Imprima essa Página Mídia Mundo

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Cheiro de falta de assunto. Ou de jabá


Essa aconteceu ontem (quinta, feriado), mas é tão inacreditável que ainda vale hoje.

A página digital de Zero Hora (Porto Alegre, RS) publicou na tarde de ontem a seguinte manchete: Churrascaria de Moscou será QG de torcida brasileira.

1. É o assunto mais importante do dia?
2. A empresa tem bola de cristal?
3. Alguém enxerga relevância no assunto?

Verdade que a RBS tem um enviado a Moscou - que provavelmente foi almoçar na tal churrascaria. Pelo código de ética da empresa, deve ter pago a conta.

Mas fica difícil entender como um assunto tão fora de questão vire manchete do site. 

sábado, 10 de junho de 2017

O banner definitivo


Mídia Mundo vem mudando de cara a cada ano, revelando designers do Brasil e do Exterior que interpretam o espírito do site em banners.

Os melhores artistas gráficos da mídia passaram por aqui - obrigado a todos!

A partir de hoje, Mídia Mundo ganha uma cara mais duradoura. O trabalho do espanhol Antonio Martin é a nova identidade do MM, que agora além do site é também consultoria, implementação e treinamento.

Por trás da marca Mídia Mundo estão alguns dos melhores profissionais da indústria das comunicações, da redação ao desenho, do negócio às estratégias.

Vida longa ao Mídia Mundo, vida longa ao bom jornalismo.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Mais uma vez o NYTimes


O The New York Times (Nova York, NY), mais uma vez, ensina que jornalismo tem regras, mas não tem dogmas.

Na capa de hoje um enorme destaque para as frases do depoimento de James Comey.

Não importa a grande foto - como quase todos, não importa o título bombástico - como outros. O relevante na fala de Comey são suas afirmações. Por isso é o que primeiro se vê. Grande e limpo. Sem firulas.

O diário americano mostra que cada vez mais o importante é ser claro naquilo que se quer dizer. 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

#semnotícias


A campanha do Newseum - o museu das notícias de Washington (DC) - é forte. No lugar das mais de 900 capas do mundo inteiro que habitualmente ocupam muitas páginas do site, uma única imagem.

É a lembrança dos mortos no exercício da profissão e o risco de termos um país sem notícias.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Duas boas capas no interior paulista


OK, são tragédias. Mas os jornais locais souberam trabalhar bem.

Comércio da Franca (Franca, SP) destacou o no sense de um homem ter atirado seu carro barranco abaixo para morrer, mas saiu vivo. Enquanto outros que nada tinham a ver com isso morreram no acidente.

A Cidade (Araraquara, SP), soube dar uma nova roupagem ao acidente que matou quatro.

Opinião Midiamundo: Apesar do ótimo trabalho, sempre há como melhorar. Comércio da Franca tinha a chance de relacionar os dois personagens (o vivo e o morto) por um detalhe curioso: os dois chamam-se Wesley. Isso rende matéria. Já A Cidade precisa resolver um problema gráfico que está prejudicando suas capas: a aplicação do logo em fundo azul. Se hoje AC tivesse aplicado cobre o preto da capa, esquecendo a cor básica, o impacto seria outro.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Enfim a imprensa desce do muro


O Globo (Rio de Janeiro, RJ), quem primeiro levantou a delação de Joesley Batista - através do colunista Lauro Jardim, acaba de publicar no site o editorial A Renúncia do Presidente.

Uma bomba, posicionando-se pela saída de Michel Temer já.

Isso é raro na imprensa brasileira, que adora ficar sobre o muro e deixar "que o leitor decida".

Esse ato pode ser o impulso que faltava para que Temer deixe o Planalto.

O link é esse, mas como o conteúdo está protegido por paywall, segue aberto abaixo.

A renúncia do presidente

Um presidente da República aceita receber a visita de um megaempresário alvo de cinco operações da Polícia Federal que apuram o pagamento de milhões em propinas entregues a autoridades públicas, inclusive a aliados do próprio presidente. O encontro não é às claras, no Palácio do Planalto, com agenda pública. Ele se dá quase às onze horas da noite na residência do presidente, de forma clandestina. Ao sair, o empresário combina novos encontros do tipo, e se vangloria do esquema que deu certo: "Fui chegando, eles abriram. Nem perguntaram o meu nome". A simples decisão de recebê-lo já guardaria boa dose de escândalo. Mas houve mais, muito mais.

Em diálogo que revela intimidade entre os dois, o empresário quer saber como anda a relação do presidente com um ex-deputado, ex-aliado do presidente, preso há meses, acusado de se deixar corromper por milhões. Este ex-deputado, em outro inquérito, é acusado inclusive de receber propina do empresário para facilitar a vida de suas empresas no FI-FGTS da Caixa Econômica Federal. O presidente se mostra amuado, e lembra que o ex-deputado tentou fustigá-lo, ao torná-lo testemunha de defesa com perguntas que o próprio juiz vetou por acreditar que elas tinham por objetivo intimidá-lo.

Ao ouvir esse relato do presidente, o empresário procura tranquilizá-lo mostrando os préstimos que fez. Diz, abertamente, que "zerou" as "pendências" com o ex-deputado, que tinha ido "firme" contra ele na cobrança. E que ao zerar as pendências, tirou-o "da frente". Mais tarde um pouco, em outro trecho, diz que conseguiu "ficar de bem" com ele. Como o presidente reage? Com um incentivo: "Tem que manter isso, viu?"

Não é preciso grande esforço para entender o significado dessa sequência de diálogos. Afinal, que pendências, senão o pagamento de propinas ainda não pagas, pode ter o empresário com um ex-deputado preso por corrupção? Que objetivo terá tido o empresário quando afirmou que, zerando as pendências, conseguiu ficar de bem com ele, senão tranquilizar o presidente quanto ao fato de que, com aquelas providências, conseguiu mantê-lo quieto? E, por fim, que significado pode ter o incentivo do presidente ("tem que manter isso, viu"), senão uma advertência para que o empresário continue com as pendências zeradas, tirando o ex-deputado da frente e se mantendo bem com ele?

Esses diálogos falam por si e bastariam para fazer ruir a imagem de integridade moral que o presidente tem orgulho de cultivar. Mas houve mais. O empresário relata as suas agruras com a Justiça, e, abertamente, narra ao presidente alguns êxitos que suas práticas de corrupção lhe permitiram ter. Conta que tem em mãos dois juízes, que lhe facilitam a vida, e um procurador, que lhe repassa informações. Um escândalo. O que faz o presidente? Expulsa o empresário de sua casa e o denuncia as autoridades? Não. Exclama, satisfeito: "Ótimo, ótimo".

Não é tudo, porém. Em menos de 40 minutos de conversa, o empresário ainda encontra tempo para se queixar de um ex-funcionário seu, atual ministro da Fazenda. Diz, com desfaçatez, que tem enfrentado resistência no ministro da Fazenda para conseguir a troca dos mais altos funcionários do governo na área econômica: o secretário da Receita Federal, a presidente do BNDES, o presidente do Cade e o presidente da CVM. Pede, então, que seja autorizado a usar o nome do presidente quando for novamente ao ministro da Fazenda com tais pleitos. O que faz o presidente? Manda-o embora, indignado? Não, de forma alguma. O presidente autoriza: "Pode fazer".

Este jornal apoiou desde o primeiro instante o projeto reformista do presidente Michel Temer. Acreditou e acredita que, mais do que dele, o projeto é dos brasileiros, porque somente ele fará o Brasil encontrar o caminho do crescimento, fundamental para o bem-estar de todos os brasileiros. As reformas são essenciais para conduzir o país para a estabilidade política, para a paz social e para o normal funcionamento de nossas instituições. Tal projeto fará o país chegar a 2018 maduro para fazer a escolha do futuro presidente do país num ambiente de normalidade política e econômica.

Mas a crença nesse projeto não pode levar ao autoengano, à cegueira, a virar as costas para a verdade. Não pode levar ao desrespeito a princípios morais e éticos. Esses diálogos expõem, com clareza cristalina, o significado do encontro clandestino do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista. Ao abrir as portas de sua casa ao empresário, o presidente abriu também as portas para a sua derrocada. E tornou verossímeis as delações da Odebrecht, divulgadas recentemente, e as de Joesley, que vieram agora a público.

Nenhum cidadão, cônscio das obrigações da cidadania, pode deixar de reconhecer que o presidente perdeu as condições morais, éticas, políticas e administrativas para continuar governando o Brasil. Há os que pensam que o fim deste governo provocará, mais uma vez, o atraso da tão esperada estabilidade, do tão almejado crescimento econômico, da tão sonhada paz social. Mas é justamente o contrário. A realidade não é aquilo que sonhamos, mas aquilo que vivemos. Fingir que o escândalo não passa de uma inocente conversa entre amigos, iludir-se achando que é melhor tapar o nariz e ver as reformas logo aprovadas, tomar o caminho hipócrita de que nada tão fora da rotina aconteceu não é uma opção. Fazer isso, além de contribuir para a perpetuação de práticas que têm sido a desgraça do nosso país, não apressará o projeto de reformas de que o Brasil necessita desesperadamente. Será, isso sim, a razão para que ele seja mais uma vez postergado. Só um governo com condições morais e éticas pode levá-lo adiante. Quanto mais rapidamente esse novo governo estiver instalado, de acordo com o que determina a Constituição, tanto melhor.

A renúncia é uma decisão unilateral do presidente. Se desejar, não o que é melhor para si, mas para o país, esta acabará sendo a decisão que Michel Temer tomará. É o que os cidadãos de bem esperam dele. Se não o fizer, arrastará o Brasil a uma crise política ainda mais profunda que, ninguém se engane, chegará, contudo, ao mesmo resultado, seja pelo impeachment, seja por denúncia acolhida pelo Supremo Tribunal Federal. O caminho pela frente não será fácil. Mas, se há um consolo, é que a Constituição cidadã de 1988 tem o roteiro para percorrê-lo. O Brasil deve se manter integralmente fiel a ela, sem inovações ou atalhos, e enfrentar a realidade sem ilusões vãs. E, passo a passo, chegar ao futuro de bem-estar que toda a nação deseja.

Mineiros seguem capitulando


Ontem os jornais mineiros esconderam Aécio das capas. Havia uma bomba local, mas eles preferiram Temer.

Hoje Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) e O Tempo (Belo Horizonte, MG) mais uma vez deixam Aécio - o mineiro - de lado.

Andréa, a primeira-irmã presa, aparece em foto no OT, mas não no EM.

Houve um tempo em que os jornais se preocupavam mais com o local-local. Mas nunca se sabe o tamanho do favor a ser devolvido.

Andréa, aliás, era conhecida no Governo Aécio por pautar (e despautar) a imprensa mineira.