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terça-feira, 28 de junho de 2022

Capa precisa de inteligência, de criatividade

USA Today (McLean, VA) é um dos jornais impressos de maior circulação no EUA. É um produto nacional, vendido em todo país.

Mas mesmo assim é preciso ser criativo, ousar, provocar o leitor. Foi exatamente o que fez o USA Today hoje, com 182 nomes de crianças e adultos assassinados em escolas desde 1989.

Não há fotos, apenas contornos de rostos, dando a ideia do volume. E os nomes, idades e locais das barbáries.

Uma capa precisa contar algo, defender alguma ideia. Bem como fez o gigantes americano.
 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Ponto de inflexão à vista

Um estudo da Price Waterhouse Coopers (PWC), conhecida consultora internacional de negócios, está mexendo com a mídia dos EUA. Segundo o documento apresentado semana passada, em 2026 o dinheiro de publicidade digital em meios de comunicação será superior às receitas por publicidade no papel. Ou seja, haverá mais investimento de anunciantes no meio digital para veículos jornalísticos do que em impresso.

O dado só não é surpreendente porque há muito a receita digital desbancou as mídias analógicas, no total. Ocorre que entre 70% e 85% ficam nas mãos dos dois maiores intermediários, Google e Facebook. Portanto a disputa restringe-se à verba total de  publicidade de um impresso e uma fatia entre 15% e 30% do que entra por via digital. Agora essa fatia será superior à do impresso.

Qual a preocupação? É que segundo o gráfico da PWC a curva da receita em publicidade digital encontra-se estável. O problema é a queda acentuada das receitas de anúncios no impresso. Sem que se recupere esse dinheiro. Foram quase US$ 12 bilhões investidos no papel em 2017. A previsão para 2026 é de US$ 4,9 bilhões.

No Brasil o ponto de inflexão talvez demore um ou dois anos mais - mas vai acontecer. A solução precisa passar por entender digital como negócio principal da empresa, que também oferece outros produtos como o impresso. No The New York Times (Nova York, NY), por exemplo, dois terços das receitas já chegam por meios digitais, principalmente assinaturas. E crescendo

É preciso se mexer, tomar decisões, montar estratégias. Ou depois pode ser tarde demais.


sábado, 25 de junho de 2022

Só O Globo entendeu o papel do impresso


Os acontecimentos de Brasília desde quarta-feira - e agravados ontem - podem ter sido a pá de cal definitiva na vontade do atual Presidente da República almejar a reeleição. É grave, com provas abundantes e escancara interferências na Polícia Federal para acobertar atos de corrupção.

Uau! É tudo o que um impresso pode querer para organizar sua primeira página. Com um detalhe: É preciso ainda tentar inovar, contar algo surpreendente, que faça o leitor pensar.

Curiosamente, os jornalões brasileiros adotam posturas diferentes. O Estado de S. Paulo (SP) esconde na segunda metade da capa, com manchete apenas informativa. Folha de S. Paulo (SP) também usa luvas de pelica para falar do assunto, buscando uma falsa imparcialidade.

Só mesmo O Globo (Rio de Janeiro, RJ) entendeu para que serve o impresso. Foi na jugular. Manchete revelando um pedaço da conversa grampeada onde não é possível ter dúvidas da participação do Presidente no esquema - e na interferência junto à PF.

Os impressos chegam muito depois do fato ocorrer. Ou há interpretação, análise, novidade, ou se busca uma forma diferente de contar a mesma história. Folha e Estadão estão parados no tempo.



 

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Brasil, um dos países com menor liberdade de imprensa nas Américas


Saiu o Índice Chapultepec de Liberdade de Expressão e Imprensa 2021, estudo da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e da Universidad Católica Andres Bello (Caracas, Venezuela) para monitorar as liberdades nas Américas. Entre os 22 países pesquisados o Brasil ocupa a posição 19. 

O Brasil nunca esteve tão mal, desde que se medem as liberdades de imprensa e de expressão. Só fica à frente de Nicarágua, Cuba e Venezuela, por motivos obvios. O vizinho Uruguai libera, seguido pelo Chile.

O estudo completo está aqui, enquanto a apresentação do trabalho será terça-feira, 14h do Brasil. Inscrições grátis e abertas.

 

quinta-feira, 23 de junho de 2022

A piada que só poucos ousaram contar


A piada estava pronta.

Há poucos meses, o Presidente da República defendeu seu então Ministro da Educação dizendo que colocaria não apenas a "mão no fogo", mas também a cara.

Ontem o Ministro foi preso.

O bom impresso é aquele que entende a situação, aproveita oportunidades como essa e diverte o leitor. 

Só Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) captou o espírito. 

Extra (Rio de Janeiro, RJ) tentou, mas ficou devendo.

Os outros foram pelo obvio. E perderam a chance.

 

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Jornais da RBS insistem em subestimar leitor


O que há com os impressos do Grupo RBS? Será que não valeria a pena escutar os leitores?

Como é possível que Zero Hora (Porto Alegre, RS) e Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) ignorem o calendário e o relógio? Ou como explicar que um jogo de futebol ocorrido na manhã de sábado esteja, na segunda-feira, dividindo espaço nas capas com outro jogo que aconteceu na noite de domingo, mais de 30 horas depois? 

Chama-se "passar recibo de jornalismo velho e caduco" quando um impresso entrega em sua página principal a cobertura de um evento ocorrido 48 antes de o jornal chegar à casa do assinante.

São por decisões conservadoras e atrasadas como essa que não chega a ser estranha a queda acentuada de leitores dos jornais gaúchos.


 

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Uma vergonha anunciada

Desde que um certo ministro do Meio Ambiente sugeriu "abrir as porteiras para passar a boiada", já se sabia que as consequências ambientais, sociais e humanas na Amazônia seriam desastrosas - pelo menos até 31 de dezembro de 2022, data do final do atual governo no Brasil.

O que não se imaginava era a repercussão que o "vale-tudo" poderia causar. O assassinato do jornalista inglês Dom Phillips (ao lado do sertanista Bruno Pereira) é o absurdo colocado na vitrine, para todo o mundo ver e se espantar.

The Guardian (Londres, UK), para quem Phillips colaborava, dedica meia capa à tragédia. Isso não vai ser esquecido tão cedo.

A boiada passou, mas alguns zebus eram maiores do que aquele ministro imaginava.

Lamentável. E triste.