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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Sinais de vida no Planeta Estadão


Se há uma mentalidade conservadora, entre os jornalões brasileiros, o foco principal está em O Estado de S. Paulo (SP). É sempre o último a inovar, o resistente a entender a estratégia digital e a experimentar nos linguagens, mesmo assistindo a morte de seus assinantes históricos - e vendo a carteira minguar.

Por isso é uma ótima notícia perceber uma capa diferente, decidida, com apostas claras, como a de hoje.

Algo mudou no centenário jornal. Que a mudança ajuste o que ficou pelo caminho.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A diferença entre o necessário e o descartável


O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelou ontem o ranking de eficiência dos judiciários estaduais do Brasil. No listão, o Ceará ficou em último lugar.

É notícia, claro. Mas o papel do impresso é explicar os motivos. A informação pura e simples é velha.

Diário do Nordeste (Fortaleza, CE) cravou o número de processos sem resolução. Curioso, mas não vai além da notícia.

O Povo (Fortaleza, CE) analisou o fato e explicou por que a Justiça do Ceará é a mais lenta.

Perfeito! Para ter coragem de cobrar R$ 3 por uma edição é fundamental acrescentar valor, oferecer algo a mais. E só O Povo conseguiu. 

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Linda foto, mas...


Linda a imagem da capa do Diário Catarinense (Florianópolis, SC). Pena que o autor não seja um fotógrafo da sua equipe, mas Wagner Urbano Onjack, do Estadão Conteúdo (Agência Estado).

Por que os repórteres fotográficos do jornal de referência de SC não conseguem uma foto como essa?

Quando a melhor foto de um local que está na nossa prioridade editorial não é de nossa equipe, algo está errado. De qualquer maneira, a imagem conta o fato.

Uma aula de mau jornalismo


O Diário dos Campos (Ponta Grossa, PR) tinha tudo para fazer uma edição de luxo hoje. Mas cometeu as piores infrações do jornalismo.

1. Aplicou o logo azul sobre foto. O resultado é que o logo sumiu.
2. Aplicou texto sobre a grama verde. E descoloriu o fundo para ficar legível. Ficou péssimo.
3. (o pior) Conta um fato (importante) de domingo como se houvesse acontecido ontem. Nenhum valor agregado. Nenhuma consequência. Nada de trabalho criativo. É o jogo de domingo publicado na terça, enganando o leitor. Ou seja, é uma capa que seria de segunda-feira, caso o jornal circulasse nesse dia.

O DDC está com um modelo gráfico feio, antiquado. Precisa se renovar. Mas pior mesmo é a aposta editorial como se o cidadão estivesse imune às notícias durante as 36 horas entre a partida e a publicação do jornal.

Lamentável.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Metro passa recibo


A cantora Anitta, sucesso no Brasil, foi editora por um dia do Metro...no México.

Sim, o gratuito que circula em mais de 10 cidades no Brasil viu por fotos a estrela da música ser editora do mesmo jornal, mas em terras mexicanas.

E abusou na fotografia de capa, passando um recibo poucas vezes visto no mercado grátis do Brasil.

Em uma tacada só, mostrou que ou não consegue ter esse tipo de ideia, ou que a cantora prefere outros ares.

Lamentável.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

DNA de jornal pequeno


A Folha de S. Paulo (SP) é, ao lado de O Globo (Rio de Janeiro, RJ) e de O Estado de S. Paulo (SP), o jornal mais importante do Brasil. Cada capa é uma mensagem bem construída a milhares de leitores em todas as plataformas.

Sempre na vanguarda, a Folha pisa na bola hoje e revela seu DNA de jornal pequeno ao dedicar quase meia capa, na parte alta (nobre) à morte de seu diretor, Otavio Frias Filho.

Otavinho, sem dúvidas, foi fundamental para o Projeto Folha, que fez com que o jornal assumisse a dianteira no jornalismo brasileiro. Mas sua morte, bombardeada desde as primeiras horas de ontem pelas plataformas eletrônicas, não é mais importante, por exemplo, que a pesquisa exclusiva do DataFolha na corrida ao Planalto.

Homenagear diretores e acionistas mortos na capa é o que há de mais velho no jornalismo de papel. E não interessa a ninguém, além da família.

Otavio Frias Filho não estaria de acordo com essa capa. Lembra os momentos mais conservadores da velha Folha.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

EUA: A imprensa disse basta!


E de repente os jornais dos EUA decidiram, juntos, se revoltar. Basta de escutar palavrões do presidente Donald Trump.

Organizados pelo The Boston Globe (Boston, MA), mais de 100 (updating, são mais de 300) jornais americanos publicam hoje editoriais em nome da liberdade de imprensa e contra a tentativa de cerceamento do livre exercício do jornalismo da Casa Branca.

Cada veículo escreveu da sua forma, na sua própria cultura. E o resultado é o maior manifesto anti-Trump desde sua posse.

Uma amostra do que o bom jornalismo é capaz.