



Talvez o calor escaldante da Espanha tenha atrapalhado o planejamento. Não há outra explicação.
Verdade, foi recorde no Mundial. Mas um sueco? Não havia nada melhor para publicar?
A capa é nobre. Ali vai o melhor do melhor. Nessa caso se considerou a estética, mas não a relevância.
A foto, realmente, não deveria estar ali.
Um avião com problemas técnicos, que retorna ao aeroporto de origem e descarrega o combustível antes é uma manobra de segurança da aviação. Não chega a ser algo incomum. O piloto seguiu o protocolo e pousou de volta, de maneira eficiente, com os passageiros em condições perfeitas.
Notícia seria o pouso "de barriga", passageiros feridos, enfim, um "incidente". A manobra, como ocorreu, foi perfeita.
Por isso dedicar a manchete do impresso para esse fato é um exercício exagerado de "no-news" do Estado de Minas (Belo Horizonte, MG). Erro de avaliação, sem dúvidas.
É claro que os passageiros ficam nervosos, afinal estão nas alturas. Mas o fato não mereceria manchete de um grande impresso brasileiro.
O Correio do Povo (Porto Alegre, RS), impresso gaúcho pertencente ao Grupo Record (leia-se Igreja Universal do Reino de Deus), cometeu uma fantástica analogia entre texto e foto na capa de hoje.
A manchete fala de mais uma bravata do Presidente da República, críticas sem sentido outra vez. A foto principal, logo abaixo, é de duas vacas. A boiada dentro de uma Kombi.
Impossível não relacionar manchete e fotografia.
Genial!
PS: alerta do sempre atento GT, garantia de inteligência e bom humor permanentes
Sem dúvidas, uma de suas funções é ajudar o leitor a pensar. Menos notícias, mais análises, opinião de qualidade.
Por isso a edição internacional do The New York Times (Londres, UK) publica uma coluna de Paul Krugman na capa. Sim, está na cesta dos principais produtos do dia. Por isso, espaço nobre.
É preciso não ter medo e entender a audiência.

Os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Philips não pode ser esquecido. Há um enorme negócio de pesca ilegal, desrespeito às terras indígenas, tráfico de drogas e grilagem de terra por trás das mortes.
A tragédia não pode ser esquecida, até que se conheçam os mandantes. Não os pequenos, os que apertaram o gatilho ou os que pagaram a estes. É preciso chegar no "andar de cima", na classe político-empresarial que autoriza a matança.
O NYTimes está fazendo a sua parte. Os brasileiros já parecem esquecer.