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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

El Nacional consegue furar o embargo informativo na Venezuela

A Venezuela até hoje ganhou um Prêmio Nobel (Medicina, em 1980). Só que nesta manhã o mais cobiçado dos prêmios (da Paz) chegou para Maria Corina Machado, líder da oposição ao Chavismo e a Nicolás Maduro.

Isso seria motivo de festa e orgulho em qualquer país do mundo, exceto em ditaduras que pretendem esconder alguns fatos de sua bolha. Dos três meios de comunicação que até a posse de Maduro eram referência na Venezuela, apenas El Nacional (Caracas, Venezuela) comemora. Os outros, El Universal (Caracas, Venezuela) e Últimas Notícias (Caracas, Venezuela) simplesmente ignoram.

Explica-se: o governo Maduro comprou El Universal e Últimas Notícias. Não conseguiu comprar também El Nacional, que hoje é feito a partir do exílio, depois de muita perseguição e pressão econômica.

Viva a coragem de El Nacional!

 







sexta-feira, 23 de agosto de 2024

A falta que faz a imprensa livre na Venezuela

 

O Supremo da Venezuela anunciou ontem que as eleições realizadas no final de Julho - e que ainda não foram reconhecidas por nenhum país sério - foram válidas. E que o atual presidente Nicolás Maduro foi reeleito.

Maduro colocou no Supremo todos os atuais juízes que, coincidentemente, sempre dão razão a ele. Mesmo sem que apareçam as atas das mesas eleitorais, como pede a oposição.

Mais: o Supremo avisou que a decisão é irrevogável e até ameaçou o candidato opositor.

Em um país de imprensa livre, isso seria tema único nas capas dos jornais. Mas na Venezuela a imprensa não é livre. Há pouco mais de 10 anos havia três jornais muito importantes: El Universal (Caracas, Venezuela), para elite, de oposição moderada a Hugo Chávez. El Nacional (Caracas, Venezuela) de oposição acentuada ao governo. E Últimas Notícias (Caracas, Venezuela), popular, mas com opinião e editoriais de apoio a Chávez.

Só que com Maduro isso mudou. Primeiro proibiu a chegada de papel nos dois primeiros jornais. Depois impôs multa atrás de multa para criar problemas. E ainda proibiu publicidade de grandes empresas. El Universal quebrou e foi quase dado de presente a um amigo de Maduro. El Nacional deixou de circular no impresso e o proprietário Miguel Henrique Otero fugiu para o exílio. 

Um empresário aliado do governo, favorecido por negociatas pouco transparentes, comprou Últimas Notícias. Pagou um preço acima do mercado e ameaçou o então proprietário: venda ou prepare-se. Ele vendeu e fugiu para a Espanha, onde mora até hoje.

Em um dia como hoje, ÚN e EU apenas servem de eco para a proclamação absurda do Supremo. El nacional, com a versão em PDF (única possível), discute o jogo trucado de Maduro. Só que o acesso a EN está bloqueado no território venezuelano. Ou seja, só poucos conseguem ver.

Muito triste um país sem liberdade de imprensa.




segunda-feira, 15 de julho de 2024

Gracias, Muchachos!


Os colombianos perderam a final da Copa América, mas encontraram motivos para comemorar: a esperança voltou à Seleção.

Em vez de chorar a derrota, El Universal (Cartagena, Colômbia), El Espectador (Bogotá, Colômbia) e La Patria (Manizales, Colômbia) agradecem aos jogadores da equipe.

Gracias!, dizem todos.

Bonito reconhecimento pelo esforço de quem enfrentou a equipe de Messi na final.



sábado, 3 de fevereiro de 2024

Esse jornal já foi muito bom


El Universal (Caracas, Venezuela) já ditou a agenda informativa venezuelana. Era firme no combate a governos corruptos (e na Venezuela foram muitos) e buscava a democracia. Sempre.

Até que em 2014, quando já contava 105 anos de existência, EU foi vendido para um misterioso grupo de investimento espanhol. A família Mata Osorio, na verdade, foi forçada a vender.

Hoje El Universal é um jornal chapa-branca no sentido mais anti-jornalismo que a Venezuela já viu. Capas que parecem vir de outro planeta ilustram o outrora grande jornal.

Uma pena. A democracia precisa de meios livres para sobreviver. O controle da informação em tempos digitais é só mais um exercício de passar recibo para o mundo ver.

sábado, 10 de junho de 2023

Quando a notícia grita não se pode fingir surdez


Quando a notícia grita, a Redação precisa escutar.

O resgate das quatro crianças perdidas na selva colombiana durante 40 dias vai ser lembrado daqui a 10, 20 ou 50 anos. É um momento de comemoração, de alegria coletiva. E, por isso, deve estar nas capas dos impressos, sim ou sim. Sem concorrer com qualquer outro assunto na Colômbia.

El Universal (Cartagena, Colômbia), El País (Cali, Colômbia), La Patria (Manizales, Colômbia) e El Heraldo (Barranquilla, Colômbia) entenderam o fato que tinham em mãos. 

El Espectador (Bogotá, Colômbia) preferiu ser mais realista que o rei. Política, presidente, acordos. Errou feio. E vai pagar por isso.



quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Enquanto isso na Venezuela...


Os sites das três principais marcas jornalísticas da Venezuela parecem estar em três países diferentes.

Últimas Notícias (Caracas, Venezuela), que foi um ótimo jornal, crítico, popular, mas que há poucos anos foi comprado por um investidor "secreto" (possivelmente o banqueiro Vargas, aliado de Nicolás Maduro), ignora as ruas e os 13 mortos. Prefere dar protagonismo ao presidente. E diz que ele rompeu relações com os EUA.

El Universal (Caracas, Venezuela) era conhecido por ser o jornal preferido pela aristocracia. Conservador, nunca simpatizou com o Chavismo. E bastou que as dificuldades financeiras aparecessem para os donos venderem a outro empresário misterioso. Hoje o site ignora absolutamente tudo e fala do valor do bônus da dívida venezuelana. Das ruas, nada.

El Nacional (Caracas, Venezuela) sempre foi alinhado com o liberalismo. E acabou sendo a última resistência dos opositores a Chavez e Maduro. Até que há poucos meses precisou abandonar a edição de papel (não recebia matéria-prima, pressionado pelo governo). Hoje mantém uma operação apenas digital. E, claro, fala do povo nas ruas pedindo a saída de Maduro. Conta a história de um dos mortos de ontem, de apenas 18 anos.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A última edição


O governo Nicolás Maduro ganhou mais uma batalha, o povo venezuelano perdeu.

O jornal El Nacional (Caracas, Venezuela), conhecido meio de comunicação de oposição desde Hugo Chávez, anunciou que a edição de hoje é a última de seus 75 anos de história. Falta papel, falta autonomia para distribuição, sobram pressões e ameaças aos jornalistas.

Curioso é que Chávez sabia que era fundamental ter meios de oposição, para passar um ar de liberdade no país. Até sua morte circulavam El Universal (Caracas, Venezuela) e El Nacional, além da TV Globovisión. Todos identificados com a oposição.

Quando Maduro assumiu imediatamente tratou de comprar El Universal e a TV. Só ficou El Nacional tentando sobreviver. Até que as dificuldades superaram o esforço.

El Nacional segue na versão digital. E promete voltar quando o país retornar à normalidade democrática.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A foto que sumiu dos jornais


Só podia ser na Venezuela.

O presidente Nicolás Maduro viaja até a Turquia e se esbalda em um jantar de US$ 250. Até aí tudo bem, se em seu país fosse fácil encontrar comida nos restaurantes - mas não é.

A foto, portanto, é um tapa de luva de pelica em todos os venezuelanos. Maduro pode exagerar, o povo não pode sequer comer. Está nos principais jornais do planeta.

E os jornais venezuelanos, o que fizeram? Nada.

El Nacional (Caracas, VE), único diário que não caiu nas mãos de parceiros do presidente, esconde a imagem. El Universal (Caracas, Venezuela) e Últimas Notícias (Caracas, Venezuela), ambos de apoio a Maduro, claro que não publicam.

Lamentável.



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Samba do venezuelano louco


Que fim levou o jornalismo venezuelano?

O ex-piloto Oscar Perez, que comandou uma revolta popular contra o governo Maduro e contra a oposição - que seria vendida ao sistema - foi assassinado ontem pela polícia. Uma história mal contada e sem o corpo por enquanto.

El Nacional (Caracas, VE) fala, mas não diz. Diario 2001 (Caracas, VE), popular ao extremo, foca na "caçada de filme". Últimas Noticias (Caracas, VE) publica uma foto, mais para constar. E El Universal (Caracas, VE) esconde tanto que é difícil achar na capa.

Sim, os dois últimos jornais foram comprados por empresários ligados ao governo. E os primeiros vivem sob ameaças.


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Jornalismo chapa-branca na Venezuela


O presidente Maduro abriu os cofres do país para que seus amigos comprassem os meios de comunicação. Assim a TV Globovisión e os jornais El Universal (Caracas, Venezuela) e Últimas Notícias (Caracas, Venezuela) viraram oficialistas.

A resistência, a duros golpes, é El Nacional (Caracas, Venezuela), mas isolado do mundo de anunciantes, que temem a presidências.

Pois é fácil ver nas capas como os meios impressos reagem à eleição de ontem, para governadores - em meio a todo tipo de fraude. Para entender o que ocorreu, é preciso ler El Nacional.


quinta-feira, 29 de junho de 2017

A falta que o jornalismo sério faz


Sem imprensa livre, um país desconhece a realidade.

Para entender o que houve na Venezuela ontem não adianta procurar em El Universal (Caracas, Venezuela), El Nacional (Caracas, Venezuela), Diario 2001 (Caracas, Venezuela) ou Últimas Noticias (Caracas, Venezuela).

Será preciso consultar The Wall Street Journal (Nova York, NY) ou Corriere della Sera (Milão, Itália).







domingo, 27 de novembro de 2016

Adeus, Fidel - América Latina

Na América Latina Fidel Castro é um personagem de presença garantida nas capas.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A censura explícita da Venezuela

Os três principais jornais da Venezuela adotam linhas editoriais tão diferentes que parecem publicações de países distantes.

Últimas Notícias (Caracas, Venezuela), líder de vendas, comprado há quase dois anos por um grupo ligado ao banqueiro que financia o governo Nicolas Maduro, traz uma informação a respeito do presidente da capa: um posicionamento de Maduro para que o preço do petróleo dispare.

El Universal (Caracas, Venezuela) já foi o jornal de oposição. Pressionado pela dificuldade em importar papel, acabou vendido a outro grupo - ligado a investidores espanhois desconhecidos, segundo versão oficial - no ano passado. Hoje é um festival de releases em assuntos que interessam a presidência.

El Nacional (Caracas, Venezuela), que até já sofreu atentados para deixar de "perseguir" o presidente e outros chavistas, pelo menos fala dos assuntos que interessam aos venezuelanos: três processos contra Nicolas Maduro na Corte Internacional de Haia e prisão do afilhado de Maduro por tráfico de cocaína. Efrain Campos Flores tentava levar aos EUA quase uma tonelada da droga. Quando recebeu ordem de prisão apresentou passaporte diplomático venezuelano.

Se isso não é notícia...