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quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Ranking de assinaturas digitais em língua inglesa


O Press Gazzette (Londres, UK) acaba de publicar o ranking dos meios de comunicação de língua inglesa com maior número de assinaturas digital-only.

O original está aqui, com todos os que perfazem mais que 100 mil assinaturas (são apenas 30). No quadro ao lado os que superam o milhão.

Verdade que há muita discussão sobre critérios e sobre a veracidade dos dados da maioria. No Brasil muitos veículos incham seus números com vendas por valores abaixo de 10% do equivalente impresso (regra do IVC para contabilizar).

De qualquer forma vale para se entender a dificuldade da conversão para o Digital e o sucesso de quem investe em bom jornalismo, como The New York Times (Nova York, NY), The Washington Post (Washington, DC) e The Wall Street Journal (Nova York, NY).

sábado, 6 de novembro de 2021

Duas capas sobre Marília

A morte repentina de Marília Mendonça serviu como um exercício para as redações mostrarem aos leitores de impressos a importância de uma boa capa. 

A grande maioria dos jornais brasileiros fez o obvio: a notícia da morte, com a foto do avião caído, ou uma imagem de Marília alegre e cantando. Pura perda de tempo - e de espaço. No mundo da informação em tempo real tudo isso chega muito velho ao leitor. 

Quem saiu-se bem no tema de casa foram Correio Braziliense (Brasília, DF) e Meia Hora (Rio de Janeiro, RJ), casualmente com a mesma foto - a última de Marília, a caminho do avião. São capas que fazem pensar. As outras não servem para muita coisa.























 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

O absurdo, convicto e recorrente equívoco dos impressos gaúchos

Já não há palavras para descrever o absurdo jornalístico que acontece nos impressos do Rio Grande do Sul, quando o assunto é futebol.

Ontem o Grêmio jogou em Porto Alegre, perdeu para o Palmeiras, ficou com remotas chances de escapar do rebaixamento à Série B de 2022 e ainda por cima sua torcida invadiu o campo, depredou equipamento de VAR e, de quebra, ainda provou alguns estragos no lado de fora. O assunto está nas TVs, sites e jornais do mundo inteiro.

O Inter, por sua vez, poupou jogadores e perdeu para o São Paulo fora de casa, resultado esperado e que muda pouco suas ambições no ano.

Só que Zero Hora (Porto Alegre, RS), Correio do Povo (Porto Alegre, RS) e Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) consideram os dois fatos com a mesma importância. Dividem milimetricamente a capa para não desagradar as torcidas. Esquecem que os fatos não são iguais e subvertem as melhores práticas editoriais, que exige que se hierarquize os fatos. São jornais medrosos, descartáveis, que não fazem nenhum sentido. A julgar pelas capas de hoje, talvez sirvam para limpar cães e gatos. Talvez.

Detalhe: essa prática é recorrente, como mostrou Mídia Mundo em 05/07 e em 21/01, para ficar só em 2021.



 

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

A pasta e a cerveja


Ontem foi o dia do Ministro das Finanças do Reino Unido entregar ao Primeiro-Ministro o orçamento do próximo ano. Trata-se de uma tradição, o Ministro vai ao gabinete do PM com uma mala-pasta, com os detalhes.

A tradição é tanta que a foto da Mala-Pasta está nas capas de Financial Times (Londres, UK), The Times (Londres, UK) e The Independent (Londres, UK).

Mas The Daily Telegraph (Londres, UK) e The Guardian (Londres, UK) preferiram a imagem do momento seguinte: a comemoração pela aprovação do orçamento. Um chope em um pub - até porque o preço do pint será afetado pelo corte de taxas.

Curioso é que o The Guardian retirou o Primeiro-Ministro Boris Johnson da foto. O dia é do Ministro das Finanças Rishi Sunak.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Viva a criatividade do impresso


Já se sabia o teor do relatório final da CPI da Covid. Os parlamentares foram vazando aos poucos, ou seja, não havia grandes surpresas na votação de ontem.

E é aí que a criatividade jornalística precisa ser ainda maior, como fez o Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) no impresso, hoje.

Uma forma nova, diferente, original de mostrar as acusações contra o Presidente da República. Não chega a ser uma obra prima, mas é - de longe - o jornal que melhor trabalha o dia seguinte entre os impressos do Brasil.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Onde foi parar a publicidade dos Impressos?


O CENP (Conselho Executivo das Normas-Padrão), entidade que cuida da ética e boas práticas na publicidade brasileira, revelou alguns números sobre o mercado anunciante no primeiro semestre de 2021.

A boa notícia é que o valor total (R$ 7,366 bilhões) é 28,7% maior do que no mesmo período de 2020. Ou seja, o mercado está em recuperação. A má notícia é que ainda não alcançou o patamar de 2019 (está 11% abaixo), mas já é um bom sinal.

Muito significativa a divisão de verbas, com um crescimento contínuo do Digital (já alcança 28,2% do total) e queda acentuada dos impressos (1,9% para jornais, 0,4% para revistas). Para comparação, no levantamento do primeiro semestre de 2017, por exemplo, jornais abocanhavam 3,5% do mercado, revistas 2% e o Digital tinha 13,4%.

PS: colaboração do atento colega Cláudio Thomas, a partir de dados compartilhados pelo jovem veterano José Maurício Pires Alves

domingo, 17 de outubro de 2021

O Estadão não mudou mudando


E enfim o primeiro jornalão rendeu-se ao formato compacto, preferido por 9 entre 10 leitores remanescentes de impressos. O Estado de S. Paulo (SP) chegou aos assinantes com 13 centímetros a menos de altura e faltando uma coluna na largura. Não chega a ser uma enorme mudança, mas para um diário centenário, conservador, com modelo de negócios ainda muito dependente do papel, já é um avanço.

A redução no tamanho não trouxe um novo modelo gráfico, mas uma adaptação do anterior - o que é um risco. Só que ele está bem concebido. Deve funcionar. O jornal parece mais leve, com mais respiro, e será fundamental resistir à tentação de colocar mais e mais conteúdos nos espaços em branco.

A fórmula Estadão continua intacta: Opinião no início, um grande número de editorias e a opção por 3 cadernos diários (mais dois semanais). Possivelmente essa será a primeira armadilha a ser desfeita, nas futuras revisões: cadernos não combinam com formatos compactos. A ideia de que um mesmo impresso é lido ao mesmo tempo por vários membros de uma mesma família não faz qualquer sentido. E as negociações com anunciantes acabam dinamitando as ideias de cadernos.

O Estadão acerta em adotar uma reportagem "a fundo" todos os dias, bem como faz uma boa aposta com a matéria "fora dos padrões" no fechamento do primeiro caderno. Pode dar certo, depende apenas da capacidade editorial de fazer essa reportagem ser interessante sempre.

A redução do tamanho de O Estado de S. Paulo é uma boa - e inevitável - notícia no mundo dos impressos. O movimento ainda foi tímido, poderia ser bem mais ousado, mas é um primeiro passo para a sobrevivência dos impressos.