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segunda-feira, 17 de abril de 2023

A arte de não dizer nada em Esportes


Os jornais gaúchos têm por hábito adotar um critério de "igualdade" entre as equipes de futebol, acreditando que as torcidas assim desejam. Não importa o que é notícia, o que é recente, enfim, os verdadeiros critérios que fazem de um fato uma notícia.

Por isso Grêmio - que jogou domingo - e Internacional - que atuou sábado - têm espaços rigorosamente iguais na capa de hoje de Zero Hora (Porto Alegre, RS), em uma interpretação absurda de que o fato de serem Grêmio e Internacional estão acima da notícia que carregam. Se ignora o fator tempo.

Isso já é "lei" entre os gaúchos, mas o que choca agora é o título que acompanha cada uma das fotos: uma mostra de que o impresso gaúcho sequer sabe o que dizer. Informações obvias, velhas, absurdas, que desdenham da inteligência do leitor. Se tem algo que qualquer leitor sabe em tempo real é o resultado da partida.

Perda de tempo e espaço nobre.

sexta-feira, 14 de abril de 2023

A edição fim de semana


Há muito os impressos buscam economizar algo em seus processos - normalmente custosos. A operação de ligar a rotativa, imprimir toneladas de papel, distribuir pela região e rezar para que alguém compre os exemplares - e assim evitar o encalhe - parece um desafio difícil de se obter sucesso dia a pós dia. Mesmo assim os impressos resistem em reduzir a frequência de suas tiragens, bem como revisar o número de páginas publicadas.

No Brasil alguns impressos já adotam a edição de fim de semana, quando sábado e domingo viram uma edição apenas. Trata-se de uma economia importante e evita que se tenha que distribuir o impresso aos domingos, onde até os pontos de venda estão fechados.

Outras marcas tradicionais cancelaram a circulação diária e lançaram apenas um impresso semanal. É outra estratégia.

O USA Today (McLean, VA), o mais importante impresso nacional dos Estados Unidos - com circulação média de 150 mil exemplares/dia - chama a edição de sexta-feira de Weekend (fim de semana). Vale de sexta a domingo. E não se preocupa com os dias de descanso. É questão de estratégia. Basta ter coragem e assumir os riscos.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Poucas palavras, enorme sentimento


A tragédia de Blumenau é daquelas em que é impossível ficar indiferente. A indignação é geral. E esse acaba sendo o desafio dos impressos, que chegariam hoje às bancas, 24 horas depois da barbárie.

Extra (Rio de Janeiro, RJ) foi quem conseguiu resumir em uma frase curta e uma pequena imagem o que o Brasil está sentindo.

Raiva.

Quase todos os demais impressos do Brasil ainda não entenderam para o que servem no dia seguinte ao fato. Pena.

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Não é para isso que serve o impresso


Com o avanço da tecnologia - que conectou a audiência 24 horas por dia - e a estratégia das TVs em transmitir eventos esportivos por antena, cabo e streaming, é até desnecessário explicar os motivos para que os impressos se tornem mais explicativos e menos informativos. Isso se multiplica por mil quando a notícia ocorre dois dias antes.

Mas não é o que pensa Zero Hora (Porto Alegre, RS), que tem como prática publicar fotos de jogos de futebol em suas capas nas edições de segunda-feira - ainda que o jogo tenha acontecido no sábado. Não faz sentido, mas o impresso gaúcho segue com a estratégia.

Talvez atitudes como essa expliquem que o jornal que já teve mais de 200 mil assinantes hoje mal passe de 40 mil exemplares por dia, segundo o IVC.

Escolhas equivocadas geram consequências imediatas.

sexta-feira, 31 de março de 2023

Uma capa para ser guardada


A força de um impresso se revela, também, quando narra a história de fatos marcantes. Coisas que vão ficar para a eternidade.

O The New York Times (Nova York, NY) traz com generoso espaço na capa "Trump Indiciado". E a foto não muito simpática do ex-presidente, o primeiro ex-chefe de estado americano a sofrer processo criminal.

Se por um lado os impressos circulam menos, perderam relevância, em fatos fortes como o indiciamento de Trump a capa para ficar para sempre nas memórias e nos arquivos.

quarta-feira, 29 de março de 2023

A vantagem de ter um passado


Se há uma grande vantagem dos veículos tradicionais sobre os nativos digitais, na guerra pela audiência, é o banco de dados, a memória, a história.

O Correio do Povo (Porto Alegre, RS), fundado em 1895, conseguiu na capa de hoje colocar lado a lado o passado e o presente, em uma comparação que o deixou único frente à concorrência.

Se em 1934 o Zeppelin sobrevoou Porto Alegre, ontem um dirigível passeava pela cidade, fazendo lobby junto ao South Summit, que começa hoje. O CP tinha a imagem histórica e conseguiu fazer a leitura da comparação.

Esse é o tipo de história que só os veículos com passado podem apresentar.

terça-feira, 28 de março de 2023

O drama dos índios brasileiros


A tragédia dos Yanomami saiu das capas dos jornais brasileiros - mas agora aparece em outros países. O International The New York Times (Londres, UK), edição mundial do tradicional impresso americano, traz matéria sobre os índios brasileiros: O Flagelo de uma Tribo Isolada.

O descaso com a causa indígena do governo anterior (2019/2022) ainda revolta o mundo e preocupa os direitos humanos. É preciso deixar o assunto em pauta até que a saúde dos índios esteja plenamente recuperada - em toda a tribo.