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sexta-feira, 9 de julho de 2021

Só o Correio Braziliense não "cagou" para o que disse Bolsonaro


O Presidente da República, uma vez mais, ultrapassou a fronteira do bom senso em suas falas. Em alto e bom som, quebrando qualquer liturgia do cargo, disse: "Caguei para a CPI".

É um deboche contra o Parlamento e um soco no estômago de quem espera um pouco de cuidado no vocabulário de seu líder de governo.

Só que, curiosamente, os impressos preferiram respeitar as boas maneiras e evitaram repercutir tal impropério do Presidente. Exceto o Correio Braziliense (Brasília, DF).

A decisão editorial é difícil. Foi como quando o Presidente Itamar Franco apareceu em um carnaval do Rio ao lado de uma aspirante a modelo, que não usava calcinha. A foto de Marcelo Carnaval rodou o mundo, foi capa de vários jornais. Só que alguns colocaram uma tarja negra, em nome dos "bons costumes".






segunda-feira, 5 de julho de 2021

O dogma absurdo que está derrubando os impressos gaúchos


O treinador do Grêmio foi demitido ontem à noite, depois das 22h, logo após a equipe perder sua quinta partida em sete disputadas no Brasileirão. O Grêmio, por sinal, é lanterna da competição.
O Internacional, por sua vez, empatou com o Corinthians em São Paulo...no sábado.

Qual o peso de cada um dos fatos?

Para 99% dos jornalistas e 99,9% dos leitores, não há comparação. Só um desses assuntos mereceria espaço na capa da edição de segunda-feira, tamanha a desproporção de importância e tempo de cada uma das informações.

Mas para os editores responsáveis de Zero Hora (Porto Alegre, RS), Correio do Povo (Porto Alegre, RS) e Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) os dois fatos merecem espaços rigorosamente iguais na primeira página. 

Acontece que o leitor não é burro e vem, dia após dia, deixando de comprar as edições irrelevantes desses jornais. Zero Hora já vendeu mais de 200 mil exemplares por dia, hoje não passa de 50 mil. Correio do Povo alcançou 220 mil há 20 anos, atualmente está abaixo dos 40 mil. Diário Gaúcho foi um sucesso com seus brindes de faqueiros e jogos de copos, agora pena para vender nas ruas.

Os motivos para essa queda de circulação são inúmeros. Mas as redações não precisam colaborar para que essa crise se acentue. E não vale a desculpa de que "o leitor quer assim". Isso não faz o menor sentido. A insistência nesse dogma derruba ainda mais a saúde dos impressos gaúchos.

PS: Sábado milhares foram às ruas em Porto Alegre, protestar pelo fim do atual governo federal. Só o CP deu uma "pequena" chamada. Nos outros, nada.

 

domingo, 4 de julho de 2021

Os impressos começam as escutar as ruas


Em cinco semanas, tudo mudou.

No domingo 30 de Maio, um dia após as primeiras manifestações pelo #forabolsonaro, a imprensa desdenhou. Preferiu esconder a informação, mesmo com as multidões nas ruas.

Hoje Folha de S. Paulo (SP), O Globo (Rio de Janeiro, RJ) e O Estado de S. Paulo (SP) não puderam mais fingir que nada aconteceu. Na vez passada, só a Folha deu alguma importância.

Mais: agora a Folha chega a pedir que o presidente da Câmara delibere o pedido de impeachment, já protocolado.

Uma tremenda mudança de atitude. Um espaço que ainda vai crescer nos impressos. Assim como vai crescendo na sociedade.



 

sexta-feira, 2 de julho de 2021

A fotografia com algo mais


O fato é absolutamente o mesmo: a inauguração da estátua de Lady Di.

Os personagens, também os mesmos: os filhos de Diana Spencer, William e Harry.

Só que os dois andavam às turras. Pior, Harry - sempre brincalhão - até abdicou da realeza para ir viver nos Estados Unidos com sua mulher, Meghan Markle.

Mas a fotografia revela sutilezas. The Daily Telegraph (Londres, UK) publica a foto do momento em que o pano revelava a obra. The Independent (Londres, UK) de segundos mais tarde, com toda estátua à vista.

E aí aparece a criatividade do The Times (Londres, UK), que foi mais longe, alguns segundos depois. E mostrou a cara de moleque de Harry - sob o olhar de Diana. Detalhes que só a fotografia consegue oferecer.


 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Por que caiu?


O bom jornalismo não descansa antes de mostrar o que ninguém sabe.

A edição de hoje do USA Today (McLean, VA) traz o que nenhum outro meio de comunicação mostra: as razões da queda do edifício Chaplain Towers, em Miami.

A investigação mostra ainda que houve vários avisos, desde 2019, de que algo não estava bem.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Circulação de impressos em queda livre no Brasil


Não chega a ser novidade, mas os números mostram que a crise dos impressos no Brasil parece não ter fim.

Levantamento do Poder360 (Brasília, DF), com dados do IVC, revela que só nos primeiros cinco meses do ano a queda foi de 12,21% - considerando apenas 10 jornais - líderes - de SP, RJ, MG, RS, BA e CE.

O crescimento de assinaturas digitais, no mesmo período, foi de apenas 3,3% considerando as mesmas 10 marcas - e por um valor sensivelmente menor do que uma assinatura de impresso.

Quando a leitura se dá pela soma impresso+digital, nota-se uma queda total de 1,46% no mesmo grupo de veículos.

Chama a atenção que o impresso mais vendido do Brasil é O Estado de S. Paulo (SP), com apenas 76.416 exemplares por dia (metade do que tinha em 2015). O popular Super Notícia (Belo Horizonte, MG) despenca a 70.752 exemplares/dia (um terço do que aparecia há cinco anos), mesma performance de Zero Hora (Porto Alegre, RS) e de A Tarde (Salvador, BA).    

Muito consistente, no entanto, o crescimento digital de O Globo (Rio de Janeiro, RJ), Folha de S. Paulo (SP) e Valor Econômico (SP) - veículos que investem na estratégia digital.

Mas o quadro geral é preocupante.

PS: os gráficos são do Poder360


 

A foto que conta a história


Não é preciso grandes textos, gigantescas legendas. A foto de capa do Miami Herald (Miami, FL) não deixa qualquer dúvida sobre o que foi o desabamento do prédio na cidade, ontem - notícia que todos, obviamente, já sabiam antes da chegada do impresso hoje.

O segredo é que junto com a caliça, o concreto pendurado, estão objetos do dia a dia de qualquer pessoa: cadeira, cama, armário. Aí o impacto é impressionante.