Imprima essa Página Mídia Mundo: 2018

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O último suspiro do Estadão


Com mais de 100 anos de vida, O Estado de S. Paulo (SP) demonstra estar dando passos acelerados para o fechamento. Com dívidas crescentes e operação no vermelho, parece que o Estadão descobriu uma fórmula de adiar a morte anunciada: apoiando o candidato que está na frente das pesquisas para presidente.

O editorial publicado hoje, com o singelo título de "Desespero", é o pedido "desesperado" de ser o destino principal das gordas verbas de publicidade do próximo governo, ainda que a história do jornal seja contrária à ideologia do candidato.

O Estadão levou um furaço da Folha de S. Paulo (SP) ontem, quando o líder paulista denunciou o uso de Caixa 2 pelo candidato da extrema-direita. Sem fôlego para retrucar com alguma matéria do mesmo nível, O Estado de S. Paulo baixa o nível jornalístico ao mínimo possível e se utiliza de termos nada elegantes - como a família Mesquita costuma ter - para acusar os apoiadores do candidato da esquerda de "Tigrada".

Confiando na vitória do candidato líder das pesquisas, o Estadão rasga seu código de ética e assume uma postura mais retrógrada do que a que teve em alguns momentos em 1964. É lamentável o que se faz para garantir 4 anos de sobrevida.

Os jornalistas que tanto orgulharam a história do Estadão não mereciam esse triste legado.

PS: não repasso o link do editorial em questão para não incentivar que mais gente leia o absurdo publicado hoje.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Desliguem o piloto-automático

 
O que leva um diretor - em meio a eleições e outros assuntos mais interessantes - a optar pela foto do piloto-automático na capa da edição de hoje?

Medo de mudar. Ou preguiça.

Folha de S. Paulo (SP), Diário Catarinense (Florianópolis, SC) e Metro (Porto Alegre, RS) foram pela manjada imagem do jogo insosso da Seleção Brasileira. 

Não faz nenhum sentido. Os fotógrafos dos três jornais estão de luto.




segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Folha está em 2018, Estadão no século passado


Os dois concorrentes paulistanos - que tantas vezes se copiam - começam a mostrar diferenças substanciais.

A Folha de S. Paulo (SP) foi certeira ao interpretar em uma manchete o recado das urnas.

O Estado de S. Paulo (SP), como se o leitor fosse um bicho alienado, quis "informar" o que houve domingo. Como se estivesse em 1978.

Esse entendimento do papel de um impresso em 2018 é fundamental para determinar quem seguirá no mercado no futuro. E quem acabará por fechar as portas.

Lamentavelmente é cópia


A capa da esquerda foi publicada em outubro de 2010 pelo jornal O Dia (Rio de Janeiro, RJ). Mostra os dois candidatos que chegaram ao segundo turno naquele ano.

A capa da direita é de hoje. O jornal Metro (SP) quis ser original. Só que a copia é descarada.

Basta ter escrito, na legenda, que a ideia original é de O Dia, em 2010. Mas reinou o silêncio.

Ficou feio, muito feio.

Desenho renovado no Ceará


O Diário do Nordeste (Fortaleza, CE) mudou. Desde ontem o formato adotado é o tabloide (metade do antigo standard) e o desenho se modernizou.

As mudanças gráficas são obra do ótimo espanhol Antonio Martín, um gênio de criação. Só que a criatividade necessariamente precisa vir acompanhada de ousadia editorial - o que está em falta pelos lados do Diário.

Um redesenho não nasce sozinho - ou naufraga. É preciso um consistente modelo editorial que seja a base da transformação. O design é apenas a apresentação dessa ideia.

Perspectiva ruim.

sábado, 6 de outubro de 2018

Hora de se posicionar


Os jornais americanos têm o hábito de emitir opinião em eleições. Eles, sem qualquer risco à seriedade da cobertura jornalística, deixam muito claro se preferem um ou outro candidato.

No Brasil não existe esse hábito - salvo raras exceções.

Mas aos poucos os impressos deixam claro para que lado vão. Como o Meia Hora (Rio de Janeiro, RJ).

Muito bom!

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Quem nasce jornalinho nunca será jornalão

O que há de comum entre os três jornalões brasileiros, a dois dias das eleições?

Fora algumas opções editoriais, nenhum deles publica santinhos na capa. Há, sim, um espaço para propaganda, limitando à parte baixa em não mais que 25% da altura da capa, mas nem Folha de S. Paulo (SP), nem O Estado de S. Paulo (SP) ou O Globo (Rio de Janeiro, RJ) vendem propaganda política na capa.

Capa é o cartão de visitas, a principal página do jornal impresso.





No Paraná, Santa Catarina e em Minas Gerais aparecem alguns santinhos, mas há regras. O material não pode, de nenhuma maneira, ofuscar o conteúdo editorial.

Assim fazem O Diário do Norte do Paraná (Maringá, PR), O Tempo (Belo Horizonte, MG), Hoje em Dia (Belo Horizonte, MG) e Diário Catarinense (Florianópolis, SC). Verdade que o jornal paranaense quase confunde o que é editorial e o que é propaganda política.




Agora comparemos com o escândalo que acontece no Rio Grande do Sul.

Os dois maiores jornais da capital, Zero Hora (Porto Alegre, RS) e Correio do Povo (Porto Alegre, RS) esquecem que um impresso é feito para o leitor. E abusam nos santinhos, quase que garantindo a folha de pagamento em dia, ao custo da venda de sua seriedade.

Pior, fazem escola e contaminam com essa política todos os jornais dos gaúchos.

Um horror. Uma tragédia no jornalismo gaúcho.












quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Duas capas que não precisavam ser publicadas


Um jornal impresso precisa facilitar a vida do leitor. Ou aos poucos perderá toda sua audiência.

Metro (SP) hoje quis ser engraçado e acabou prejudicando o entendimento do que quis dizer, o resultado da pesquisa para presidente. Gráfico deve ser direto, informar em um primeiro olhar. Os números dentro dos balões - com mais atenção aos patinetes do que à informação - não serve para o leitor.

Enquanto isso, o jornal NH (Novo Hamburgo, RS) está liquidando espaços na capa para candidatos às eleições de domingo. A força do impresso precisa ter limites na publicidade, para seguir impactando e garantindo audiência. Quando um leitor vê que há mais santinhos do que informação cria imediatamente uma rejeição. Não ao candidato, mas ao jornal.

Nenhum problema em vender publicidade na capa, desde que a tarifa seja muito alta e que haja um acordo com a Redação para o percentual de capa utilizado. Os americanos costumam liberar até 30%. No NH esse índice passa de 60%.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

A última homenagem a Aznavour

A morte do grande cantor da França domina as capas de hoje no país.

Le Figaro (Paris, França), Libération (Paris, França), 20 Minutes (Paris, França), Le Parisien (Paris, França) e outros, todos em apostas monotemáticas.











quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Deu no The Economist


A bíblia das publicações de economia do mundo está apavorada com a possibilidade do candidato de extrema-direita vencer as eleições no Brasil.

A capa do The Economist (Londres, UK) traz o ex-capitão e a manchete: "A última ameaça da América Latina".

Independentemente do lado que cada um torce e apoia, a preocupação de investidores é um sinal amarelo ao Brasil.

PS: dica do atento Victor, em terras europeias

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A foto que sumiu dos jornais


Só podia ser na Venezuela.

O presidente Nicolás Maduro viaja até a Turquia e se esbalda em um jantar de US$ 250. Até aí tudo bem, se em seu país fosse fácil encontrar comida nos restaurantes - mas não é.

A foto, portanto, é um tapa de luva de pelica em todos os venezuelanos. Maduro pode exagerar, o povo não pode sequer comer. Está nos principais jornais do planeta.

E os jornais venezuelanos, o que fizeram? Nada.

El Nacional (Caracas, VE), único diário que não caiu nas mãos de parceiros do presidente, esconde a imagem. El Universal (Caracas, Venezuela) e Últimas Notícias (Caracas, Venezuela), ambos de apoio a Maduro, claro que não publicam.

Lamentável.



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Menos pimenta no acarajé


A desconexão de A Tarde (Salvador, BA) com sua audiência está chegando a pontos extremos. Depois de falar do Paraná em manchete semana passada, agora é Venezuela.

O Brasil está em ebulição, faltam 20 dias para as eleições. Povo nas ruas fazendo barulho para um e outro lados. O País não fala de outra coisa se não as ameaças, vantagens e desvantagens de cada um dos candidatos.

E A Tarde fala da Venezuela... Aliás, uma notícia de sábado.

Incrível!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A diferença de quem aposta no grafismo


Os jornais cearenses O Povo (Fortaleza, CE) e Diário do Nordeste (Fortaleza, CE) escolheram o mesmo tema para as manchetes de hoje: Haddad e Lula.

Pode-se discutir a aposta, mas não é o que se pretende agora. A questão é como apresentar o assunto.

O Diário trata o tema como sempre, sem emoção, uma manchete tradicional e essencialmente noticiosa. O Povo trabalha um jogo de fotos que, ao primeiro olhar, já fica clara a mensagem ao leitor. Está anos-luz à frente do concorrente.

Bravo, O Povo. É a consequência de quem investe em artistas gráficos.

Baiano desconectado da Bahia


O jornal A Tarde (Salvador, BA) parece perdido em suas apostas editoriais.

Por que a prisão (no início da manhã) de um ex-governador....do Paraná é manchete do jornal na Bahia?

Difícil explicar. Notícia velha de um ilustre desconhecido entre os baianos.

Ou o jornal redescobre sua conexão histórica com a audiência, ou sua relevância será a cada dia menor.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Enfim um pouco de jornalismo de qualidade


O candidato a presidência Jair Bolsonaro foi esfaqueado quinta-feira passada em Juiz de Fora. Até agora, cinco dias depois, ninguém havia investigado a fundo a história do autor da punhalada, Adelio Bispo de Oliveira.

Finalmente hoje o Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) traz algumas pistas.

Ufa! O jornalismo está vivo.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Positivo na tragédia



Grande ideia do Extra (Rio de Janeiro, RJ).

Em vez de martelar a tristeza, como todos os jornais do Brasil costumam fazer, o popular carioca trouxe lembranças dos leitores. Momentos dentro do Museu, que virou cinzas.

É preciso ser positivo no Brasil de 2018.