Imprima essa Página Mídia Mundo: 2018

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Quase bom


O Metro (Campinas, SP) precisava dizer algo mais do que a chacina da Catedral, que chocou a cidade. Ir mais longe. Mostrar o que ninguém viu.

A frase da testemunha é boa. E funciona bem o branco sobre preto.

Mas...

...para que a foto horrível, retirada do vídeo de segurança da igreja? O que acrescenta, uma vez que foi a imagem mais vista de ontem? Fora de foco, borrada, em plano aberto e, ainda por cima, limitada a um quarto de página?

Não há explicação. A capa tinha tudo para ser boa, mas o piloto-automático do editor estragou tudo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O suicídio dos jornais


Jornais impressos, em 2018, não são comparáveis aos de 1998. Esses 20 anos de diferença serviram para que as plataformas dinâmicas (Internet, mídias eletrônicas) ocupassem o espaço da informação veloz. Jornais, portanto, servem a cada vez mais aprofundar uma informação.

Soma-se a isso a relevância do fato. Jornais precisam hoje ocupar-se de conteúdos locais, que façam a diferença na vida daquele leitor.

Pois bem, apesar de 99% dos jornalistas do mundo concordarem com essas premissas, o conservadorismo, a falta de coragem, a ausência de criatividade e a força do piloto-automático acabam surpreendendo (negativamente) o leitor com edições absolutamente descartáveis de alguns jornais. É inacreditável que jornalistas ainda cometam absurdos editoriais com os que aparecem nesse post.

Mas há, possivelmente, uma explicação: o plantão de fim de semana, quando meios pouco profissionais escalam "de castigo" maus editores. E impera uma ordem: na edição de segunda-feira precisa ter futebol em destaque. Só que os "sábios" esqueceram que as competições nacionais acabaram na semana passada. O resultado é uma inacreditável aposta na irrelevância.

O que faz uma foto de uma equipe argentina dominando a capa de O Liberal (Belém, PA)? O jogo em questão ocorreu em Madri... Na mesma pegada Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) e O Tempo (Belo Horizonte, MG), sem tanto estardalhaço como o diário do norte. E até mesmo o Metro (Brasília, DF) - pelo menos esse não cobra nada do leitor.

Será que ninguém tinha uma foto mais relevante, local, para publicar? E depois reclamam que o leitor está em queda. Motivos não faltam.

Lamentável.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Nem sempre se ganha uma aposta



O Diário de Canoas (Canoas, RS) bem que tentou, mas a velocidade da informação acabou sepultando a capa do impresso no início da manhã.

Os funcionários da saúde pública (terceirizada) entraram em greve. O jornal foi atrás da solução e cravou que até amanhã (sexta) o governo repassaria verba e, portanto, a situação poderia voltar ao normal.

Só que no início da manhã uma operação do Ministério Público prendeu a cúpula da terceirizada, acusada de desviar o dinheiro da saúde para fins pessoais.

Aí, depois das prisões, a capa do impresso parece uma piada de mau gosto.

sábado, 1 de dezembro de 2018

De tirar o chapéu!


O jornal O Povo (Fortaleza, CE) é um dos impressos mais bem desenhados do país.

Além dos diversos prêmios que costuma ganhar com design, surpreende quase todos os dias com capas e matérias que são um primor de desenho.

A de hoje é sensacional.

Parabéns Gil Dicelli (o responsável gráfico) e grupo.

Clap, clap, clap!!!!

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Extra é pura inteligência


Que bom que existe o Extra (Rio de Janeiro, RJ), um jornal popular, mas carregado de sutileza e inteligência.

A capa de hoje é de alta criatividade - e ao mesmo tempo extremamente simples.

Pezão, o mão grande.

Genial.

Fora do tom


O outrora poderoso A Tarde (Salvador, BA) está perdido. Não sabe se atira para a Baía de Todos os Santos ou para o Sertão. Na dúvida, joga suas fichas ao noticiário político nacional - e se dá mal.

O governador do Rio foi preso ao amanhecer de quinta-feira. E é manchete de sexta-feira! Na Bahia!!!!!

Enquanto A Tarde não se der conta de que sua audiência está mais para Zé Rafael do que para Pezão, só o que se verá é o abandono de leitores.

Que pena.

Bem menos que 300 quilômetros


A distância rodoviária entre as cidades de Bauru e Londrina é de cerca 286 kms, via BR-369.

Mas há algo que deixa os municípios paulista e paranaense muito mais próximos: a falta de capacidade gráfica de seus jornais.

Qual é a foto dominante nas capas de Jornal da Cidade (Bauru, SP) e de Folha de Londrina (Londrina, PR)?

Difícil saber simplesmente porque não há imagem dominante nas capas. A barbeiragem gráfica é de quem não entende que a linguagem visual é um dos pilares para segurar o que resta de audiência no papel. Ignorar isso é jogar leitores no lixo.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Homenagem de fã


Stan Lee, criador de tantos personagens dos quadrinhos, morreu.

O choro do Homem-Aranha, na capa do Metro (SP), só pode ser homenagem de um fã.

Ficou muito bom.

PS: sugestão do designer Dirceu Goulart

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Quando a fotografia conta a história


The Times (Londres, UK), um dos mais tradicionais jornais do mundo - com 233 anos - não tem nenhum medo em rasgar na capa uma foto que conta aquilo que texto algum pode revelar.

Tradição não significa ser conservador. É preciso entender a audiência.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A Cidade deixa de circular


Mais um diário impresso deixa de circular. Dessa vez foi o centenário A Cidade (Ribeirão Preto, SP), que chegou às bancas pela última vez terça-feira.

Mergulhado em crises econômicas, o jornal já havia enxugado ao máximo a operação. Segunda-feira demitiu muitos profissionais e agora passa a existir apenas na Internet.

Há uma operação organizada para devolver dinheiro de assinantes ativos e o anúncio de que será instalado um paywall a partir do próximo mês.

Mais um exemplo de um jornal que não entendeu seu sentido a tempo. Quando quis reagir, já era tarde.

Fotos: divulgação

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

A infeliz coincidência serve da alerta



The Washington Post (Washington, DC) e Los Angeles Times (Los Angeles, CA) fazem coro ao noticias que a extrema-direita venceu no Brasil.

Os dois jornais também noticiam, com grande espaço, o atentado a uma sinagoga em Pittsburgh - fruto de um maluco que "só queria matar alguns judeus" e da posse de arma facilitada.

Que essa coincidência sirva de alerta aos defensores do armamento.

A Folha salvou a imprensa brasileira


A Folha de S. Paulo (SP) deu mais uma demonstração de seriedade e compromisso com o leitor - e que vale os R$ 4 que pede por um exemplar.

Ao mesmo tempo que informa o que aconteceu nas urnas ontem, o jornal publica um forte editorial de capa reforçando os valores da democracia, pedindo respeito à Constituição e lembrando do comportamento habitual do capitão, pouco adequado a um presidente.

Os demais jornais brasileiros foram extremamente conservadores.

domingo, 28 de outubro de 2018

As duas melhores capas de hoje


Dia de eleição.

Dia de decisão.

Dia de pensar no futuro.

O Povo (Fortaleza, CE) e Extra (Rio de Janeiro, RJ) fugiram do óbvio e acertaram em cheio.

Parabéns.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Meios de comunicação têm medo de assumir posição


Jornais nos EUA são claros ao assumir um lado em qualquer campanha eleitoral. Até para ser honesto com a audiência.

A tomada de posição é humana, existe, serve para defender ideias. Jornais são empresas, têm o direito de opinar também sobre os rumos do País, do Estado e da Cidade. Sem que isso interfira na isenção da reportagem, certamente.

Ou seja, The New York Times (Nova York, NY) e The Washington Post (Washington, DC) assumiram o voto na democrata Hillary Clinton, há dois anos, enquanto a rede Fox News defendia a eleição de Donald Trump. Isso tudo nos textos de Opinião, não no noticiário.

Sim, é difícil traçar essa linha divisória, mas ela é necessária. E nos EUA funciona bem.

No Brasil o jogo parece uma sucessão de mentiras que não servem a ninguém. A Rede Record (SP), por exemplo, é pró-candidato da extrema-direita (dito por seus funcionários), mas finge que é neutra. Folha de S. Paulo (SP) tende a defender o outro candidato, mas não assume.

Até que ontem a colaboradora e ex editora-executiva Eleonora de Lucena chutou o balde. Ela cobra, nas próprias páginas da Folha, que o jornal assuma a postura de uma opinião que já é disseminada no prédio e nas páginas - mas que os caciques têm medo de assumir.

Tem razão Eleonora.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Humor inteligente


O Palmeiras levou 2 a 0 do Boca Juniors e o leitor do Metro (SP) recebeu a notícia com uma boa dose de humor.

Mas será o Benedetto?

Benedetto é o nome do atacante que marcou os dois gols.

Muito bom.

PS: edições locais do mesmo Metro que preferiram trocar a chamada perderam a piada.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Mau jornalismo acredita em qualquer pesquisa


Exemplo de jornalismo de baixo nível do O Diário do Norte do Paraná (Maringá, PR). Manchete para uma pesquisa sem qualquer credibilidade, oferecida pelo Banco BTG Pactual (o mesmo onde trabalhava o economista Paulo Guedes, guru e eventual ministro da economia de um dos candidatos).

Acreditar em pesquisas sem confiabilidade é um tremendo risco. O próprio Diário já sofreu com o resultado das urnas, que desmentiu uma pesquisa de um instituto picareta, há pouco mais de 10 anos.

Mas o jornal paranaense não aprende com suas lições. Hoje é o único jornal brasileiro que aposta na pesquisa do BTG.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O último suspiro do Estadão


Com mais de 100 anos de vida, O Estado de S. Paulo (SP) demonstra estar dando passos acelerados para o fechamento. Com dívidas crescentes e operação no vermelho, parece que o Estadão descobriu uma fórmula de adiar a morte anunciada: apoiando o candidato que está na frente das pesquisas para presidente.

O editorial publicado hoje, com o singelo título de "Desespero", é o pedido "desesperado" de ser o destino principal das gordas verbas de publicidade do próximo governo, ainda que a história do jornal seja contrária à ideologia do candidato.

O Estadão levou um furaço da Folha de S. Paulo (SP) ontem, quando o líder paulista denunciou o uso de Caixa 2 pelo candidato da extrema-direita. Sem fôlego para retrucar com alguma matéria do mesmo nível, O Estado de S. Paulo baixa o nível jornalístico ao mínimo possível e se utiliza de termos nada elegantes - como a família Mesquita costuma ter - para acusar os apoiadores do candidato da esquerda de "Tigrada".

Confiando na vitória do candidato líder das pesquisas, o Estadão rasga seu código de ética e assume uma postura mais retrógrada do que a que teve em alguns momentos em 1964. É lamentável o que se faz para garantir 4 anos de sobrevida.

Os jornalistas que tanto orgulharam a história do Estadão não mereciam esse triste legado.

PS: não repasso o link do editorial em questão para não incentivar que mais gente leia o absurdo publicado hoje.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Desliguem o piloto-automático

 
O que leva um diretor - em meio a eleições e outros assuntos mais interessantes - a optar pela foto do piloto-automático na capa da edição de hoje?

Medo de mudar. Ou preguiça.

Folha de S. Paulo (SP), Diário Catarinense (Florianópolis, SC) e Metro (Porto Alegre, RS) foram pela manjada imagem do jogo insosso da Seleção Brasileira. 

Não faz nenhum sentido. Os fotógrafos dos três jornais estão de luto.




segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Folha está em 2018, Estadão no século passado


Os dois concorrentes paulistanos - que tantas vezes se copiam - começam a mostrar diferenças substanciais.

A Folha de S. Paulo (SP) foi certeira ao interpretar em uma manchete o recado das urnas.

O Estado de S. Paulo (SP), como se o leitor fosse um bicho alienado, quis "informar" o que houve domingo. Como se estivesse em 1978.

Esse entendimento do papel de um impresso em 2018 é fundamental para determinar quem seguirá no mercado no futuro. E quem acabará por fechar as portas.

Lamentavelmente é cópia


A capa da esquerda foi publicada em outubro de 2010 pelo jornal O Dia (Rio de Janeiro, RJ). Mostra os dois candidatos que chegaram ao segundo turno naquele ano.

A capa da direita é de hoje. O jornal Metro (SP) quis ser original. Só que a copia é descarada.

Basta ter escrito, na legenda, que a ideia original é de O Dia, em 2010. Mas reinou o silêncio.

Ficou feio, muito feio.

Desenho renovado no Ceará


O Diário do Nordeste (Fortaleza, CE) mudou. Desde ontem o formato adotado é o tabloide (metade do antigo standard) e o desenho se modernizou.

As mudanças gráficas são obra do ótimo espanhol Antonio Martín, um gênio de criação. Só que a criatividade necessariamente precisa vir acompanhada de ousadia editorial - o que está em falta pelos lados do Diário.

Um redesenho não nasce sozinho - ou naufraga. É preciso um consistente modelo editorial que seja a base da transformação. O design é apenas a apresentação dessa ideia.

Perspectiva ruim.

sábado, 6 de outubro de 2018

Hora de se posicionar


Os jornais americanos têm o hábito de emitir opinião em eleições. Eles, sem qualquer risco à seriedade da cobertura jornalística, deixam muito claro se preferem um ou outro candidato.

No Brasil não existe esse hábito - salvo raras exceções.

Mas aos poucos os impressos deixam claro para que lado vão. Como o Meia Hora (Rio de Janeiro, RJ).

Muito bom!

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Quem nasce jornalinho nunca será jornalão

O que há de comum entre os três jornalões brasileiros, a dois dias das eleições?

Fora algumas opções editoriais, nenhum deles publica santinhos na capa. Há, sim, um espaço para propaganda, limitando à parte baixa em não mais que 25% da altura da capa, mas nem Folha de S. Paulo (SP), nem O Estado de S. Paulo (SP) ou O Globo (Rio de Janeiro, RJ) vendem propaganda política na capa.

Capa é o cartão de visitas, a principal página do jornal impresso.





No Paraná, Santa Catarina e em Minas Gerais aparecem alguns santinhos, mas há regras. O material não pode, de nenhuma maneira, ofuscar o conteúdo editorial.

Assim fazem O Diário do Norte do Paraná (Maringá, PR), O Tempo (Belo Horizonte, MG), Hoje em Dia (Belo Horizonte, MG) e Diário Catarinense (Florianópolis, SC). Verdade que o jornal paranaense quase confunde o que é editorial e o que é propaganda política.




Agora comparemos com o escândalo que acontece no Rio Grande do Sul.

Os dois maiores jornais da capital, Zero Hora (Porto Alegre, RS) e Correio do Povo (Porto Alegre, RS) esquecem que um impresso é feito para o leitor. E abusam nos santinhos, quase que garantindo a folha de pagamento em dia, ao custo da venda de sua seriedade.

Pior, fazem escola e contaminam com essa política todos os jornais dos gaúchos.

Um horror. Uma tragédia no jornalismo gaúcho.