Você cativou os homens
E agora pede liberdade para os animais
Com a capa do La Dépêche (Tolouse, França) e a música de Péricles Cavalcanti, interpretada pela troupe Asdrubal Trouxe o Trombone, uma homenagem à imortal BB.
Você cativou os homens
E agora pede liberdade para os animais
Com a capa do La Dépêche (Tolouse, França) e a música de Péricles Cavalcanti, interpretada pela troupe Asdrubal Trouxe o Trombone, uma homenagem à imortal BB.
Hoje a Folha de S. Paulo (SP) usa esse método para pedir mais combate à corrupção - com menções aos ministros do STF.
Há um disfarce de "isenção" na mensagem do matutino paulistano, embora apareça com claridade o posicionamento político da tradicional empresa jornalística. Não há nenhum problema em um jornal defender A ou B, torcer para C vencer - em Opinião. Desde que isso não contamine o noticiário.
A Folha acaba de entrar com o pé direito no lamaçal da política. E pode ter enorme risco de afundar.
Na edição de domingo, O Povo brinca com a superposição de logotipos - remetendo à volta ao passado.
Anistia (para golpistas)? De novo?
Mais um acerto da equipe de O Povo. Parabéns, Gil Dicelli e time.
Absolutamente ridículo e ofensivo.
O governo chama as principais marcas de "mentirosos" e dá uma "nova versão" para algumas matérias publicadas. Mas não oferece réplica. Ou seja, para a bolha de Trump essa versão passa a ser verdade absoluta - e a imprensa como "mentirosa".
Trata-se de um desserviço, pago com dinheiro público. Uma maneira de intimidar quem tem por missão fiscalizar o bom funcionamento das instituições - principalmente a presidência da república.Um ato covarde e medíocre de Trump.
Todos os clichês sobre uma capa viram bobagem quando aparece algo brilhante como a primeira página de hoje do impresso O Povo (Fortaleza, CE).
Quem disse que precisa ter manchete? Quem falou em foto dominante? E as pequenas chamadas para outros temas?
Nada disso tem valor, quando há um assunto tão relevante que merece quebrar todas as regras - e por isso mesmo é o tema que primeiro determina a originalidade da capa (sim, não invente fazer o mesmo com assuntos de baixo interesse, por favor).
O Jornal do Brasil (Rio de Janeiro, RJ), em seus melhores tempos, fez uma edição sem manchete em 1973, para informar a morte de Salvador Allende, então presidente do Chile, e o golpe de estado dos militares. Mas naquele tempo era uma burla à censura, que determinou que o assunto não poderia ser manchete dos jornais. A saída foi fazer texto puro, sem manchete - e sem desobedecer a orientação.
Agora não. A capa de O Povo é talento puro. É mais um movimento para mostrar como o impresso é importante.
Parabéns Gil Dicelli e equipe.
Como dizem os franceses quando querem elogiar, "chapeau".
ActivateO ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso ontem.
Preso.
Ele é o líder da extrema-direita, condenado por organizar a tentativa de golpe de estado em 2023. E foi preso por queimar a tornozeleira eletrônica que o monitorava e, possivelmente, procurar asilo em alguma embaixada "amiga".
Mas ele caiu. Venceu a democracia, para desespero de seus apoiadores.
Os jornais impressos tinham a missão histórica de contar isso em uma capa antológica hoje. Não fizeram. Ou por medo, ou por falta de talento.
Saudades do falecido Jornal da Tarde (SP), que não tinha receio de se posicionar nem mesmo quando os tempos eram bem mais duros.
A velha máxima do jornalismo gráfico é "Show, don't tell".
Foi exatamente isso que The Washington Post (Washington, DC) fez nesse gráfico simples e sensacional, comparando o novo pacote salarial de Elon Musk, na Tesla, com o que recebem os professores de escolas públicas no Estados Unidos.
Cada bonequinho do gráfico representa 800 professores. E assim mesmo, todos juntos, formam um bolo que representa apenas dois terços do que o ex-amigo de Donald Trump vai receber de sua empresa de carros elétricos.
Brilhante!
Parabéns, Javier Zarracina, Chiqui Esteban e equipe.
Não é qualquer jornal que chega aos 200 anos. O Diário de Pernambuco (Recife, PE) acaba de chegar nessa marca histórica.
O DP foi dos Diários Associados, mas acabou vendido para um grupo de investidores em 2015 e, quatro anos depois, ao empresário que segue no comando. Verdade que perdeu muito de sua relevância, mas só o fato de seguir vivo já é uma boa notícia.
A má notícia é que os processos de indenização aos jornalistas demitidos há 10 anos seguem sem solução.
Se o slogan "Rumo aos 200 Anos" marcou os anos mais recentes do DP, agora é hora do "Rumo aos 250".
O campeonato argentino de futebol tem um pequeno clube que anda dando problemas. O Club Atletico Barracas Central, da periferia de Buenos Aires.
Time pequeno, que sempre luta para não cair à segunda divisão, neste ano está entre os cinco primeiros colocados - por enquanto. E a razão parece estar fora de campo. O Barracas pertence ao presidente da AFA (Associação de Futebol da Argentina), Chiqui Tapia.
A revolta contra as arbitragens das partidas em que o Barracas atua passou de algo eventual para todas as rodadas. Ontem, outra vez.
É algo tão serio que o La Nación (Buenos Aires, Argentina) colocou o escândalo do favorecimento na capa. Com imagens.
Se essa moda pegar, vai faltar espaço nas capas dos impressos brasileiros para reclamar de arbitragens incompetentes.
O Correio já foi referência nacional, liderou a circulação impressa na Região Sul, marcou a agenda dos gaúchos. Elegeu governadores, demitiu secretários de estado.
Hoje, depois de algumas mudanças no controle acionário, ainda está marcando posição no jornalismo gaúcho, mesmo sem o protagonismo de antes.
Que venham mais 130 anos!
O fato é muito maior do que punir o ex-Presidente da República a 27 anos de xilindró. É garantir que nada está acima da democracia e da Constituição Federal.
Os impressos no Brasil ficaram no óbvio, em geral. E não merecem registro. Linda exceção foi O Povo (Fortaleza, CE), onde o excelente designer Gil Dicelli traduziu o dia em uma imagem.
Na mosca!
El Nuevo Día (San Juan, Porto Rico) saiu com a capa em branco hoje. E não foi cochilo do editor, ou defeito na rotativa.
A ideia foi ressaltar como seria um dia sem notícias. Ou melhor, sem as informações confiáveis do líder da ilha de Porto Rico.
Uma mensagem original.
Homenagem a Luis Fernando Verissimo, morto na manhã de sábado.
Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) soube trazer o humor refinado de LFV na merecida lembrança.
Os impressos gaúchos não circulam aos domingos. Perderam a chance. Amanhã vai ser tarde.
A edição da revista que chega hoje às bancas mostra o ex-presidente Jair Bolsonaro vestido com roupas que remetem aos vândalos que invadiram o Capitólio, em 2021. E o título é extremamente sugestivo: O que o Brasil pode ensinar aos EUA - O julgamento de Jair Bolsonaro.
Acontece que a Justiça americana fez um julgamento "para americano conservador ver" e permitiu que Donald Trump fosse candidato outra vez - acabou eleito.
É muito positivo que uma publicação com tanto respeito como The Economist reconheça o trabalho da ,Justiça brasileira, para evitar que os conspiradores contra a democracia saiam impunes.
Juca Kfouri ficou famoso no Brasil como jornalista esportivo. Foi diretor do Placar (SP) e colunista da TV Globo, por exemplo. Ainda opina sobre futebol na Folha de S. Paulo (SP), mas, de vez em quando, arrisca algumas palavras em outros temas. Política, por exemplo.
Juca escreveu um manifesto contra a estratégia editorial da Folha de S. Paulo, empresa que paga seu salário. Não fez isso de forma velada. Pelo contrário, defendeu a tese de que é preciso dar um basta em determinado tipo de conteúdo em alto e bom som.
Não existe mais um "jornal para todos". Juca sabe disso. Parece que a Folha ainda não.
PS: do Facebook de Sérgio Cunha
A capa de um impresso é, cada vez mais, uma criteriosa seleção de assuntos muito importantes e relevantes. É preciso escolher o que vai impactar no olhar do leitor -e evitar pequenas informações irrelevantes. Capa é o cartão de visitas, o amor à primeira vista. Esse impacto vai incentivar (ou não) a leitura do jornal.
Pois O Globo (Rio de Janeiro, RJ) fez exatamente o contrário na edição de hoje. Nada menos do que 24 informações. Sim, 24! Um verdadeiro recorde.
Para comparação em edições de hoje: O Estado de S. Paulo (SP), famoso por sempre colocar mais chamadas do que o necessário, tem 16. The New York Times (Nova York, NY), outro que exagera nas chamadas, hoje apresenta 19. The Washington Post (Washington, DC) 20. The Guardian (Londres, UK) 6. Corriere della Sera (Milão, Itália) 16.
Qual a possibilidade de um jovem (33 anos) imigrante árabe, nascido em Uganda, virar prefeito de Nova York em pleno governo Donald Trump?
A revista Time (Nova York, NY) entendeu que a possibilidade é muito real e dedicou a capa de sua revista semanal a Zohran Mamdani, vereador, youtuber, extremamente popular nas periferias, que há dois meses derrotou todos os políticos tradicionais e ganhou a indicação do Partido Democrata para disputar a prefeitura.
Isso é jornalismo, antecipar tendências. Zohran é um fenômeno. Para os leitores da Time, se ele ganhar as eleições de Novembro, não será surpresa.
Um dos dias mais esperados pela esquerda brasileira - a prisão de Jair Bolsonaro - não foi para as capas de jornais como sonhado. Talvez por ter sido decretada no fim da tarde, talvez por receio das empresas de comunicação.
Extra (Rio de Janeiro, RJ) foi quem utilizou melhor a primeira página. Mas foi pouco. Quem sabe quando Bolsonaro acabar em uma cela os impressos se recuperam.
Há uma máxima entre os estudiosos da comunicação, que diz que "menos é mais". E que por isso as novas gerações preferem textos curtos e sintéticos a longas reportagens. Isso explica também a desinformação generalizada, é verdade.
O Globo (Rio de Janeiro, RJ) saiu ontem com 524 páginas! Mais do que a maioria dos livros encontrados nas melhores livrarias do ramo. Nada menos do que 72 páginas da edição dominical, 116 da Revista Ela e mais 336 dos cadernos especiais, comemorando os 100 anos do jornal.
Se alguém decidir conferir as 524 páginas terá leitura até o próximo domingo, certamente.
Certa vez o colunista Elio Gaspari entrevistava o histórico secretário do Partido Comunista Italiano, Enrico Berlinguer, para o Jornal do Brasil. O político quis saber um pouco mais do JB, então um dos grandes jornais brasileiros. "Quantas páginas tem o JB?", perguntou o secretário. "Normalmente 48", respondeu Gaspari. E então Berlinguer comentou: "48? E quem lê tudo isso?"
É muito bom que o impresso tenha edições comemorativas. Mas é preciso entender as características da audiência.
O jornal A Tarde (Salvador, BA) se superou em manchete que não diz absolutamente nada ao leitor.
O Brasil tem 27 Unidades Federativas (26 Estados e o Distrito Federal). Você é notícia quando está em primeiro ou em último lugar no ranking dos estados. Se estiver no meio é o que se chama "normal", ou seja, não merece sequer poucas linhas - não é notícia.
Mas para A Tarde ser décimo colocado entre 27 é motivo de manchete.
Desse jeito o jornalismo vai sumir na Boa Terra.
O atentado contra o pré-candidato à presidência da Colômbia Miguel Uribe chocou o país. Fez a população recordar os tempos de Pablo Escobar e do poder paralelo do narcotráfico (que, aliás, assassinou a mãe de Uribe nos anos 90).
Não há espaço para golpes. Não há espaço para ditaduras. Não importa a ideologia.
El Espectador (Bogotá, Colômbia) saiu com uma edição extra traduzindo os tiros em Miguel Uribe como Ataque contra a Democracia.
Merece aplausos.
Sebastião Salgado era um gênio.
Demorou a ser reconhecido no Brasil, primeiro brilhou na França - no staff da Agência Magnum.
Agora é homenageado em todo mundo, merecidamente. No Brasil foi capa de impressos, claro. E será tema de mostras de fotografia.
Mas hoje nada menos que o The New York Times (Nova York, NY) dedica espaço na capa a uma de suas imagens mais famosas, de Serra Pelada.
RIP Salgado.
Está na capa do The New York Times (Nova York, NY): a história americana de Robert Prevost, mais conhecido por Papa Leão XIV.
Impressos servem para contar boas histórias, que demandam tempo e precisão.
Ponto para o NYTimes.
O carismático Pepe Mujica morreu.
Sua simplicidade na vida e profundidade nas ideias ficarão para sempre.
La Diaria (Montevideu, Uruguai) conseguiu traduzir esse legado na primeira página.
Não é preciso publicar imagens dos rostos dos presidentes da Alemanha e de Israel. O apertar de mãos entre Itzhak Herzog e Frank-Walter Steinmeier é o passo mais importante para a paz entre os países.
O leitor do Frankfurter Allgemeine (Frankfurt, Alemanha) sabe disso. É o que basta.
Só poderia vir da Argentina a melhor capa em homenagem ao papa Francisco.
O La Nación (Buenos Aires, Argentina) utilizou a mesma imagem publicada por tantos outros impressos pelo mundo, mas achou as palavras ideais: Um Papa Irrepetível.
É impossível repetir o argentino Bergoglio, que abriu a Igreja às minorias, que colocou o dedo nas chagas da pedofilia e do desvio da corrupção no Vaticano.
Francisco só tem um.
Parabéns, La Nación.
De vez em quando é preciso ter um pouco de sorte no jornalismo.
Era páscoa. O papa andou doente. Mas publicar uma foto de Francisco na capa de segunda-feira não era algo tão óbvio assim.
Mesmo assim The Wall Street Journal (Nova York, NY), El País (Madri, Espanha), The Guardian (Londres, UK), Le Figaro (Paris, França), Clarín (Buenos Aires, Argentina) e Folha de S. Paulo (SP) colocaram o papa Bergoglio na capa, por diversos motivos. E foi a última imagem com vida.
Amanhã 10 entre 10 impressos estarão com o papa na capa. Mas este seleto grupo já antecipou na véspera.
Foi sorte, sem dúvidas.
O real sentido de uma mídia impressa é traduzir uma ideia ao primeiro olhar. Como se fosse um outdoor ou um pôster.
Encher a primeira página de fotos e informações desencontradas, como um painel que atira para todos os lados, é a maneira antiga de se fazer jornal.
Por isso a capa simples e direta do The Dallas Morning News (Dallas, TX) é um exemplo de como fazer a primeira página sem exageros. Comunicar e ponto.
Ou não faz sentido.
Não é preciso entender inglês para captar a mensagem do The Economist (Londres, UK).
Simplesmente uma capa perfeita.
Mas isso ficou no passado. Duas vendas co controle acionário depois, o jornal agora mal serve para embrulhar peixe. Defende uma ideologia abertamente e propõe a "neo-notícia" (factóides fake para um público microscópico que vive na mesma bolha).
Hoje o DSP consegue a façanha de dar manchete a algo fora de contexto, oferece a segunda chamada a uma "no news" do prefeito de São Paulo (alinhado com a extrema-direita) e fala da notícia que está na manchete de 10 entre 10 impressos no Brasil de uma forma invertida: o protagonismo é do réu, com mais uma bobagem de seu repertório.
É muito triste ver o Diário de S. Paulo assim. Um jornal morto em atividade.