Imprima essa Página Mídia Mundo

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Grande idéia!



O Gwinnett Daily Post é o jornal da pequena Lawrenceville, Georgia, com seus quase 23 mil habitantes.

Mas nem por isso trata-se de um jornal parado no tempo.

Para explicar o volume das chuvas que afundaram a região, o Gwinnett colocou uma régua, em tamanho real, e marcou a ação das chuvas em cada ponto de destaque.

Genial!

A grande foto de chuva


A imagem do The Huntsville Times (Huntsville, AL) não deixa dúvidas: choveu muito na vizinha Georgia.

O sofrimento da motorista que abandona o carro e afunda os pés na água já traduzem tudo o que se quer dizer.

Basta uma boa foto.

Um jornal da cidade

O Jornal da Tarde (São Paulo, SP) já foi vanguarda.
Já foi inovador, já foi local de grandes reportagens.
Mas foi mudando.
Primeiro mudou para matutino (sim, o Jornal da Tarde sai de manhã).
Depois assumiu um perfil de jornal da cidade de São Paulo, até para não entrar no mesmo nicho de seu irmão mais famoso, O Estado de S. Paulo.
Hoje o JT é da cidade.
E um bom jornal da cidade de São Paulo persegue bons assuntos que fazem a cidade comentar.
Como a matéria sobre roubos e furtos nos Jardins.
Imperdível para quem vive na paulicéia.

Manual do jornalismo-clichê

O diretor olha para o calendário e diz: "amanhã começa a primavera".
No Hemisfério Norte o pauteiro se lembra: "amanhã começa o outono".
E as edições de hoje de jornais pequenos e médios, sem muita inspiração, trazem aquilo que o leitor já sabe: há mudança de estação.
Pior, na pressa os fotógrafos vão às ruas buscar uma foto que simbolize essa "novidade".
Voltam com árvores floridas, folhas caídas, imagens sem nenhum sentido informativo, apenas estético.
O jornalismo-clichê é uma das pragas do jornalismo.
E o pior é que os jornais ainda têm a petulância de cobrar por um exemplar com tamanha baboseira.
Entre os brasileiros que adotam o jornalismo-clichê hoje, Diário Catarinense (Florianópolis, SC), Jornal de Santa Catarina (Blumenau, SC), A Tribuna (Santos, SP), Pioneiro (Caxias do Sul, RS) e O Diário do Norte do Paraná (Maringá, PR).













O detalhe que muda a imagem

Choveu muito em Belo Horizonte ontem.
Perto das 16h o dia virou noite.
Escuridão total.
Os jornais de hoje tentam reproduzir o breu.
O líder Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) escolhe uma foto de carros na chuva com farol aceso. Para orientar o leitor, informa que são 16h20 em BH.
Ou seja, a foto não funciona sem uma explicação.
O Tempo (Belo Horizonte, MG) coloca um simples detalhe na imagem: um relógio.
É o que basta.
Nem é preciso legenda.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Porque o The New York Times é o melhor jornal do mundo



Deu no The New York Times (Nova York, NY), em nenhum outro lado.

Todas as entrevistas de Barack Obama para as TVs americanas foram realizadas na sexta-feira e todas foram ao ar ontem.

A matéria não é sobre o conteúdo das entrevistas, mas sobre a forma.

Obama na mesma cadeira, os entrevistadores na mesma posição.

Quase produção industrial.

Os outros jornais comentam as declarações do presidente.

Mais do mesmo.

Por sacadas como essa que o NYT é o melhor jornal do mundo.

Questão de interpretação

O jornal O Povo (Fortaleza, CE) traz em manchete um excelente levantamento sobre apreensão de cocaína em aeroportos brasileiros.
O drama é que o Aeroporto Pinto Martins, de Fortaleza, só perde para o de Guarulhos, em São Paulo.
E é aí que a inteligência jornalística precisa atuar.
Perde?
Em volume absoluto, sim.
Mas em proporção ao número de vôos e de passageiros, ganha (a informação está na linha fina).
Por isso a intepretação do fato é fundamental.
É muito mais interessante fazer o cálculo de droga x passageiro que desembarca no Pinto da Costa e nos demais aeroportos e, quem sabe, dar o título de "campeão" ao aeroporto de Fortaleza do que ler os números brutos e dizer que está em um nada honroso segundo lugar nesse ranking.
O jornalista precisa interpretar o fato.
Sempre.