Imprima essa Página Mídia Mundo: 2021

quarta-feira, 28 de julho de 2021

A comunicação estatal com uso ideológico


Mídia Mundo não tem o menor interesse em discutir política em seus espaços, mas preza pelo uso correto de canais estatais de comunicação.

Não é o que ocorre com o Twitter da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República).

Para comemorar o Dia do Agricultor, a Secom acaba de postar uma foto de um jagunço, um capanga armado. Não é foto de trabalhadores no campo, de produção ou de grãos. É de um homem armado, que "cuida" do terreno. Um segurança, em outras palavras. Que ameaça bandidos... e o próprio agricultor - no dia do agricultor.

Não, Secom. Não é para isso que serve esse canal.

Erro histórico que deixa escancarado o uso ideológico dos canais de comunicação de governo - que deveriam ser de Estado.

Os agricultores do país estão com vergonha de tamanho mau gosto.


PS: colaboração de meu atento filho Gustavo

terça-feira, 27 de julho de 2021

Jornalismo local que ignora as raízes


Os impressos hoje servem para o "algo a mais", a evolução da notícia, a explicação. Os sentimentos, o orgulho, a análise.

Era isso que os habitantes da cidade gaúcha de Canoas esperavam ver hoje, a consequência e a festa do primeiro nadador da terra a conquistar uma medalha olímpica - Fernando Scheffer, bronze nos 200 livres. Mas não. Na capa do Diário de Canoas (Canoas, RS) há a tristeza de uma praia abandonada e o drama de uma onça. E Scheffer?

Possivelmente o diário não quis esperar a prova, que aconteceu às 22h43, horário brasileiro, e terminou dois minutos depois. Um horário pelo menos 30 minutos mais cedo do que o final das partidas de futebol que começam às 21h30 - e que, de vez em quando, estão no DC.

Bem, mas se o impresso "comeu mosca", o site deve ter seguido o assunto, certo? Errado. A primeira matéria com algo mais do que o resultado entrou apenas às 10h27 de hoje, quase 12 horas depois da façanha. Tremendo desprezo pela audiência.

Quando um canoense poderá ganhar outra medalha em natação? Talvez no próximo século. Com sorte.


Com essa mesma lógica, O Progresso (Imperatriz, MA) também não conseguiu ir além na conquista da skatista Rayssa Leal, a Fadinha. Nada. Nem uma conversa com a família.

Pior: entrou na lógica das quatro chamadas de capa do site, dividindo espaço com um assassinato e com um jogo de futebol que ocorreu domingo. E hoje é terça-feira.

Esse é o tipo de jornalismo que está morto. Aliás, talvez não deva mais se chamar jornalismo.










 






sexta-feira, 23 de julho de 2021

Como o Japão vê os Jogos Olímpicos


Os Jogos Olímpicos de Tóquio começaram hoje. Mas parece que a atenção dos japoneses não é tão grande assim - a julgar pelas capas dos jornais.

A notícia aparece nas primeiras páginas de Asahi Shimbum (Tóquio, Japão), Manichi Shimbum (Tóquio, Japão), Okinawa Times (Okinawa, Japão) e The Japan Times (Tóquio, Japão). Mas chamam tão pouco a atenção que um marciano não apostaria no início dos jogos em terras japonesas.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Hermanos ainda não entenderam o tamanho da tragédia


A Argentina chegou a 100 mil mortos pelo Covid-19. E os impressos se comportaram de maneira, no mínimo, curiosa.

Clarín (Buenos Aires, Argentina). La Nación (Buenos Aires, Argentina) e La Voz del Interior (Córdoba, Argentina) se preocuparam em marcar a triste marca.

Mas os regionais El Ancasti (Catamarca, Argentina), El Litoral (Santa Fé, Argentina) e Rio Negro (General Roca, Argentina) trataram as 100 mil vítimas como uma notícia qualquer. Da mesma maneira como se fazia há 50 anos. Uma manchete burocrática, sem emoção, com a mesma lógica de "Presidente promete aumentar o salário mínimo" ou "PIB será 2% maior neste ano". 

Impressionante o descaso com a tragédia.






segunda-feira, 12 de julho de 2021

Gaúchos erram por convicção


Os impressos gaúchos têm certeza que leitor gostam de notícias velhas. É impressionante como semana após semana Zero Hora (Porto Alegre, RS), Correio do Povo (Porto Alegre, RS) e Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) estampam as capas das edições de segunda-feira com assuntos ocorridos 48 horas antes.

Hoje o cúmulo chegou ao ápice: TODAS as fotos das três capas são de sábado. Não há nem algo para disfarçar: é convicção. Os gaúchos acham realmente que os leitores de impresso querem ler na segunda-feira algo que ocorreu sábado, por mais velho e discutido que já esteja.

Essa demonstração de mau jornalismo pode vir de dois lados: de orientação "estratégica" da empresa, o que seria lamentável, já que a queda de assinantes e leitores é dramática. Ou seja, estariam cavando a própria sepultura; ou de convicção editorial, um equívoco jornalístico provocado por líderes que acham que o impresso ainda vive soberano no reino das comunicações. Se isso for verdade, esses profissionais deveriam trocar de área, já que a lógica da informação mudou há, pelo menos, 10 anos.

O fundo do poço está bem próximo.




 

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Só o Correio Braziliense não "cagou" para o que disse Bolsonaro


O Presidente da República, uma vez mais, ultrapassou a fronteira do bom senso em suas falas. Em alto e bom som, quebrando qualquer liturgia do cargo, disse: "Caguei para a CPI".

É um deboche contra o Parlamento e um soco no estômago de quem espera um pouco de cuidado no vocabulário de seu líder de governo.

Só que, curiosamente, os impressos preferiram respeitar as boas maneiras e evitaram repercutir tal impropério do Presidente. Exceto o Correio Braziliense (Brasília, DF).

A decisão editorial é difícil. Foi como quando o Presidente Itamar Franco apareceu em um carnaval do Rio ao lado de uma aspirante a modelo, que não usava calcinha. A foto de Marcelo Carnaval rodou o mundo, foi capa de vários jornais. Só que alguns colocaram uma tarja negra, em nome dos "bons costumes".






segunda-feira, 5 de julho de 2021

O dogma absurdo que está derrubando os impressos gaúchos


O treinador do Grêmio foi demitido ontem à noite, depois das 22h, logo após a equipe perder sua quinta partida em sete disputadas no Brasileirão. O Grêmio, por sinal, é lanterna da competição.
O Internacional, por sua vez, empatou com o Corinthians em São Paulo...no sábado.

Qual o peso de cada um dos fatos?

Para 99% dos jornalistas e 99,9% dos leitores, não há comparação. Só um desses assuntos mereceria espaço na capa da edição de segunda-feira, tamanha a desproporção de importância e tempo de cada uma das informações.

Mas para os editores responsáveis de Zero Hora (Porto Alegre, RS), Correio do Povo (Porto Alegre, RS) e Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) os dois fatos merecem espaços rigorosamente iguais na primeira página. 

Acontece que o leitor não é burro e vem, dia após dia, deixando de comprar as edições irrelevantes desses jornais. Zero Hora já vendeu mais de 200 mil exemplares por dia, hoje não passa de 50 mil. Correio do Povo alcançou 220 mil há 20 anos, atualmente está abaixo dos 40 mil. Diário Gaúcho foi um sucesso com seus brindes de faqueiros e jogos de copos, agora pena para vender nas ruas.

Os motivos para essa queda de circulação são inúmeros. Mas as redações não precisam colaborar para que essa crise se acentue. E não vale a desculpa de que "o leitor quer assim". Isso não faz o menor sentido. A insistência nesse dogma derruba ainda mais a saúde dos impressos gaúchos.

PS: Sábado milhares foram às ruas em Porto Alegre, protestar pelo fim do atual governo federal. Só o CP deu uma "pequena" chamada. Nos outros, nada.

 

domingo, 4 de julho de 2021

Os impressos começam as escutar as ruas


Em cinco semanas, tudo mudou.

No domingo 30 de Maio, um dia após as primeiras manifestações pelo #forabolsonaro, a imprensa desdenhou. Preferiu esconder a informação, mesmo com as multidões nas ruas.

Hoje Folha de S. Paulo (SP), O Globo (Rio de Janeiro, RJ) e O Estado de S. Paulo (SP) não puderam mais fingir que nada aconteceu. Na vez passada, só a Folha deu alguma importância.

Mais: agora a Folha chega a pedir que o presidente da Câmara delibere o pedido de impeachment, já protocolado.

Uma tremenda mudança de atitude. Um espaço que ainda vai crescer nos impressos. Assim como vai crescendo na sociedade.



 

sexta-feira, 2 de julho de 2021

A fotografia com algo mais


O fato é absolutamente o mesmo: a inauguração da estátua de Lady Di.

Os personagens, também os mesmos: os filhos de Diana Spencer, William e Harry.

Só que os dois andavam às turras. Pior, Harry - sempre brincalhão - até abdicou da realeza para ir viver nos Estados Unidos com sua mulher, Meghan Markle.

Mas a fotografia revela sutilezas. The Daily Telegraph (Londres, UK) publica a foto do momento em que o pano revelava a obra. The Independent (Londres, UK) de segundos mais tarde, com toda estátua à vista.

E aí aparece a criatividade do The Times (Londres, UK), que foi mais longe, alguns segundos depois. E mostrou a cara de moleque de Harry - sob o olhar de Diana. Detalhes que só a fotografia consegue oferecer.


 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Por que caiu?


O bom jornalismo não descansa antes de mostrar o que ninguém sabe.

A edição de hoje do USA Today (McLean, VA) traz o que nenhum outro meio de comunicação mostra: as razões da queda do edifício Chaplain Towers, em Miami.

A investigação mostra ainda que houve vários avisos, desde 2019, de que algo não estava bem.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Circulação de impressos em queda livre no Brasil


Não chega a ser novidade, mas os números mostram que a crise dos impressos no Brasil parece não ter fim.

Levantamento do Poder360 (Brasília, DF), com dados do IVC, revela que só nos primeiros cinco meses do ano a queda foi de 12,21% - considerando apenas 10 jornais - líderes - de SP, RJ, MG, RS, BA e CE.

O crescimento de assinaturas digitais, no mesmo período, foi de apenas 3,3% considerando as mesmas 10 marcas - e por um valor sensivelmente menor do que uma assinatura de impresso.

Quando a leitura se dá pela soma impresso+digital, nota-se uma queda total de 1,46% no mesmo grupo de veículos.

Chama a atenção que o impresso mais vendido do Brasil é O Estado de S. Paulo (SP), com apenas 76.416 exemplares por dia (metade do que tinha em 2015). O popular Super Notícia (Belo Horizonte, MG) despenca a 70.752 exemplares/dia (um terço do que aparecia há cinco anos), mesma performance de Zero Hora (Porto Alegre, RS) e de A Tarde (Salvador, BA).    

Muito consistente, no entanto, o crescimento digital de O Globo (Rio de Janeiro, RJ), Folha de S. Paulo (SP) e Valor Econômico (SP) - veículos que investem na estratégia digital.

Mas o quadro geral é preocupante.

PS: os gráficos são do Poder360


 

A foto que conta a história


Não é preciso grandes textos, gigantescas legendas. A foto de capa do Miami Herald (Miami, FL) não deixa qualquer dúvida sobre o que foi o desabamento do prédio na cidade, ontem - notícia que todos, obviamente, já sabiam antes da chegada do impresso hoje.

O segredo é que junto com a caliça, o concreto pendurado, estão objetos do dia a dia de qualquer pessoa: cadeira, cama, armário. Aí o impacto é impressionante.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Líderes regionais perderam o rumo


Os líderes regionais não estão escutando as mensagens da audiência. Perdem assinantes, perdem relevância e insistem em seguir o clichê.

Ou como explicar foto de um jogo inexpressivo da Seleção Brasileira nas capas de Zero Hora (Porto Alegre, RS), O Tempo (Belo Horizonte, MG) e Correio do Povo (Porto Alegre, RS)?

Além das dramáticas situações causadas pelo Covid-19 - cujos números de contaminação bateram novos recordes - a queda do ministro do Meio Ambiente e o maior escândalo de corrupção dessa gestão no Governo Federal têm muito maior apelo do que Neymar & Cia. E ainda tem a disputa por vacinas, a crise energética, os problemas de cada cidade, cada Estado.

É lamentável assistir essa desconexão do meio com seu público. Um caminho para o abismo.



 

O valor do impresso


O impresso precisa trazer valor agregado à informação. Ou será totalmente descartável.

Hoje O Estado de S. Paulo (SP) e O Globo (Rio de Janeiro, RJ) conseguem avançar - e não se limitam à notícia.

A troca de mensagens que aparece na capa do Estadão é a prova de que os avisos sobre o escândalo Covaxin foram dados. E a foto de O Globo, do servidor com o presidente, indica alguma proximidade.

Esse é o jornalismo que os impressos precisam perseguir.

 

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Desconexão entre impressos regionais e leitores


É muito curioso o comportamento dos impressos nessa segunda-feira, logo depois do país alcançar a nada invejável marca dos 500 mil mortos por Covid-19.

O Globo (Rio de Janeiro, RJ) e O Dia (Rio de Janeiro, RJ) souberam dar a dimensão necessária à barbárie. Ainda que de tão grave, o fato mereceria um editorial na capa. No mínimo.

Mas chama a atenção o desprezo que líderes regionais adotaram com o triste fato. Sem edição aos domingos, eles quase ignoraram os 500 mil nas capas de hoje.

Zero Hora (Porto Alegre, RS) dá manchete de votação na Câmara e foto gigante de um jogo de futebol. O Popular (Goiânia, GO) ignora por completo os 500 mil mortos. E O Tempo (Belo Horizonte, MG) pelo menos publica a foto das 500 mil rosas em Copacabana. 

Os impressos mostram-se completamente fora da realidade de seus leitores.




Capas pouco surpreendentes no domingo


Nenhum impresso brasileiro conseguiu pensar em uma capa de domingo que transmitisse ao leitor o impacto das 500 mil mortes por Covid. A Folha de S. Paulo (SP) chegou perto, O Estado de S. Paulo (SP) utilizou-se de gráficos, O Globo (Rio de Janeiro, RJ) trabalhou frases irresponsáveis do maior responsável pela matança.

Mas faltou o grande exemplo, a capa para o futuro.

Pena, já que houve tempo de sobra para o planejamento.