Imprima essa Página Mídia Mundo: 2021

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

A pasta e a cerveja


Ontem foi o dia do Ministro das Finanças do Reino Unido entregar ao Primeiro-Ministro o orçamento do próximo ano. Trata-se de uma tradição, o Ministro vai ao gabinete do PM com uma mala-pasta, com os detalhes.

A tradição é tanta que a foto da Mala-Pasta está nas capas de Financial Times (Londres, UK), The Times (Londres, UK) e The Independent (Londres, UK).

Mas The Daily Telegraph (Londres, UK) e The Guardian (Londres, UK) preferiram a imagem do momento seguinte: a comemoração pela aprovação do orçamento. Um chope em um pub - até porque o preço do pint será afetado pelo corte de taxas.

Curioso é que o The Guardian retirou o Primeiro-Ministro Boris Johnson da foto. O dia é do Ministro das Finanças Rishi Sunak.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Viva a criatividade do impresso


Já se sabia o teor do relatório final da CPI da Covid. Os parlamentares foram vazando aos poucos, ou seja, não havia grandes surpresas na votação de ontem.

E é aí que a criatividade jornalística precisa ser ainda maior, como fez o Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) no impresso, hoje.

Uma forma nova, diferente, original de mostrar as acusações contra o Presidente da República. Não chega a ser uma obra prima, mas é - de longe - o jornal que melhor trabalha o dia seguinte entre os impressos do Brasil.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Onde foi parar a publicidade dos Impressos?


O CENP (Conselho Executivo das Normas-Padrão), entidade que cuida da ética e boas práticas na publicidade brasileira, revelou alguns números sobre o mercado anunciante no primeiro semestre de 2021.

A boa notícia é que o valor total (R$ 7,366 bilhões) é 28,7% maior do que no mesmo período de 2020. Ou seja, o mercado está em recuperação. A má notícia é que ainda não alcançou o patamar de 2019 (está 11% abaixo), mas já é um bom sinal.

Muito significativa a divisão de verbas, com um crescimento contínuo do Digital (já alcança 28,2% do total) e queda acentuada dos impressos (1,9% para jornais, 0,4% para revistas). Para comparação, no levantamento do primeiro semestre de 2017, por exemplo, jornais abocanhavam 3,5% do mercado, revistas 2% e o Digital tinha 13,4%.

PS: colaboração do atento colega Cláudio Thomas, a partir de dados compartilhados pelo jovem veterano José Maurício Pires Alves

domingo, 17 de outubro de 2021

O Estadão não mudou mudando


E enfim o primeiro jornalão rendeu-se ao formato compacto, preferido por 9 entre 10 leitores remanescentes de impressos. O Estado de S. Paulo (SP) chegou aos assinantes com 13 centímetros a menos de altura e faltando uma coluna na largura. Não chega a ser uma enorme mudança, mas para um diário centenário, conservador, com modelo de negócios ainda muito dependente do papel, já é um avanço.

A redução no tamanho não trouxe um novo modelo gráfico, mas uma adaptação do anterior - o que é um risco. Só que ele está bem concebido. Deve funcionar. O jornal parece mais leve, com mais respiro, e será fundamental resistir à tentação de colocar mais e mais conteúdos nos espaços em branco.

A fórmula Estadão continua intacta: Opinião no início, um grande número de editorias e a opção por 3 cadernos diários (mais dois semanais). Possivelmente essa será a primeira armadilha a ser desfeita, nas futuras revisões: cadernos não combinam com formatos compactos. A ideia de que um mesmo impresso é lido ao mesmo tempo por vários membros de uma mesma família não faz qualquer sentido. E as negociações com anunciantes acabam dinamitando as ideias de cadernos.

O Estadão acerta em adotar uma reportagem "a fundo" todos os dias, bem como faz uma boa aposta com a matéria "fora dos padrões" no fechamento do primeiro caderno. Pode dar certo, depende apenas da capacidade editorial de fazer essa reportagem ser interessante sempre.

A redução do tamanho de O Estado de S. Paulo é uma boa - e inevitável - notícia no mundo dos impressos. O movimento ainda foi tímido, poderia ser bem mais ousado, mas é um primeiro passo para a sobrevivência dos impressos.


sábado, 16 de outubro de 2021

O último Estadão Standard


Os assinantes já receberam, nas bancas de São Paulo ainda se pode encontrar algum exemplar. Trata-se de um documento histórico, o último O Estado de S. Paulo (SP) em formato Standard. Enorme, jornalão, igual a Folha de S. Paulo (SP) e a O Globo (Rio de Janeiro, RJ). 

Há 20 anos os primeiros Standards do mundo começaram a diminuir de tamanho. Os ingleses, por exemplo. Pouco a pouco centenas de marcas pelo mundo adotaram a redução - a grande maioria por economia de papel, alguns poucos por entenderem que o leitor prefere um formato compacto, mais cômodo, que pode ser lido em mesa de bar, no ônibus, onde for.

Mas há riscos na alteração de formato. Se não houver um estudo, uma estratégia que impeça a diminuição de receitas, se os clientes - leitores e anunciantes - não forem escutados antes, nada vai funcionar. Outro erro que costuma sepultar as reduções de formato é a adaptação dos modelos gráfico e editorial ao berliner ou tabloide. Não funciona apenas diminuir tudo como se fosse um "zoom-out". A arquitetura informativa é outra, o impacto visual também. É preciso pensar tudo como sendo um novo produto - sem perder o DNA.

Amanhã o leitor vai conhecer o novo Estadão. Se funcionar, não é difícil prever que Folha e O Globo seguirão o mesmo rumo, possivelmente em 2022.

sábado, 9 de outubro de 2021

A banalização da morte


O Brasil atingiu ontem a nada invejável marca de 600 mil mortos em decorrência da Covid-19. Um número que assusta, escancara a incompetência federal na prevenção da doença.

Mas parece que a grande imprensa acostumou-se com os números absurdos. O Estado de S. Paulo (SP), por exemplo, sequer citou na capa de hoje essa "façanha". Nada. Nem uma linha.

Os demais jornalões publicaram a informação, mesmo não sendo em manchete. Mas o silêncio, nesse caso, é tratar o caso como se fosse algo normal. E não é.

O momento é de revalorização do impresso, com reportagens profundas, opinião, análise, posicionamento. O Estadão parece querer ir para o lado oposto. Aí não há redução de formato que o manterá vivo.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Estadão vai deixar de ser standard


A notícia do colunista Guilherme Amado, no Metrópoles (Brasília, DF), mexeu com os gestores dos grandes meios impressos do Brasil. O Estado de S. Paulo (SP), mais de 100 anos de história, vai adotar o formato berliner a partir de 17 de outubro.

Não chega a ser uma surpresa gigantesca, uma vez que a mudança para o formato compacto pode reduzir os custos industriais em até 30%. Surpresa é o conservador Estadão virar berliner antes dos demais jornalões. Mas deve ter seus motivos.

Agora é preciso esperar os movimentos do jornal dos Mesquita. Sem dúvidas Folha de S. Paulo (SP) e O Globo (Rio de Janeiro, RJ) vão acabar seguindo o mesmo caminho. Como já fizeram O Popular (Goiânia, GO), Correio* (Salvador, BA) e tantos outros, no Brasil e no mundo. 

Só que a redução no formato não é coisa para amadores. Não basta cortar papel. Sem uma estratégia e um desenho adequado, a tentativa fracassa.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Extra faz a capa que o Brasil inteiro esperava, CB a mais descartável do dia


Um impresso, como se sabe, deve agregar valor à informação. Pode ser crítico, desde identificado com a audiência. Pode até ter opinião. Mas não deve ficar sobre o muro - ou torna-se supérfluo.

O discurso do presidente da República na ONU foi uma oportunidade fantástica para os impressos brilharem - até pela facilidade do tempo (o evento foi pela manhã, horário brasileiro). Mas não foi o que se viu, na prática.

Os jornalões foram "mais do mesmo". Difícil entender.

Brilhou o Extra (Rio de Janeiro, RJ), com a capa que escancara as mentiras do presidente. E o destaque negativo foi o outrora crítico Correio Braziliense (Brasília, DF), com a manchete mais chapa-branca do dia.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Capa e conteúdo na medida correta


Capa simples e direta.

Como devem ser as mensagens de grandes revistas, como The Economist (Londres, UK).

Uma análise necessária 20 anos depois.

Para isso servem os meios impressos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Única ilha de criatividade em um oceano descartável


Quem pretende entender como não se faz uma capa de impresso em 2021 pode conferir qualquer jornal que circula hoje. Qualquer um. Todos fazem o jogo do presidente: falam de Bolsonaro em manchete, publicam fotos de multidões vestindo verde-e-amarelo.

Isso é tudo o que o leitor não precisa ver hoje. Onde está a crítica? Onde está a análise nas capas?

A honrosa exceção é o Extra (Rio de Janeiro, RJ), que até faz um desenho - para quem tem dificuldade entender palavras - sobre o jogo democrático. Ou está na constituição ou não deveria existir, é golpe.

Ideia simples, fruto de um planejamento feito por quem está conectado com a audiência.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Folha se posiciona, como os impressos deveriam fazer


Foi-se o tempo em que os jornais se diziam "isentos". Isso nunca existiu, sempre foi cortina de fumaça para esconder as preferências - legítimas - dos acionistas. 

Não mentir é diferente de ser imparcial. A maturidade da imprensa norte-americana ensina que o noticiário não pode, jamais, ser contaminado por inverdades. Mas que a opinião do veículo deve ser clara e posicionada, sem enganar o leitor.

No Brasil ainda vinga a máxima de que "um jornal é para todas as audiências". Tremenda mentira. Um jornal para todos é um jornal para ninguém. 

Por isso a Folha de S. Paulo (SP) acerta mais uma vez ao publicar na capa o editorial "Bolsonaro é o perdedor". Sem firulas, avalia antes das manifestações que o presidente erra ao tentar fazer do ruído das ruas uma nova verdade, ignorando que 75% da população é favorável à Democracia e que 78% dos brasileiros não têm qualquer saudade do regime militar.

Folha faz hoje o que todos os impressos de qualidade deveriam fazer: tomar posição, em um momento tão delicado na política nacional.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Clarín propõe notícia com algo mais, O Globo apenas o fato


Os impressos já entenderam que publicar "notícias" de ontem, sem valor agregado, é jornalismo do século passado. Mas alguns ainda insistem.

O Globo (Rio de Janeiro, RJ) há muito tempo vem praticando um jornalismo moderno, evitando manchetes "que todo o mundo já conhece". Mas hoje errou.

Clarín (Buenos Aires, Argentina) vestiu a camiseta, embora tenha feito uma manchete além do fato: é a interpretação, a consequência da notícia - tudo o que faltou em O Globo.

 

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Esperar fim de jogo inexpressivo é jornalismo de antigamente nos impressos


Os impressos gaúchos estão parados no tempo. Não entendem o que o leitor está procurando - isso talvez explique a queda acentuada de assinantes.

Os três maiores - Correio do Povo (Porto Alegre, RS), Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) e Zero Hora (Porto Alegre, RS) decidiram esperar o final de um jogo da Seleção Brasileira ) que terminou em torno à meia-noite) para rodar suas edições de hoje.

Um jogo que não decidia nada, que tinha dois jogadores de clubes do Sul na reserva (e só um entrou) e que não faz o menor sentido estar nas capas.

Aliás, procura-se algo sobre esse jogo nas capas dos jornalões.


 

domingo, 29 de agosto de 2021

Reportagem de alto nível


El País (Madri, Espanha) publica hoje um relato, em primeira pessoa, de um espanhol fugindo do Afeganistão. Ele passou pela mesma porta do aeroporto que, horas depois, explodiu por um atentado suicida. 

As boas reportagens merecem estar na capa. Em manchete.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Triste momento do jornalismo gaúcho

O Rio Grande do Sul sempre foi um celeiro de excelentes jornalistas. Gaúchos são ainda disputados por veículos de outros estados, pela forma de trabalhar, inteligência e criatividade.

Lamentavelmente, o mesmo não se pode dizer dos meios de comunicação do Sul. Ainda resiste um absurdo vício de sonegar informações à audiência, caso a notícia exclusiva não tenha sido divulgada antes pelo próprio meio. Em outras palavras, se "levar um furo", melhor esquecer. A informação simplesmente não vai existir.

Ontem o site Matinal Jornalismo (Porto Alegre, RS) publicou, pelas 17h, a mais importante denúncia do mês: experimentos não autorizados com doentes de Covid no Hospital da Brigada Militar, utilizando drogas que sequer têm liberação de entrada no País. Um escândalo.

A notícia repercutiu em todo o Brasil - exceto no Rio Grande. Horas depois, O Globo (Rio de Janeiro, RJ) publicou que o Ministério Público está investigando essas experiências proibidas. Ou seja, já há consequências. São, pelo menos, 50 pacientes que receberam a droga proibida. 

Mas Zero Hora (Porto Alegre, RS) e Correio do Povo (Porto Alegre, RS) se calaram. Nem publicaram em seus meios digitais - até agora. Nem uma linha. Nada. Pelo menos dois repórteres de tais veículos divulgaram em suas contas de Twitter a reportagem do Matinal. Só que as marcas históricas, frente a um furaço, preferiram ignorar a informação.

Quem perde é a audiência. Infelizmente.
 

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Bom jornalismo não depende de marca histórica


O "furo" da semana é do Matinal Jornalismo (Porto Alegre, RS), um veículo que nasceu como Newsletter e hoje oferece várias frentes de informação de qualidade na capital gaúcha.

A droga proibida pela Anvisa, mas que ocupa os sonhos do presidente da República, está sendo testada em humanos no Hospital da Brigada Militar. Tudo errado. Não bastasse o perigo, há - é claro - interesses escondidos.

A boa notícia é que uma bela reportagem-denúncia não depende mais de grandes marcas. Bons jornalistas estão por todos os lados. Aqui Pedro Nakamura, bem acompanhado por Marcela Donini, Sílvia Lisboa e Juan Ortiz, soube apurar bem e editar sem deixar qualquer espaço para imprecisões.

O bom jornalismo sempre tem vez.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

A capa que muitos queriam ter feito


O time por trás de A Capa é uma seleção brasileira de capistas, jornalistas que já surpreenderam primeiras páginas dos maiores veículos do Brasil.

Sem compromissos com A ou B - apenas com a Democracia - A Capa lembra hoje que faltam só 500 dias para o mandato de Bolsonaro acabar.

Boa lembrança.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Muito além da bola e do campeonato espanhol

É sempre possível encontrar uma razão para falar das coisas que chocam o mundo - ainda que seja em um diário esportivo.

Marca (Madri, Espanha) esquece o mundo de Real Madrid, Barcelona, Messi e Cristiano Ronaldo para entrar na crise do Afeganistão. Como sutileza. Com inteligência. E isso vale capa e mais duas páginas internas.

Excelente exemplo de como deve ser pensado um produto impresso nos tempos atuais.

PS: colaboração do colega e admirador de boas ideias Cláudio Thomas

 

União por uma causa em comum


Não é muito comum que publishers das maiores marcas jornalísticas de um país se unam, rapidamente, por uma causa em comum.

Ontem os responsáveis por The New York Times (Nova York, NY), The Washington Post (Washington, DC) e The Wall Street Journal (Nova York, NY) enviaram uma carta ao presidente dos EUA Joe Biden pedindo proteção aos correspondentes e colaboradores que estão no Afeganistão, país tomado pelo Talibã. É um apelo de intervenção para que os jornalistas possam sair do país em segurança.

Isso não muda em nada a cobrança que os três jornais fazem do Chefe de Estado. Nem vai gerar em troca alguma exigência para que os veículos sejam mais simpáticos aos presidente.

É uma questão humanitária.

sábado, 14 de agosto de 2021

Liberdade para La Prensa

 

Primeiro foi a Alfândega, que quinta-feira inventou alguns motivos para barrar a entrada de papel importado que seria usado para rodar o diário La Prensa (Manágua, Nicarágua). O jornal, desde então, não está sendo impresso.

Nessa madrugada a polícia prendeu o gerente geral de La Prensa, Juan Lorenzo Holmann, alegando investigação sobre lavagem de dinheiro e fraude aduaneira. Há dois meses colocou em prisão domiciliar a sócia de La Prensa, Cristiana Chamorro, também pré-candidata à presidência.

O nome dessas operações absurdas - e sem nenhuma base de fatos - é ditadura. O presidente Daniel Ortega, que já alterou a constituição para permanecer quantos mandatos quiser no comando do país, entendeu que não teria força política para chegar ao quarto mandato. Decidiu, então, colocar na cadeia quem ousar ser contra o governo. E, na dúvida, preferiu silenciar o mais respeitado veículo de comunicação da Nicarágua.

Não existe democracia sem imprensa livre. 

Tive o prazer de trabalhar com La Prensa há alguns meses, como consultor. Juan Lorenzo e Cristiana foram dois de meus interlocutores. Extremamente profissionais, buscávamos juntos saídas criativas para  recuperar a saúde financeira da empresa, sem perder a ética jornalística e a relevância na sociedade nicaraguense. Conseguimos avançar bastante - antes de Ortega apelar para a força. Criamos laços de amizade. Torço muito por eles.

Ditaduras, de esquerda e de direita, fazem mal ao jornalismo. Se incomodam quando repórteres fazem bem o seu trabalho. Sem conseguir esconder as maracutaias, ditadores apelam para a força para calar meios de comunicação.

Liberdade para La Prensa.

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

A mesma ideia em toda Espanha


Bastou o calor disparar na Espanha para que vários impressos tivessem a mesma ideia: foto na capa de pessoas se refrescando em jatos públicos de água. Virou clichê.

Está em El Mundo (Madri, Espanha), La Vanguardia (Barcelona, Espanha), Heraldo (Aragón, Espanha) e La Razón (Madri, Espanha).

Será que os fotógrafos não conseguem ser um pouco mais criativos?



 

Novo design do site mais visto do Brasil


Globo.com (Rio de Janeiro, RJ) amanheceu com um novo design. Mantém a característica das cores para definir editorias, mas altera a fonte de seus títulos.

Difícil dizer se ficou melhor, embora os veículos precisem sistematicamente arejar desenho e conteúdos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

No tempo dos espiões de fechamento


Beatriz Ferreira e Herbert Conceição não são gaúchos.
O Boxe também não é um esporte popular no Sul.
Então por que as fotos dos atletas que disputam medalhas em Tóquio estão em enorme destaque nas capas de Correio do Povo (Porto Alegre, RS) e de Zero Hora (Porto Alegre, RS)?
Difícil dizer, complicado justificar essa escolha.

Mas difícil ainda é entender como a mesma ideia (rara) foi parar ao mesmo tempo nas duas capas, dos dois concorrentes gaúchos.

Há espiões nas redações?

 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

A coerência faz parte do bom jornalismo

The New York Times (Nova York, NY) não mede palavras para defender o que parece correto para sua linha editorial e o interesse de sua audiência: a demissão do governador Andrew Cuomo.

Não importa o partido (nesse caso, o Democrata). Bom jornalismo é ter coerência. NYTimes defende bandeiras, que foram quebradas por Cuomo.

Não há outro caminho se não a renúncia, diz o jornal em sua matéria de capa e em seu editorial.

 

domingo, 1 de agosto de 2021

Gráfico inovador


The Washington Post (Washington, DC) apresenta hoje um gráfico diferente. Uma espiral que mostra a evolução de um índice (mortes por ações policiais) nos últimos anos.

É muito bom que os impressos busquem novas soluções visuais para conquistar e fidelizar leitores.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Os imprescindíveis e os descartáveis


Há jornais que entendem sua audiência. E não têm medo de dar opinião quando os fatos são tão descarados que é preciso defender o leitor de mentiras. Nesse grupo estão Folha de S. Paulo (SP) e O Estado de S. Paulo (SP), por exemplo.

Há outros, porém, que preferem agradar A ou B, em prejuízo da informação, e ainda fingem praticar um jornalismo isento. Nesse grupo está o Correio do Povo (Porto Alegre, RS), moribundo matutino gaúcho que já teve forças para destituir governadores, mas hoje corre atrás de migalhas de um governante desacreditado.

Basta ler as manchetes de hoje e escolher o lado.

O primeiro grupo resiste bravamente às crises e assume a posição de "imprescindível".

O segundo time é o dos descartáveis, a caminho do penhasco.

Lamentável.


 

quarta-feira, 28 de julho de 2021

A comunicação estatal com uso ideológico


Mídia Mundo não tem o menor interesse em discutir política em seus espaços, mas preza pelo uso correto de canais estatais de comunicação.

Não é o que ocorre com o Twitter da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República).

Para comemorar o Dia do Agricultor, a Secom acaba de postar uma foto de um jagunço, um capanga armado. Não é foto de trabalhadores no campo, de produção ou de grãos. É de um homem armado, que "cuida" do terreno. Um segurança, em outras palavras. Que ameaça bandidos... e o próprio agricultor - no dia do agricultor.

Não, Secom. Não é para isso que serve esse canal.

Erro histórico que deixa escancarado o uso ideológico dos canais de comunicação de governo - que deveriam ser de Estado.

Os agricultores do país estão com vergonha de tamanho mau gosto.


PS: colaboração de meu atento filho Gustavo

terça-feira, 27 de julho de 2021

Jornalismo local que ignora as raízes


Os impressos hoje servem para o "algo a mais", a evolução da notícia, a explicação. Os sentimentos, o orgulho, a análise.

Era isso que os habitantes da cidade gaúcha de Canoas esperavam ver hoje, a consequência e a festa do primeiro nadador da terra a conquistar uma medalha olímpica - Fernando Scheffer, bronze nos 200 livres. Mas não. Na capa do Diário de Canoas (Canoas, RS) há a tristeza de uma praia abandonada e o drama de uma onça. E Scheffer?

Possivelmente o diário não quis esperar a prova, que aconteceu às 22h43, horário brasileiro, e terminou dois minutos depois. Um horário pelo menos 30 minutos mais cedo do que o final das partidas de futebol que começam às 21h30 - e que, de vez em quando, estão no DC.

Bem, mas se o impresso "comeu mosca", o site deve ter seguido o assunto, certo? Errado. A primeira matéria com algo mais do que o resultado entrou apenas às 10h27 de hoje, quase 12 horas depois da façanha. Tremendo desprezo pela audiência.

Quando um canoense poderá ganhar outra medalha em natação? Talvez no próximo século. Com sorte.


Com essa mesma lógica, O Progresso (Imperatriz, MA) também não conseguiu ir além na conquista da skatista Rayssa Leal, a Fadinha. Nada. Nem uma conversa com a família.

Pior: entrou na lógica das quatro chamadas de capa do site, dividindo espaço com um assassinato e com um jogo de futebol que ocorreu domingo. E hoje é terça-feira.

Esse é o tipo de jornalismo que está morto. Aliás, talvez não deva mais se chamar jornalismo.