitores dos jornais gaúchos.


 

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Uma vergonha anunciada

Desde que um certo ministro do Meio Ambiente sugeriu "abrir as porteiras para passar a boiada", já se sabia que as consequências ambientais, sociais e humanas na Amazônia seriam desastrosas - pelo menos até 31 de dezembro de 2022, data do final do atual governo no Brasil.

O que não se imaginava era a repercussão que o "vale-tudo" poderia causar. O assassinato do jornalista inglês Dom Phillips (ao lado do sertanista Bruno Pereira) é o absurdo colocado na vitrine, para todo o mundo ver e se espantar.

The Guardian (Londres, UK), para quem Phillips colaborava, dedica meia capa à tragédia. Isso não vai ser esquecido tão cedo.

A boiada passou, mas alguns zebus eram maiores do que aquele ministro imaginava.

Lamentável. E triste.

quarta-feira, 15 de junho de 2022

SBT é a marca de maior confiança entre os meios de comunicação no Brasil







Saiu o esperado anuário Digital News Report 2022, editado pelo Reuters Institute e apoio da Universidade de Oxford. É leitura para análise com calma, observando as conclusões muito interessantes para quem vive o mundo digital.

Algumas informações sobre o Brasil:

* 54% dos entrevistados não estão mais interessados em "notícias". Isso é explicado pelo cansaço de "más notícias" e também pelo momento político-social do país. 

*A TV Globo é a marca mais lembrada entre as mídias analógicas, com 44% dos entrevistas admitindo terem assistido pelo menos uma vez por semana. Seguem TV Record (35%), TV SBT (28%), O Globo (24%) e alguma publicação regional/local (23%).

* Entre os digitais quem lidera é Globo.com (44%), UOL (41%), R7 (30%), O Globo (27%) e Yahoo (17%).

* 18% admitem pagar por notícias nos meios digitais.

* A confiança nos meios de comunicação no Brasil caiu de 54% para 48%.

* As marcas de maior confiança entre os entrevistados são SBT (62%), Record (61%), Meios locais/regionais (61%), Band (61%) e UOL (57%).

* Apenas 27% dos entrevistados acreditam que os meios de comunicação no Brasil são independentes de influência polícia, econômica ou governamental.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

O Globo leva prêmio do INMA


O Globo (Rio de Janeiro, RJ) foi o grande vencedor brasileiro nos Prêmios INMA (International News Media Association) 2022. A competição reconhece ideias e iniciativas de veículos de comunicação em busca de audiência, novas receitas, engajamento, criatividade e fundamentalmente boas ideias. 

O Globo venceu na categoria Melhor Ideia para Engajar a Audiência, entre marcas nacionais, com o projeto O Globo LGBTQIAP+, de 28 de Junho de 2021, que até mexeu no logo do diário carioca.

Os brasileiros costumam ganhar reconhecimento no INMA, mas dessa vez só O Globo, Valor Econômico (SP) e Editora Globo (SP) tiveram alguma menção.

Os vencedores aqui.



Os números da publicidade no Brasil


O primeiro trimestre movimentou R$ 3,45 bilhões em publicidade no Brasil, segundo o CENP (Conselho Executivo das Normas-Padrão).

A primeira conclusão não é boa: proporcionalmente, o volume caiu, em relação ao ano passado (apenas 17,5% do total de 2021). Mas como o investimento em publicidade é sazonal, o número está dentro do esperado para os meses de janeiro, fevereiro e março - quando tradicionalmente o investimento cai, pela ressaca do fim do ano.

Houve um significativo crescimento em mídia exterior e em TV por Assinatura. Mas ainda será preciso esperar os novos balanços, na metade do ano, para se entender o comportamento real.


A comparação do gráfico não é científica. São os valores consolidados de 2021 (apenas os percentuais por mídia) em azul e os percentuais do primeiro trimestre de 2022 - em verde. Mas serve para se tirar as primeiras conclusões.


PS: do Facebook de José Maurício Pires Alves


domingo, 29 de maio de 2022

Para isso servem os impressos


Essa é a capa do caderno Sunday Review, do The New York Times (Nova York, NY).

A mesma frase, repetida após cada tragédia provocada por um atirador maluco nos EUA. Consequência da política armamentista dos Estados Unidos (e copiada em alguns países da América Latina, como o Brasil).

Genial. Para não deixar dúvidas.

PS: contribuição do meu filho Victor, sempre atento às novidades no mundo das comunicações

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Faltou sensibilidade


A capa do Abilene Reporter-News (Abilene, TX) vai entrar para a história como uma das grandes infelicidades do jornalismo.

Justo no dia em que impressos do mundo inteiro prestam homenagem às crianças mortas por um atirador doido no Texas, o diário publica fotos de jovens fortes, bonitos, alegres. São os formandos da universidade local.

OK, é uma tradição do impresso divulgar o rosto dos formandos, mas não precisava ser no dia seguinte à tragédia no mesmo Texas.

Sensibilidade zero em Abilene.

Sem perder a elegância jamais


A tragédia dos meninos assassinados na escola do Texas é tão dura que alguns impressos preferem uma homenagem elegante às fotografias.

Los Angeles Times (Los Angeles, CA) e Toronto Star (Toronto, Canadá) dão uma aula de grafismo.

Simples e eficiente.

 

Diários pautados por agências


As crianças assassinadas por um atirador maluco no Texas merecem todas as homenagens do mundo. Mas é estranho que jornais de todo o planeta publiquem suas fotos em primeira página - o que escancara o poder que as agências de notícias têm na linha editorial e nas escolhas dos impressos.

Mais do que justo que The Dallas Morning News (Dallas, TX) publique as fotos, afinal são crianças da região. As escolhas de The New York Times (Nova York, NY) e The Wall Street Journal (Nova York, NY) também fazem sentido, uma vez que o caso mexeu com todos os Estados Unidos.

Mas o que justifica El País (Madri, Espanha), Yedioth Ahronoth (Tel Aviv, Israel), La Stampa (Turim, Itália) e La Repubblica (Roma Itália) publicarem as fotos das crianças, se em cada países há tragédias como essa e os jornais ignoram as vítimas? Chama-se agências de fotografias. As fotos chegaram. Os conteúdos, monitorados pelas agências internacionais, cobriram bem. Virou o tema do dia. Simples assim.


 

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Jornalismo em seus melhores momentos


Na era do jornalismo irrelevante, onde os impressos não conseguem entender a necessidade de ir além da notícia que já aconteceu, é digna de aplausos a capa do Le Monde (Paris, França), com a investigação sobre um campo de prisioneiros na China. A matéria é ótima, a capa ainda melhor - com as fotos dos personagens.

O Ocidente tem dificuldades de entender como algumas atrocidades acontecem. Le Monde explica, para que ninguém tenha dúvidas das barbáries de alguns regimes totalitários.

terça-feira, 17 de maio de 2022

A resposta tardia do USA Today


The New York Times (Nova York, NY) publicou uma capa memorável domingo, monotemática, com a marca de um milhão de mortos por Covid.

USA Today (McLean, VA) não se organizou a tempo. E a resposta do impresso nacional veio somente hoje, 48 horas depois.

Criativo, é verdade. Trabalha com a bandeira dos EUA. Enche de informações relevantes, como uma linha do tempo e as diferenças demográficas.

Mas chegou depois.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

O líder digital das Américas - segundo o próprio


A guerra de números - quando se fala em assinatura digital - é gigantesca. Não há controle sobre o que se alega e a realidade, há muita liquidação (meios que aceitam qualquer valor por uma assinatura) e aí ganha os holofotes quem soube fazer melhor o lobby pessoal.

Agora o Clarín (Buenos Aires, Argentina) se anuncia o maior veículo digital em idioma espanhol e também o maior das Américas. Segundo o próprio Clarín, são 521.765 assinantes ativos (dado de sábado, dia 14). Se esse número for real, são mais de 100 mil assinantes de vantagem para os brasileiros O Globo (Rio de Janeiro, RJ) e Folha de S. Paulo (SP) e bem mais que o dobro do que apresenta o líder espanhol El País (Madri, Espanha).

Clarín comemora um suposto estudo co INMA, respeitada associação de veículos de comunicação, que colocaria o argentino entre os 10 maiores do mundo. Mas não há link para tal estudo na matéria do Clarín, nem mesmo em uma busca do Google ou no site do INMA.

Como dizem os argentinos, "a ver".

domingo, 15 de maio de 2022

A capa histórica do The New York Times


O diário americano The New York Times (Nova York, NY) não costuma apostar em capa monotemática. O standard normalmente publica várias informações, oferecendo um espectro amplo das notícias. É seu estilo.

Só que hoje o NYT quebrou os protocolos e decidiu gritar contra a nada invejável marca de um milhão de mortos em decorrência da Covid nos Estados Unidos. O mapa é um primor: para cada vítima, um ponto preto. Isso faz com que o leitor entenda os núcleos onde a doença se desenvolve mais, mas ao mesmo tempo entende que a Covid não poupa nenhuma região.

Não importa que a vítima um milhão tenha sido conhecida na quinta-feira. O alcance de domingo é maior. A capa do NYTimes vai, certamente, ganhar vários prêmio de jornalismo. Uma aposta de coragem, um grito de revolta.

Para guardar como exemplo de ótimo jornalismo.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Manchetes previsíveis e idênticas


Quando os dois principais impressos de uma mesma cidade utilizam a mesmíssima manchete - de um fato nacional - é preciso acender a luz amarela. Algo não está bem na criatividade esperada na Barão de Limeira e no Limão.

Folha de S. Paulo (SP) e O Estado de S. Paulo (SP) estão praticando o jornalismo previsível, insosso, que não se diferencia, não apresenta valor agregado. E se é assim, não valem o investimento na compra de um exemplar.

Ou se mexe na estratégia editorial, ou a queda em circulação vai se acentuar.
 

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Nasce um ídolo

Um impresso tem o dever de entender as tendências das ruas antes dos leitores.

É assim na Espanha, por exemplo. O tenista Carlos Alcaraz, 19 anos, venceu o Masters 1000 de Madri, desbancando todos os favoritos. Vai ser o melhor do mundo em breve, sem dúvidas.

Hoje é dia de comemorar. Nas capas. Não só em Múrcia, de onde saiu. Mas em toda Espanha.


 

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Grande foto, grande manchete


Poucas vezes se vê, no jornalismo brasileiro, um casamento tão perfeito entre manchete e foto como na edição de hoje do Correio* (Salvador, BA).

A imagem - de Marina Silva - valoriza o diferente, o sangue escorrendo. A manchete faz trocadilho com o bairro onde ocorreu o crime.

Tudo muito bom.


terça-feira, 3 de maio de 2022

Uma senhora foto


OK, a foto é de agência.

Mas a imagem de capa de O Globo (Rio de Janeiro, RJ) de hoje é fantástica. Conta tudo com um olhar.

A seca e o calor na Índia preocupam. Não há margem para indiferença.

Quando uma foto dessa qualidade chega à Redação, bons jornalistas não têm dúvidas do impacto que ela causará. E, mesmo sendo na Rússia, incita a discussão sobre preservação do meio ambiente.

A foto é de Sajjad Hussein, da Agência France Press.

sábado, 30 de abril de 2022

Quem te viu, quem te vê


O jornal Diário de S. Paulo (SP) foi inovador em vários momentos de sua história. Desde que assumiu o espólio do Diário Popular (SP) navegou por diversas águas, sempre buscando um espaço.

Seu melhor momento foi em 2010 e 2011, quando se transformou em um jornal da cidade de São Paulo, preocupado com a pós-notícia e com a interpretação das informações. O projeto gráfico atual ainda é daquele tempo. Ganhou espaço, mas acabou definhando por decisão de seus gestores.

O DSP, agora, dá pena. Não é à toa que não tem mais leitores. Não vende, ninguém assina. Basta analisar os conteúdos da primeira página de hoje para se entender os motivos.

A manchete é uma notícia entre o popular e o irrelevante. Sem nenhuma força de chamada principal.

Mas o absurdo vem logo abaixo, na foto de um grupo de advogados defendendo o indulto ao deputado carioca responsável por atos anti-democráticos e punido pelo STF. O Diário transforma um delírio irresponsável de defensores do presidente da República em uma notícia.

Um impresso pode assumir posições, não há problema. Pode mesmo defender em editoriais e em opinião posicionamentos políticos. Mas não pode mentir. Uma carta não é um ato. Os integrantes da reunião - salvo Ives Gandra - não estão entre os "mais renomados do Brasil", como o jornal afirma.

Menos, Diário, menos.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Libération provocador, como sempre


Libération (Paris, França) provoca o vencedor das eleições presidenciais. "Obrigado quem?", pergunta.

É que os votos determinantes para sua vitória vieram do movimento que não quis a extrema-direita no poder - e não dos apoiadores da plataforma do centrista Macron.

O Libé, de centro-esquerda, não perdoa.

domingo, 24 de abril de 2022

Saber ganhar e saber perder


O Bétis, equipe de Sevilha que há 16 anos não levantava um trofeu, ganhou ontem a Copa do Rey da Espanha. Um feito enorme para uma equipe "média" em orçamentos e resultados.

O título, confirmado depois da meia-noite na Europa, está nas capas do ABC (Sevilha, Espanha), do Diário de Sevilla (Sevilha, Espanha) e até no esportivo Ás (Madri, Espanha). Ganhar é bom e é preciso comemorar.

Mas os impressos de Valência, cidade da equipe derrotada na final - o Valencia - souberam perder. A capa do Las Provincias (Valência, Espanha) é o sofrimento da torcida, enquanto a primeira página do Levante (Valência, Espanha) mostra a tristeza do capitão da equipe.