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segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Sinais de crise no Planeta Folha

 

Meio de comunicação que não enfrenta altos e baixos do mercado ainda está por ser criado. Mais ainda no Brasil. Com custos fixos e receita variável, o negócio do jornalismo é uma aventura diária. Até aí nada novo.

Só que a Folha de S. Paulo (SP), que já foi líder em circulação impressa no Brasil (mais de 1,5 milhão de exemplares em um único domingo nos anos 90) está dando sinais de que algo não anda bem na Barão de Limeira.

No primeiro semestre, a Folha desfiliou-se do IVC (Instituto Verificador de Circulação), o controle independente dos impressos do Brasil, aceito por agências de publicidade e respeitado pelos demais jornais. A explicação não convenceu o mercado, mas pesou o fato de o novo auditor (PwC) ter regras mais "camaradas" e também o concorrente O Estado de S. Paulo (SP) já ter feito o mesmo.

Agora a Folha anunciou que vai reduzir o histórico formato de suas páginas, de standard (55cm) para berliner (44cm), a partir de 01 de Setembro. Se for respeitado esse padrão, a Folha será um pouco maior que o Estadão, que reduziu há três anos. Entre os "jornalões" só O Globo (Rio de Janeiro, RJ) manterá o formato.

No meio jornalístico sabe-se que mudança de formato só ocorre em duas ocasiões: quando a empresa realmente acredita que formatos compactos têm a preferência dos leitores (o que não é o caso da Folha) ou quando o financeiro aperta e é necessário se obter resultados a curto prazo, economizando papel e tinta.

A Folha vem obtendo algumas vantagens com estratégias que não significam aumento de audiência, como contar 5 assinaturas em uma só (um assinante digital pode indicar 5 familiares para navegar pelo site). Mas o sinal amarelo está aceso na sede da Folha.

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

A pegadinha da publicidade programática


A programática, publicidade que ganhou o mercado digital - apesar de pagar pouco e estar nas mãos de intermediários que dão as regras - de vez em quando apresenta problemas sérios. O algoritmo está programado para escolher propaganda de clientes que tenham alguma relação com a notícia. Mas robôs não são humanos.

Quando o UOL (SP) publicou a notícia da queda do avião em Vinhedo, o robô deve ter identificado "aviação". E tome propaganda da Latam, logo no pior momento.

São as trapaças da programática. Quem se sujeita a esse tipo de publicidade, acaba por assumir o risco.


PS: do LinkedIn de Pacete

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

O triste fechamento de um projeto inovador

 

Red/Acción (Buenos Aires, Argentina) fechou. 

Foi o mais inovador projeto jornalístico da América Latina, liderado pelo ex-La Nación Chani Guyot. Pouco importavam os breaking news, mas o que estava por trás deles. Foco no jornalismo de soluções.

Mas não é fácil fazer bom jornalismo. Red/Acción sobreviveu por seis anos, agora a inflação de quase 5.000% quebrou a empresa. Se o desafio de viver de publicidade - e de leitores - é enorme para grandes meios, para os pequenos é ainda mais difícil. Em um ambiente de catástrofe econômico, ainda pior.

Red/Acción ganhou 35 prêmio de jornalismo e encantou a América Latina com suas novas lógicas de produção. Era o modelo a ser seguido. Só que fechou, anunciado na carta de despedida de Guyot.

"O jornalismo não serve apenas para contar o mundo, mas também para mudá-lo"

Vai deixar saudades.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

O Valor da Palavra, a mensagem fundamental de um diário argentino

 

O diário El Eco de Tandil (Tandil, Argentina) comemorou 142 ontem.

Um marco na história de um pequeno meio de comunicação de uma também pequena cidade, extremamente integrado com os hábitos dos cidadãos.

Para festejar, um lindo vídeo em que reafirma um de seus lemas: o valor da palavra.

Parabéns El Eco, muitos anos de vida em todas as plataformas!


segunda-feira, 22 de julho de 2024

A genial capa em sequência da Time

 



Revista impressa é um artigo que não basta apenas ter informações: é preciso inteligência, ousadia, perspicácia.

Foi o que fez a Time (Nova York, NY) logo depois do anúncio da desistência de Joe Biden em concorrer a um segundo mandato. 

A imagem da esquerda é a capa da Time de quando Biden fraquejou no debate contra Donald Trump. A capa da direita é a nova, com a entrada de Kamala Harris.

Absolutamente genial!

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Gracias, Muchachos!


Os colombianos perderam a final da Copa América, mas encontraram motivos para comemorar: a esperança voltou à Seleção.

Em vez de chorar a derrota, El Universal (Cartagena, Colômbia), El Espectador (Bogotá, Colômbia) e La Patria (Manizales, Colômbia) agradecem aos jogadores da equipe.

Gracias!, dizem todos.

Bonito reconhecimento pelo esforço de quem enfrentou a equipe de Messi na final.



quinta-feira, 11 de julho de 2024

A armadilha do fechamento do impresso



 

O impresso costuma ter um ciclo de 24 horas. Isso significa que a cada dia todos os processos são feitos e refeitos, respeitando horários estabelecidos. Ou o exemplar não estará pronto, entregue no início da manhã na casa do assinante.

Um dos deadlines mais importantes desse processo é o fechamento. Ele não pode atrasar. A rotativa está esperando o OK definitivo da redação para começar a rodar.

Ontem o Correio do Povo (Porto Alegre, RS), histórico impresso dos gaúchos, fechou antes que a principal notícia esportiva ocorresse: a demissão do treinador do Inter, Eduardo Coudet, logo após a derrota no campo. O CP fechou com o resultado, mas sem aguardar as consequências.

Correu contra o tempo, para respeitar os processos, e caiu na armadilha da notícia. A demissão de Coudet ficou de fora. Por sorte existem outras mídias que são atualizadas em tempo real. O próprio site do CP acompanhou a demissão.