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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Síndrome de vira-latas começa nas capas

 
As escolhas editoriais representam muito de uma comunidade.

Hoje a foto do atacante inglês Harry Kane está nas capas de O Estado de S. Paulo (SP), Folha de S. Paulo (SP), O Tempo (Belo Horizonte, MG) e Zero Hora (Porto Alegre, RS), entre outros. Ou seja, para esses impressos não nenhum outro assunto que mereça tanto destaque visual como o inglês que fez dois gols ontem na Copa.

Mas é curioso: no Reino Unido, país de Kane, nem todos consideram esse o tema central do dia. O popular Daily Express (Londres, UK) coloca como segunda foto. Nem na Argentina de Messi a "ameaça" Kane ganha capa, como mostra Clarín (Buenos Aires, Argentina).

Pelo jeito, trata-se de mais um sinal da síndrome de vira-latas que assola o Brasil em vários aspectos. Até na imprensa.














terça-feira, 5 de maio de 2026

Impressos desnecessários em BH

O acidente do monomotor em Belo Horizonte era a ocasião ideal para os impressos mineiros justificarem a existência. Só que não.

Ninguém precisa ler as edições de hoje de Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) e O Tempo (Belo Horizonte, MG) para entender o que ocorreu. Não há nenhuma informação ou análise exclusiva, que justifique a leitura do exemplar. Tudo já foi dito nas edições digitais e na TV.

O EM até tentou, teve trabalho, planejamento. O Tempo nem isso.

Quem, por acaso, entrevistou as duas pessoas que desceram do avião na escala em BH? Ninguém.

Ocasião perdida para os impressos mineiros.

Que pena.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Faltam critérios jornalísticos no líder de Minas

 

O impresso O Tempo (Belo Horizonte, MG) é o diário que mais vende exemplares em Minas Gerais. Até aí, méritos seus.

Mas a queda nas vendas, acentuada desde 2015, parece ter uma explicação jornalística, além de econômica: a desconexão com a realidade.

O estado de Minas Gerais passa pela maior tragédia ambiental dos últimos anos. Só em Juiz de Fora foram mais de 60 mortos. E o que aparece na capa do impresso hoje, em ordem de hierarquia?

1. Guerra no Irã

2. Manifestação da extrema-direita em SP (aliás, o governador de MG estava por lá, em vez de se preocupar com a tragédia da Zona da Mata

3. Futebol

Dessa forma vai ser difícil recuperar a circulação.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Duas visões sobre um mesmo calor


Quando o fato do dia grita pelas redações não é hora de inventar moda.

Ontem foi o dia mais quente da história de Belo Horizonte. Ou seja, nunca a cidade havia vivido um dia assim.

Nos impressos de hoje só há duas opções: destacar o fato - como fez o Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) - ou prever se hoje pode ser ainda pior. Qualquer tentativa de poesia soa falsa ou obvia, como a capa de O Tempo (Belo Horizonte, MG).

A lista das maiores temperaturas, no alto da foto do EM, merecia um gráfico, mas agora é tarde.

 

quarta-feira, 10 de maio de 2023

As várias despedidas a Rita

No dia do adeus a uma unanimidade, todas as ideias são válidas. E fica sempre a sensação que daria para fazer algo mais. 

Nas capas de impressos brasileiros (e um português), um desfile de criatividade, trechos de músicas, epitáfio e fotos históricas da musa Rita Lee.

Hoje é um daqueles dias que não se pode brigar com a notícia. Quem não deu à Rainha do Rock o espaço que Santa Rita de Sampa merece, errou feio.


 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

14 visões sobre o Rei

Informar a morte de uma personalidade é sempre um desafio para os impressos. Mais ainda depois da Internet, quando a notícia envelhece rapidamente.

O Adeus ao Rei Pelé ocupou as capas de 9 entre 10 jornais do mundo. hoje. Destacar-se entre tantas obviedades é algo que chama a atenção.

Sem dúvidas a grande capa do dia é do diário esportivo Ás (Madri, Espanha). 

Neste post, 10 destaques do Brasil, outro da Espanha, um da Itália e o último de Portugal.

Viva o Rei!



 

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Um convite a fugir do impresso

O principal motivo para a queda livre dos jornais impressos é a falta de relevância. Os editores acreditam que ainda estão em 1990, quando a notícia da véspera precisava ser destacada. Digital? Não existe. TV? Também não.

E aí entra o talento (ou a falta) de quem escolhe esse destaque.

Pelo menos três impressos brasileiros não olharam a agenda, não sabem em que ano estamos. Diário de Pernambuco (Recife, PE), Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) e O Tempo (Belo Horizonte, MG) apostam manchete e foto principal a um jogo de futebol sem a menor importância, Catar x Equador. Foi a abertura da Copa, verdade, mas semana que vem ninguém lembra.

Erro de principiante. Nada mais piloto-automático do que publicar esse jogo.

Enquanto isso os leitores seguem desaparecendo - agora com mais razão.


 

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Líderes regionais perderam o rumo


Os líderes regionais não estão escutando as mensagens da audiência. Perdem assinantes, perdem relevância e insistem em seguir o clichê.

Ou como explicar foto de um jogo inexpressivo da Seleção Brasileira nas capas de Zero Hora (Porto Alegre, RS), O Tempo (Belo Horizonte, MG) e Correio do Povo (Porto Alegre, RS)?

Além das dramáticas situações causadas pelo Covid-19 - cujos números de contaminação bateram novos recordes - a queda do ministro do Meio Ambiente e o maior escândalo de corrupção dessa gestão no Governo Federal têm muito maior apelo do que Neymar & Cia. E ainda tem a disputa por vacinas, a crise energética, os problemas de cada cidade, cada Estado.

É lamentável assistir essa desconexão do meio com seu público. Um caminho para o abismo.



 

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Desconexão entre impressos regionais e leitores


É muito curioso o comportamento dos impressos nessa segunda-feira, logo depois do país alcançar a nada invejável marca dos 500 mil mortos por Covid-19.

O Globo (Rio de Janeiro, RJ) e O Dia (Rio de Janeiro, RJ) souberam dar a dimensão necessária à barbárie. Ainda que de tão grave, o fato mereceria um editorial na capa. No mínimo.

Mas chama a atenção o desprezo que líderes regionais adotaram com o triste fato. Sem edição aos domingos, eles quase ignoraram os 500 mil nas capas de hoje.

Zero Hora (Porto Alegre, RS) dá manchete de votação na Câmara e foto gigante de um jogo de futebol. O Popular (Goiânia, GO) ignora por completo os 500 mil mortos. E O Tempo (Belo Horizonte, MG) pelo menos publica a foto das 500 mil rosas em Copacabana. 

Os impressos mostram-se completamente fora da realidade de seus leitores.