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terça-feira, 3 de novembro de 2020

As capas em dia de eleições



A melhor capa do dia das eleições nos EUA é do latino La Opinión (Los Angeles, CA). Nada de subir no muro, nada de esperar algo do atual presidente. É uma capa-pôster para ajudar a comunidade de fala hispânica a tomar opinião.

Um grito alto para ninguém fingir que não ouviu.


No exterior o Morgenavisen Jyllans-Posten (Viby, Dinamarca) trabalha muito bem o grafismo, como se fosse a bandeira estilizada. E a mensagem: o mundo está esperando pelas vozes americanas.


Ainda na Europa, o Ara (Barcelona, Espanha), defensor da independência catalã, publica a bandeira americana rasgada, como dividido está o país.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Uma matéria que só funciona no Digital


Um excelente exemplo de como utilizar ferramentas digitais de um modo simples, para melhorar uma história, está em El País (Madri, Espanha).

A matéria Un salón, un bar y una clase: así contagia el coronavirus en el aire mostra com detalhes os perigos da contaminação na vida cotidiana.

Imperdível.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Tomar posição é qualidade, não defeito


Há um mito no jornalismo de que a "imparcialidade" precisa guiar as decisões editoriais. Esse critério é tão antigo que até mesmo as tradicionais publicações do planeta já não o seguem - embora muitos brasileiros que não querem tomar posição aproveitam essa "desculpa" para não descer do muro.

É muito diferente tomar uma posição de mentir. Assumir um lado significa que editorialmente a marca considera isto melhor do que aquilo, este mais indicado do que aquele outro. Mesmo em eleições. Mas é inaceitável mentir ou esconder informações em benefício de A ou B.

The Economist (Londres, UK), a mais respeitada revista de economia e política do mundo, foi às bancas hoje com uma imagem de uma surrada bandeira americana sobre a Casa Branca e a manchete que não deixa dúvidas: Por que tem que ser Joe Biden.

Lamentavelmente no Brasil os meios de comunicação têm medo de assumir tão abertamente um lado, como The Economist fez. Isso é sinal de grandeza, de transparência para com sua numerosa audiência.



 

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Mais neutralidade burra no Sul

Outra segunda-feira, outra vez a neutralidade burra nos impressos gaúchos.

O Internacional disputou uma "final antecipada" contra o Flamengo. Os dois líderes em um jogo eletrizante, decidido aos 50 minutos do segundo tempo.

Grêmio - apenas no meio da tabela - foi com os reservas enfrentar o Athlético do Paraná, equipe da zona de rebaixamento.

O que fazem os impressos gaúchos? Espaços iguais. Ou seja, não conseguem admitir que as partidas não têm o o mesmo peso, a mesma importância. Mesmo que ambas valham os mesmos 3 pontos, uma define a liderança do Brasileirão. A outra absolutamente nada - com uma equipe descaracterizada.

Zero Hora (Porto Alegre, RS), Correio do Povo (Porto Alegre, RS), Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) e até o Jornal NH (Novo Hamburgo, RS) oferecerem os famigerados "espaços iguais" às duas equipes. Negam-se a pensar como um jornalista deve pensar: priorizações, escolhas, hieraquias.

PS: no post Neutralidade Burra, da semana passada, que mostrava exatamente a mesma coisa 7 dias atrás, recebi um comentário alegando que isso ocorre para agradar o assinante, que do contrário cancelaria sua assinatura. Pois devo dizer que esse tipo de justificativa não faz o menor sentido. Os assinantes estão fugindo pela baixa qualidade dos impressos, que insistem em praticar erros como essa pseudo-neutralidade. É preciso ter coragem para decidir, enfim, o que é mais importante. E descer do muro.



 


domingo, 25 de outubro de 2020

Um caderno para crianças que vale a pena ler


O The New York Times for Kids é um suplemento que o The New York Times (Nova York, NY) publica especialmente para crianças. Mas diferentemente da grande maioria dos produtos para jovens, o NYT for Kids é sensacional. Bem feito, original, bem desenhado, bem pensado.

A edição da semana é sobre como alguém se transforma em presidente. Dá vontade de ler. Tem passatempos, tem desenhos super bem acabados, jogos, gráficos.

Enfim, quando se faz algo com talento e imaginação - e não de qualquer jeito - um produto pode dar certo.




 

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Mudança de logo por uma causa


A revista Time (Nova York, NY) foi às bancas pela primeira vez na história com um logo em que não aparece o nome da publicação, mas uma mensagem. Na mesma fonte, mesmo corpo, mesmo número de letras: VOTE.

Os americanos estão em clima eleitoral e um dos grandes medos de quem pretende mudar a presidência é a alta abstenção (o voto por lá não é obrigatório).

Por uma campanha institucional tão importante, vale tudo. Até mudar o logo. E mesmo mudar o nome da revista por uma edição.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

A neutralidade burra

 



Os jornais impressos gaúchos estão se esforçando para espantar os poucos leitores que ainda restam.

A edição por piloto-automático vai acabar por encerrar as edições - ou, pelo menos, tirar completamente a importância da primeira página.

Sempre que há campeonato de futebol, diz uma regra arcaica do Sul, é preciso dar o mesmo peso a Grêmio e a Internacional na capa. Quem foi o "gênio" que implementou tal lei é uma incógnita - possivelmente não trabalha mais em jornalismo, foi vencido pelo tempo.

Acontece que cada equipe é uma equipe. Que a importância de cada partida é diferente. Que a posição no campeonato é outra. E, mais ainda, que o dia de realização de cada jogo é também algo que deveria dar dois pesos diferentes às equipes.

O Grêmio jogou sábado. Empatou com o São Paulo na capital paulista. E está no meio da tabela. Assunto velho, que se esgotou na noite de sábado ou no início da manhã de domingo.

O Internacional jogou ontem, no fim da tarde. Venceu o Vasco da Gama e assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro.

Ou seja, a grandeza dos jogos, o momento de realização e as consequências não são comparáveis. Jornalisticamente o Internacional é sensação, é notícia da segunda-feira. O Grêmio, uma breve.

Mas hoje três jornais gaúchos trazem rigorosamente a mesma estratégia editorial no que se refere ao futebol. E erram juntos.

Zero Hora (Porto Alegre, RS) divide a capa em espaços iguais para as partidas de Grêmio e de Internacional. Correio do Povo (Porto Alegre, RS) copia a ideia infeliz e faz o mesmo. Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) é outro que erra também pelo mesmo motivo.

É lamentável. Uma prova de que falta inteligência criativa por trás dos impressos gaúchos. E, dessa forma, o futuro não é nada promissor.