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quinta-feira, 24 de junho de 2021

Líderes regionais perderam o rumo


Os líderes regionais não estão escutando as mensagens da audiência. Perdem assinantes, perdem relevância e insistem em seguir o clichê.

Ou como explicar foto de um jogo inexpressivo da Seleção Brasileira nas capas de Zero Hora (Porto Alegre, RS), O Tempo (Belo Horizonte, MG) e Correio do Povo (Porto Alegre, RS)?

Além das dramáticas situações causadas pelo Covid-19 - cujos números de contaminação bateram novos recordes - a queda do ministro do Meio Ambiente e o maior escândalo de corrupção dessa gestão no Governo Federal têm muito maior apelo do que Neymar & Cia. E ainda tem a disputa por vacinas, a crise energética, os problemas de cada cidade, cada Estado.

É lamentável assistir essa desconexão do meio com seu público. Um caminho para o abismo.



 

O valor do impresso


O impresso precisa trazer valor agregado à informação. Ou será totalmente descartável.

Hoje O Estado de S. Paulo (SP) e O Globo (Rio de Janeiro, RJ) conseguem avançar - e não se limitam à notícia.

A troca de mensagens que aparece na capa do Estadão é a prova de que os avisos sobre o escândalo Covaxin foram dados. E a foto de O Globo, do servidor com o presidente, indica alguma proximidade.

Esse é o jornalismo que os impressos precisam perseguir.

 

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Desconexão entre impressos regionais e leitores


É muito curioso o comportamento dos impressos nessa segunda-feira, logo depois do país alcançar a nada invejável marca dos 500 mil mortos por Covid-19.

O Globo (Rio de Janeiro, RJ) e O Dia (Rio de Janeiro, RJ) souberam dar a dimensão necessária à barbárie. Ainda que de tão grave, o fato mereceria um editorial na capa. No mínimo.

Mas chama a atenção o desprezo que líderes regionais adotaram com o triste fato. Sem edição aos domingos, eles quase ignoraram os 500 mil nas capas de hoje.

Zero Hora (Porto Alegre, RS) dá manchete de votação na Câmara e foto gigante de um jogo de futebol. O Popular (Goiânia, GO) ignora por completo os 500 mil mortos. E O Tempo (Belo Horizonte, MG) pelo menos publica a foto das 500 mil rosas em Copacabana. 

Os impressos mostram-se completamente fora da realidade de seus leitores.




Capas pouco surpreendentes no domingo


Nenhum impresso brasileiro conseguiu pensar em uma capa de domingo que transmitisse ao leitor o impacto das 500 mil mortes por Covid. A Folha de S. Paulo (SP) chegou perto, O Estado de S. Paulo (SP) utilizou-se de gráficos, O Globo (Rio de Janeiro, RJ) trabalhou frases irresponsáveis do maior responsável pela matança.

Mas faltou o grande exemplo, a capa para o futuro.

Pena, já que houve tempo de sobra para o planejamento.





 

sábado, 19 de junho de 2021

Falta de planejamento explícita

O jornalismo do Século XXI vive de planejamento. O tempo de "esperar" pela notícia acabou, com a Revolução Digital.

Por isso é triste constatar que às 15h30 de sábado, 19 de junho de 2021, quando o Brasil ultrapassou a marca de meio milhão de mortos por Covid 19, apenas a Folha de S. Paulo (SP) tenha feito algo diferente, que chame a atenção para essa triste informação.

O Estado de S. Paulo (SP) até tentou, mas não conseguiu. O Globo (Rio de Janeiro, RJ) e G1 (Rio de Janeiro, RJ) só publicaram a notícia.

Zero Hora (Porto Alegre, RS), Correio Braziliense (Brasília, DF) e Estado de Minas (Belo Horizonte, MG), líderes regionais, ignoram o fato. Seguem com notícias requentadas e esquecem que o ritmo do digital é bem diferente do impresso.

Uma bomba como essa, mais previsível do que as vitórias do Brasil na Copa América, deveria estar perfeitamente planejada há, pelo menos, 10 dias. Mas o jornalismo brasileiro segue em mar agitado, já se aproximando do precipício.


 

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Seleção não merece capa


Erraram alguns jornais tradicionais. Erraram feio. 

A Copa América foi tão criticada, tem tanta gente contrária, que os leitores não merecem receber segunda-feira uma foto gigante de um jogador brasileiro comemorando gol contra a "poderosa" Venezuela - aquela dos 12 casos de Covid.

O Globo (Rio de Janeiro, RJ), O Tempo (Belo Horizonte, MG), A Tribuna (Vitória, ES) e Correio do Povo (Porto Alegre, RS) fizeram a edição "preguiçosa", em que o editor orienta a colocar a foto mais fácil de se obter. Futebol. Seleção.

Só que isso não faz sentido. Menos ainda quando o "Domingão do Faustão", com apresentador improvisado, deu maior audiência que o jogo do Brasil.

Não é para isso que serve um impresso. Capas absolutamente descartáveis.

PS: Correio do Povo se superou. A foto do jogo divide espaço com o passeio de moto (de sábado) de Bolsonaro. Lamentável.



 

domingo, 13 de junho de 2021

O Correio* volta a ser Correio*


Lá pelos idos de 2007, logo após a morte do senador Antonio Carlos Magalhães, a família proprietária do então Correio da Bahia (Salvador, BA) estava preocupada: o que fazer com aquele jornal que somava prejuízos absurdos e que só servia para distribuir mensagens políticas do fundador recém-falecido?

Tive o prazer de ser contatado pelo então senador Antonio Carlos Junior, filho de ACM e pai de ACM Neto, para ajudá-los a repensar o produto. 

Um ano depois, com a colaboração de ótimos executivos e jornalistas do grupo e alguns colegas brasileiros e estrangeiros, colocamos nas bancas o Correio*, algo totalmente diferente, novo, que veio para romper todos os dogmas da Bahia - a começar pelo formato tabloide. O resultado foi um sucesso, a conquista da liderança entre os impressos no Nordeste e a relevância ganha em terras baianas.

Mas o tempo passou, novas estratégias apareceram, algumas mudanças não muito felizes, e o jornal foi perdendo aquele perfil. Passou a ser mais um, e não "aquele um".

A boa notícia é que agora, pouco a pouco, o Correio* está recuperando a irreverência daquele 2008, do projeto gráfico do espanhol Guillermo Nagore a partir do Modelo Editorial que concebemos.

A capa da edição do fim de semana está sensacional. A equipe voltou a entender a função de um impresso em tempos digitais.