



A imagem - de Marina Silva - valoriza o diferente, o sangue escorrendo. A manchete faz trocadilho com o bairro onde ocorreu o crime.
Tudo muito bom.
Mas a imagem de capa de O Globo (Rio de Janeiro, RJ) de hoje é fantástica. Conta tudo com um olhar.
A seca e o calor na Índia preocupam. Não há margem para indiferença.
Quando uma foto dessa qualidade chega à Redação, bons jornalistas não têm dúvidas do impacto que ela causará. E, mesmo sendo na Rússia, incita a discussão sobre preservação do meio ambiente.
A foto é de Sajjad Hussein, da Agência France Press.
Seu melhor momento foi em 2010 e 2011, quando se transformou em um jornal da cidade de São Paulo, preocupado com a pós-notícia e com a interpretação das informações. O projeto gráfico atual ainda é daquele tempo. Ganhou espaço, mas acabou definhando por decisão de seus gestores.
O DSP, agora, dá pena. Não é à toa que não tem mais leitores. Não vende, ninguém assina. Basta analisar os conteúdos da primeira página de hoje para se entender os motivos.
A manchete é uma notícia entre o popular e o irrelevante. Sem nenhuma força de chamada principal.
Mas o absurdo vem logo abaixo, na foto de um grupo de advogados defendendo o indulto ao deputado carioca responsável por atos anti-democráticos e punido pelo STF. O Diário transforma um delírio irresponsável de defensores do presidente da República em uma notícia.
Um impresso pode assumir posições, não há problema. Pode mesmo defender em editoriais e em opinião posicionamentos políticos. Mas não pode mentir. Uma carta não é um ato. Os integrantes da reunião - salvo Ives Gandra - não estão entre os "mais renomados do Brasil", como o jornal afirma.
Menos, Diário, menos.
É que os votos determinantes para sua vitória vieram do movimento que não quis a extrema-direita no poder - e não dos apoiadores da plataforma do centrista Macron.
O Libé, de centro-esquerda, não perdoa.

